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Minho na vanguarda tecnológica europeia

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Minho na vanguarda tecnológica europeia

Ideias

2019-06-13 às 06h00

Alzira Costa Alzira Costa

No dia 7 de junho, foram selecionados oito locais de supercomputação em toda a União Europeia (UE) para acolher os primeiros supercomputadores europeus, e Portugal (mais precisamente através da região do Minho) foi um dos locais selecionados e que faz parte do início deste processo que pretende revolucionar e impulsionar ainda mais a tecnologia europeia.
O principal objetivo dos supercomputadores consiste em apoiar os investigadores, a indústria e as empresas da Europa no desenvolvimento de novas aplicações numa vasta gama de domínios, desde a conceção de medicamentos e novos materiais até à luta contra as alterações climáticas. Entre outros aspetos, os supercomputadores poderão apoiar no desenvolvimento de aplicações importantes em domínios como a medicina personalizada, a conceção de medicamentos e materiais, a bioengenharia, a previsão meteorológica e as alterações climáticas.
A supercomputação é uma prioridade-chave do Programa “Europa Digital” da UE, proposto pela Comissão, em maio de 2018 no contexto do próximo orçamento de longo prazo da UE. Para o efeito, está a ser discutida uma proposta de 2,7 mil milhões de EUR para o financiamento da supercomputação na Europa no período de 2021-2027. De acordo com as palavras do Comissário para a Ciência, Investigação e Inovação, Carlos Moedas: “Os supercomputadores já estão no centro dos principais progressos e inovações em muitas áreas que afetam o quotidiano dos cidadãos europeus. Uma maior infraestrutura europeia de supercomputação tem um grande potencial para criar emprego e é um fator essencial para a digitalização da indústria e para o aumento da competitividade da economia europeia.” De uma forma muito clara e concisa, o comissário expressou a importância da aposta na tecnologia para o futuro da UE, e do papel fundamental que os supercomputadores terão na vida quotidiana dos cidadãos europeus.
A possibilidade da região do Minho participar num processo de extrema importância para a UE é uma prova da excelência das infraestruturas, dos profissionais, e dos serviços da região, assim como do papel preponderante que esta região poderá ter no desenvolvimento do futuro tecnológico da UE. Para além do Minho (que representará Portugal nesta área), os sítios de acolhimento situar-se-ão em Sófia (Bulgária), Ostrava (República Checa), Kajaani (Finlândia), Bolonha (Itália), Bissen (Luxemburgo), Maribor (Eslovénia) e Barcelona (Espanha). No entanto, este processo estende-se a mais países: ao todo serão 19 Estados-Membros da UE que farão parte deste processo. Para administrar todo este procedimento, foi criado uma Empresa Comum que coordenará todo o projeto.
Não há dúvidas que este processo representa um passo importante e determinante para uma corrida ao desenvolvimento tecnológico, que pode ter arrancado tarde para a UE. De acordo com estudos feitos, a China e os Estados Unidos da América dominam claramente o cenário dos supercomputadores com 202 e 143 unidades, respetivamente. A discrepância aumenta consideravelmente para o 3º lugar, que é ocupado pelo Japão com 35 supercomputadores. Apenas a partir do 4º lugar é que surgem os países europeus: neste caso, a Alemanha (21 supercomputadores), França (18 supercomputadores) e Reino Unido (15 supercomputadores) preenchem o 4º, 5º e 6º lugar da tabela mundial em que a maior parte dos países da UE não estão representados por não possuírem qualquer supercomputador de momento. Um dado interessante (e que demonstra a necessidade de uma aposta da UE nesta matéria) é que mesmo que juntássemos os dados contabilizados de todos os Estados-Membros, verificávamos que a Europa continuaria a ficar atrás das maiores potencias mundiais desta área, contabilizando perto de 90 supercomputadores.
Posto isto, urge tornar a UE uma referência na área tecnológica, aproveitando assim todas as valências que a tornam numa líder mundial na área da ciência. Neste momento, a UE tem a capacidade de desenvolver as infraestruturas necessárias para o efeito, tem a possibilidade de garantir o investimento para o desenvolvimento do projeto, conta com a contribuição de recursos humanos altamente qualificados e motivados, entre outras características que tornam este objetivo ambicioso perfeitamente alcançável. O que a UE necessita é de coordenar todas estas componentes e potencializá-la a uma escala europeia, no sentido de colocar a UE como uma região de supercomputação mundial de alto nível, e que consiga competir com os gigantes centros de investigação tecnológica mundiais norte-americanos e chineses.

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