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Milagres de Natal

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Milagres de Natal

Voz às Escolas

2019-12-19 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Entrámos no mês de dezembro, o mês em que tudo apela à reflexão em torno das assimetrias que, pese embora o esforço feito para distrair a nossa atenção, existem e, nesta época do ano, de um modo especial, ganham uma acentuada importância mediática.
Em verdade, o fosso existente entre aqueles para quem o Natal é a época do ano em que o despesismo é líder, e aqueles para quem o Natal é uma época do ano em que o frio e as carências doem mais, não se acentua, apenas é evidenciado pelos diversos órgãos de comunicação social. Quero acreditar que numa tentativa de alertar para a responsabilidade de cada um de contribuir para uma sociedade mais justa e mais humanizada.
O trazer a palco a injustiça social, nesta altura, funciona como penitência que nos impomos, para aliviar a consciência de um certo comodismo em que vivemos, ao longo dos restantes meses do ano, mas não sana, de forma alguma, um problema que, pese embora não ter solução, poderia ser minimizado.

No entanto, temos que ter consciência de que o processo de minimização do maior dos problemas da sociedade em que vivemos custaria a alteração da ordem dos fatores, na priorização de opções, por parte do poder decisor, o que bem sabemos não acontecerá.
Vivemos numa sociedade em que, de um modo geral, o ter prevalece sobre o ser, como se o ter conferisse um estatuto de supremacia e de impunidade que valesse o “conforto” de se ser alguém reconhecido pelos princípios e ações de respeito pelo próximo.
E a cegueira atinge tal dimensão que se esquece que o ter é efémero, dependendo, tantas vezes, de breves passagens pelos palcos da ribalta.

E, assim, cabe a cada um de nós refletir e definir o caminho que pretende percorrer, consciente de que deve intervir, de acordo com as armas que tiver ao seu alcance.
A Escola tem um papel de enorme importância para as mudanças que urge implementar, é inquestionável, mas não podemos alhear-nos da realidade, uma realidade que funciona, muitas vezes, como contra poder, ao evidenciar e, até, premiar, ações que colidem com os princípios que a Escola defende e tenta incutir nas novas gerações.

E, assim, vai crescendo a bola de neve, hipotecando as mudanças que, em consciência, todos sabemos que deveriam acontecer, garantindo condições para minimizar as tais assimetrias que, no Natal, tanta tinta fazem correr.
A sensação que fica é a de que funcionamos por secções, completamente estanques, cada qual com os seus objetivos e as suas estratégias, bem agarrados à sua missão, como se o resto não fosse responsabilidade nossa, esquecendo, ou desconhecendo, que todos fazemos parte de um todo, em que cada uma das partes tem uma missão, mas que todas as missões devem convergir para a missão maior, a de construir uma sociedade em que haja lugar para todos, com os mesmos deveres e os mesmos direitos.

O individualismo continua a imperar, o materialismo ganha terreno e os princípios não passam de bandeiras, especialmente usadas em determinadas ações de propaganda.
E, assim, questiono-me sobre o impacto do enorme esforço feito pela Escola, quando, transpostos os portões, os alunos regressam ao mundo real, onde as “leis” são outras e uma significativa percentagem, colocando na balança mundos tão antagónicos, não tem capacidade para decidir de forma assertiva, tão aliciante é viver ao sabor das marés.
É Natal, e refletindo sobre o verdadeiro sentido de uma das épocas mais marcantes do calendário, acredito que será diferente, que haverá mais família, mais abraços, mais partilha e mais tempo para olhar para além do nosso pequeno “mundo”.

E se, cada um de nós, contribuir para fazer a diferença na vida de alguém, nem que seja para cumprir a tal penitência, tenho a certeza de que estaremos a dar o primeiro passo na luta pela verdadeira igualdade de direitos de qualquer ser humano.
Retórica?!
Pertenço ao grupo daqueles que ainda acreditam em milagres, e em Milagres de Natal.
Um Santo Natal e que o Novo Ano seja, realmente, Novo.

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