Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Mercado de trabalho: estratégias para os mais jovens

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2017-05-12 às 06h00

Margarida Proença

Os últimos dados do INE, de acordo com uma informação divulgada esta semana, traz boas notícias, sustentando a tendência de quebra na taxa de desemprego desde o 2º trimestre de 2016. Ou seja, no primeiro trimestre de 2017, a taxa de desemprego foi ligeiramente inferior à do trimestre anteri- or, e 2,3% mais baixa que no mesmo trimestre de 2016. Um comportamento análogo registou-se no desemprego jovem, bem como na proporção de desempregados de longa duração. Ainda de acordo com o INE, a população empregada registou um acréscimo, o maior desde o ultimo trimestre de 2013.

A taxa de emprego nos homens cresceu mais do que nas mulheres, em pessoas que completaram o ensino secundário ou pós-secundário, e no setor dos serviços. Outra informação interessante, é que a taxa indicia um crescimento maior em pessoas que trabalham a tempo completo, com contrato de trabalho sem termo, e por conta de outrem. Também baixou o número de jovens “nem-nem”, ou seja, que não estudam nem trabalham, principalmente entre os 20 e os 24 anos. Ainda que estejamos ainda a confrontarmo-nos com uma taxa de desemprego de 10,1%, cerca de 500 mil pessoas, sem dúvida alguma que são dados muito positivos. Com a exceção da Madeira, a taxa de desemprego mais elevada regista-se na Região Norte, mas ainda aqui os dados confirmam uma clara tendência de recuperação - ao longo de 2016, caiu de 13,3% , no 1º trimestre , para 11,5% no 4º trimestre, chegando agora aos 10,9%.

Esta evolução confirma também a tendência já presente no final de 2016, quando o Eurostat , a agência responsável pela produção da informação estatística, sublinhava que Portugal apresentava o maior crescimento do emprego na zona euro, apesar do aumento de 5% no salário mínimo nacional. Suportam-se ainda em dados que asseguram a recuperação das exportações (em março de 2017 cresceram quase 24%), e aumentos tanto no volume de negócios dos serviços (5,2%) quanto na indústria (13,1%); por muito relevantes que sejam, e são-no de facto, não se trata apenas de evoluções que encontram a sua explicação no comportamento do turismo , ou no setor dos combustíveis. Os salários têm evidenciado uma ligeira recuperação.

Ainda assim, desde o início da década de 90, que o crescimento do emprego tem sido modesto, nos EUA e na Europa; até 1990, nos EUA, e nos dois primeiros anos após uma recessão, era um pouco mais do 5%, mas essa taxa de crescimento tem vindo a baixar para menos de 1%. Tem sido muito discutida esta baixa taxa de recuperação do emprego, explicada principalmente pela mudança tecnológica.

Funções com níveis intermédios de especialização, ou pouco especializados, muitas vezes envolvendo tarefas de natureza rotineira, particularmente suscetíveis à substituição por novas tecnologias, podem ser permanentemente destruídas durante recessões. Estes trabalhadores são então forçados a transições por vezes difíceis, entre ocupações e entre sectores de onde resulta um aumento do desemprego estrutural.

A polarização do mercado de trabalho, com relativo “esvaziamento “ de funções tem sido documentado nos EUA e um pouco por outros países; ainda que haja evidência de que a tecnologia é um dos motores de mudança, a globalização tem sido tida por fortemente responsável, incrementando por via dos apelos ao protecionismo, votações em partidos mais extremistas. Ainda que tal não se verifique em Portugal, cresce em outros países a chamada “gig economy” - profissionais especializados, bem pagos, que procuram cada vez mais empregos de curta, ou muito curta duração, que lhes permitem conciliar a vida privada e profissional, através de uma gestão pessoal do tempo do salário.

Procuram e aceitam trabalhar apenas dois a 3 dias por semana, em postos de trabalho que não são “para a vida”, e que lhes permitem maximizar rendimentos, saltando rápidamente entre propostas alternativas. Há estudos que referem que por 2020, nos EUA, 40% da população possa estar na “gig economy”, incluindo pessoas com mais de 65 anos, aproveitando plataformas eletrónicas e digitais para trabalharem por pequenos períodos.

Não significa que seja este o quadro potencial de evolução no mercado de trabalho em Portugal; a qualificação média do trabalhador português é ainda baixa, e cerca de 99% das empresas têm uma dimensão demasiado reduzida. Mas em qualquer dos casos, mais ou menos lentamente, por força do conhecimento, da tecnologia e da globalização, a natureza do trabalho e das formas contratuais tenderá a alterar-se, mudando também a forma como as empresas se estruturam internamente, bem como as bases concorrenciais.

Para os mais jovens , isto significa que o futuro tenderá a abrir mais as suas portas a atividades que incluam criatividade e especialização tecnológica, mestria técnica e intuição, complementadas por significativas competências relacionais (amabilidade, estabilidade emocional, abertura á mudança, extroversão e responsabilidade/ consciência do ambiente e das questões envolventes, as chamadas “big five”).

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