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Voz às Escolas

2021-10-18 às 06h00

João Andrade João Andrade

Uma das medidas integrantes da Resolução do Conselho de Ministros n.º 53-D/2020, de 20 de julho, para combate às consequências da atual pandemia, preconizava que “as escolas devem criar um programa de mentoria tendo em vista estimular o relacionamento interpessoal e a cooperação entre alunos”.
O contexto vivido no ano letivo transato, com o constante confinamento de turmas e a forte restrição de contactos entre alunos e grupos de alunos distintos, não permitiu a exploração generalizada e devida da medida.
O programa de mentoria foi concebido para desenvolver e estimular o relacionamento interpessoal e a cooperação entre alunos, numa dinâmica de trabalho colaborativo, apoio e estímulo, bem como entre alunos e professores tutores, no entendimento de que a mentoria entre pares de alunos e tutoria por docentes criam duas componentes complementares, que poderão ser da maior relevância na minimização de situações problemáticas de natureza escolar, educativa ou da vida dos alunos.

Este ano, o programa é uma forte aposta do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, porque sabemos a aprendizagem interpares, em particular entre alunos, é das com maior impacto, porque realizada entre elementos que dominam a mesma linguagem e se encontram em níveis de desenvolvimento cognitivo, conceptual e de interesses muito aproximados.
O Programa pretende, assim: envolver estudantes do mesmo ciclo de estudos promovendo sentimentos de bem-estar pessoal, de colaboração e de solidariedade; acompanhar e monitorizar a inclusão de alunos, despertando neles atitudes positivas em relação aos pares, à escola e aos professores; fomentar o valor do trabalho voluntário, envolvendo toda a comunidade educativa, reforçando a consciencialização da necessidade da intervenção e responsabilidade solidárias, visando o desenvolvi- mento de uma cidadania ativa; promover o trabalho colaborativo, designadamente no âmbito da partilha de experiências relevantes, estratégias de intervenção e construção de materiais de apoio, e implementar mecanismos de acompanhamento e de integração plena de estudantes advindos de outras realidades, diminuindo dificuldades decorrentes de mudanças escolares, geográficas e culturais.
O aluno mentor e o aluno mentorando beneficiam mutuamente da relação, quer a nível pessoal, quer a nível académico, relacional e social, a partir da criação de uma relação de confiança e respeito interpares, derivada da riqueza do contacto informal e da maior proximidade, linguística e/ou outra, que se apresentam como fatores primeiros para o sucesso, gerando a melhoria da motivação, do rendimento escolar, das relações interpessoais, do comportamento e da autoestima.

No ensino secundário, face ao previsível receio de exposição de dúvidas e dificuldades perante o docente (obviamente infundado, mas compreensível, de consequências no processo classificativo), o facto de existir outro um próximo, o colega mentor (que até pode nem ser da mesma turma), a quem pode abertamente expor as suas dificuldades e obter feedback de qualidade, é da maior importância.
Consideram-se características determinantes do aluno mentor: ser responsável e respeitar o outro; ser organizado, comunicativo, flexível, paciente e perseverante; ter capacidade de apoiar os seus pares, acompanhando-os no desenvolvimento das aprendizagens, no esclarecimento de dúvidas, na preparação para os momentos de avaliação e noutras atividades conducentes à melhoria dos resultados escolares; ser dotado de assertividade, proatividade, empatia, espírito de entreajuda e cooperação e, obviamente, pretender, voluntariamente, participar na iniciativa.

A figura do mentor surge associado ao papel de facilitador de aprendizagens e promotor do desenvolvimento de competências sociais e transversais, como sejam a relação com o(s) outro(s), os hábitos de trabalho e métodos de estudo, as competências da leitura e escrita, a literacia digital e a resolução de situações problemáticas, bem como o desenvolvimento da autonomia e da capacidade de análise e reflexão crítica.
Muito relevantemente, o aluno mentor, ao ajudar os colegas a aprender, também melhora significativamente as suas aprendizagens, pois gera estratégias metacognitivas de tomada de consciência das próprias dificuldades e da organização dos seus processos cognitivos, para conseguir desempenhar, com eficácia, o papel de mentor (o aluno mentor também beneficia do registo, no seu certificado final do 12.º Ano, da participação no programa).
Mais uma vez, neste contexto, como em tantos outros do ato educativo, é fundamental o papel do diretor de turma, identificando alunos carentes de mentoria e estimulando os seus pares a assumir o papel de mentores.
No meio do imenso mal que a atual pandemia trouxe, muito de bom emergiu, estando, num patamar muito alto nesse bom, a consciência da importância e riqueza das relações interpessoais, tão deterioradas durante a pandemia. Este programa procura, precisamente, não só reconstruir, mas também ir mais além nessa dimensão.

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