Correio do Minho

Braga, sábado

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Melhores competências, melhores empregos, melhores condições de vida: uma abordagem estratégica das políticas de competências

Tão só curiosidades

Escreve quem sabe

2016-02-21 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Braga é, ao longo deste ano, a Capital Ibero-americana da Juventude. A programação prevê um conjunto diversificado de iniciativas onde pontuam jornadas, seminários, conferências, fóruns e encontros de reflexão sobre os problemas, desafios e perspetivas para o presente e futuro dos jovens, neste espaço geo-político.
Neste contexto, a consolidação de uma nova cidadania empreendedora é, com toda a certeza, uma dimensão estruturante do programa. Onde a inovação dos processos e a aposta na competitividade dos territórios, assumem a centralidade das políticas públicas locais, regionais e nacionais dos países que integram esta comunidade alargada de países, e que vão merecer a melhor atenção de todos os protagonistas.
Um processo que vai permitir o contacto com boas práticas, e a troca de experiências sobre as formas de governança, focalizadas na satisfação das novas necessidades, decorrentes do processo de inovação social que estamos a viver. Novas formas de aprendizagem, com base na produção de conhecimento útil, em prol do desenvolvimento de melhores competências, melhores empregos e melhores condições de vida.
Ángel Gurría Secretário-geral da OCDE, afirmou em 2014, na apresentação da publicação desta organização internacional, que “as competências se transformaram na moeda global do século 21”. Reforçando a este propósito, que em “investimento adequado em competências, as pessoas permanecem à margem da sociedade, o progresso tecnológico não se traduz em crescimento económico, e os países não podem competir num contexto global, que se baseia cada vez mais no conhecimento”.
Afirma ainda que, esta moeda perde valor à medida que evoluem as exigências dos mercados de trabalho, as pessoas perdem as competências que não utilizam, e as competências não se traduzem automaticamente em empregos e crescimento. Uma realidade que merece uma atenção muito especial, tendo em linha de conta a crise económica mundial, com elevados níveis de desemprego, especialmente entre os jovens, torna urgente fomentar melhores competências.
Esta publicação da OCDE aponta, ao mesmo tempo, para a desigualdade do rendimento disponível, causada em grande medida pela diferença acentuada entre os salários que remuneram a mão-de-obra qualificada e os pagos às pessoas com baixa capacitação. Preconizando que a solução mais promissora para este problema, é investir eficazmente nas competências no decorrer do ciclo de vida: desde a primeira infância, durante toda a escolaridade obrigatória, e ao longo da vida profissional.
A estratégia de competências da OCDE, preconiza um processo integrado, para ajudar os países a investir melhor nas competências para transformar a vida das pessoas, e fomentar as economias dos países. Uma dinâmica que stabelece as bases sobre a forma de trabalhar de maneira eficaz com todas as partes interessadas - governos nacionais, regionais e locais, empregadores, trabalhadores e estudantes - e em todos os âmbitos políticos.
Uma nova abordagem, que pretende desenvolver as competências adequadas para responder às necessidades do mercado de trabalho, e a trabalhar mais de perto com o setor empresarial na concepção programas de formação. Combater o desemprego e ajudar os jovens, no seu posicionamento em relação ao mercado de trabalho. Incentivar a criação de empregos e de competências mais elevadas e de maior valor acrescentado, que fomentem a inovação, a competitividade e o espírito empreendedor, para competir mais eficazmente na economia global atual.
Atenção que reflete a crescente centralidade social e política dos problemas com que os jovens se deparam nos processos de inserção socioprofissional e nas suas trajetórias subsequentes. Centralidade é particularmente relevante, uma vez que se trata de um grupo heterogéneo fortemente escolarizado, que não vê confirmadas as expetativas do processo de escolarização, a que os jovens estão a dar cada vez mais importância, intervindo cada vez mais ativamente na construção das suas próprias respostas.
Urge identificar cenários de desenvolvimento de novos mercados de trabalho. Sectoriais ou regionais, que decorrem das transformações económicas, tecnológicas (empregos “verdes”), das novas políticas públicas (re-industrialização). Das perspetivas demográficas (envelhecimento da população) e territoriais (desertificação das zonas rurais e do interior). Criando uma nova cidadania empreendedora, que potencia melhores competências, proporciona novas oportunidades e promove a definição dos seus percursos sócio profissionais, e as condições para uma emancipação efetiva das novas gerações.
Tal como defende a OCDE, investir nas competências adequadas requer uma abordagem estratégica, para proporcionar uma base sobre a qual os responsáveis políticos internacionais, nacionais e locais podem começar a transformar “melhores políticas de competências” em empregos, crescimento e “melhores condições de vida”, e a oportunidade criada pela BRAGA’16 Capital Ibero-americana da Juventude, vai dar um excelente contributo.

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