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Melhorar o SNS com os profissionais de saúde

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Melhorar o SNS com os profissionais de saúde

Ideias

2019-11-18 às 06h00

Pedro Morgado Pedro Morgado

Ao longo das últimas semanas, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem sido tema de inúmeras notícias e textos de opinião que traduzem alguns dos problemas que se vivem nos hospitais e centros de saúde. No meio de tantas notícias negativas, existe o perigo de haver quem queira cavalgar a onda para pôr em causa o próprio SNS.
É preciso afirmar com clareza que, num país pobre e desigual como Portugal, o sucesso da democracia é proporcional ao sucesso do SNS. Sem um SNS forte e eficiente, a coesão social fica seriamente ameaçada. O SNS presta todos os dias um serviço notável às populações. A qualidade dos médicos e enfermeiros do SNS é reconhecida internacionalmente e o nosso sistema de saúde está entre os 16 melhores do mundo (há poucas áreas de atividade em que tenhamos desempenhos tão positivos).
Os problemas que existem são, sobretudo, organizacionais.

Por um lado, temos uma rede hospitalar anacrónica que acumula serviços em Lisboa e no Porto, deixando áreas com elevada densidade populacional sem oferta. O caso da Cirurgia Cardiotorácica é um bom exemplo destas disfunções. Atualmente existem dois serviços concentrados no Porto enquanto o Minho não tem qualquer oferta neste domínio.
Por outro lado, o modelo de financiamento baseia-se na quantidade de atos e não na eficácia dos resultados. Ao financiarem-se atos clínicos em quantidade sem atender à qualidade dos resultados obtidos, alguns serviços transformam-se em linhas de produção em série. E, mais uma vez, as diferenças entre hospitais são abissais: um doente tratado num hospital pode receber gratuitamente uma medicação que tem que pagar noutro hospital do SNS; um doente tratado num hospital pode ter 45 minutos para uma consulta enquanto noutro hospital tem apenas 20; um doente tratado num hospital pode encontrar o seu médico de 3 em 3 meses enquanto noutro apenas recebe uma consulta por ano. 

O SNS precisa de reorganizar a sua rede hospitalar e de definir critérios mínimos de qualidade para a prestação de cuidados. E precisa, também, que esses critérios sejam uniformes em todo o país.
Por fim, o SNS precisa de olhar para o que está a acontecer aos seus profissionais. Os níveis de exaustão e insatisfação têm aumentado proporcionalmente à redução das condições de trabalho, à perda de autonomia e à redução da sua participação na gestão hospitalar. Pelas consequências que tem para a sua saúde e também pela forma como influencia  negativamente a qualidade do trabalho, o burnout dos profissionais tem que ser considerado uma prioridade pelo Ministério da Saúde.
É importante reforçar que, apesar dos problemas, o SNS continua a cumprir diariamente a sua missão. A força do SNS continua a radicar na qualidade, no profissionalismo e na entrega dos seus médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos e outros funcionários. Qualquer solução para o momento difícil que atravessa tem que ser construída com eles.

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