Correio do Minho

Braga, terça-feira

Mau de mais para ser verdade

“Novo tabaco” mata 600 mil crianças por ano

Ideias Políticas

2013-11-19 às 06h00

Pedro Sousa

A semana que passou foi fértil em episódios políticos bem demonstrativos do total desnorte em que está mergulhado o actual Governo.
Há algumas semanas atrás, ouvimos Paulo Portas, o Ministro irrevogável, anunciar ao País o programa de reforma do Estado. Pensávamos nós, cidadãos esclarecidos e interessados, que ao fazê-lo na qualidade de Vice Primeiro Ministro, estaria, naturalmente, a falar em nome do Governo.

Seguiram-se um chorrilho de críticas dos mais variados sectores da sociedade Portuguesa, desde os Partidos Políticos da oposição, aos parceiros sociais, passando pelos sindicatos, insurgindo-se contra a má qualidade do documento. Críticas virulentas contra um documento demasiado importante que não tem, de facto, um quadro de preparação, estruturação, e rigor que um dossier desta natureza e importância tem, obrigatoriamente, de ter.

Eis senão que, após tal vendaval de críticas, de todos os sectores, aparece o PSD, como não tendo nada que ver com o guião da reforma do Estado apresentado por Paulo Portas, sacudindo a água do capote, a dar nota que irá, também, apresentar o seu guião para a dita reforma.
Aqui, surge-me inevitável perguntar: “Quando Paulo Portas fala em representação do Governo fá-lo sem autorização? Sem legitimidade?”; “Devem as declarações de Paulo Portas ser validadas, à posteriori, por um 'briefing' do Governo?”.

O Governo não tem orientação nem liderança. Triste sina a nossa.
Além do triste episódio que acabei de relatar acima, assistimos a outros episódios que confirmam a desorientação reinante na actual maioria.
Lembrar, por exemplo, toda a confusão política sobre o regresso de Portugal aos mercados no período pós assistência.

Portugal vai falhar o regresso aos mercados e ponto final. Portugal vai falhar o regresso aos mercados porque não vai, ao contrário do que diz ao Governo, conseguir regressar aos mercados sem um programa cautelar. E isso significa falhar o regresso aos mercados, pois, no memorando inicial, não se falava de nenhum programa cautelar.
Falava-se, isso sim, de cumprir o programa, corrigir os problemas ao nível da dívida e do défice e, aí sim, regressar, em pleno, aos mercados.
Tendo em conta a trapalhada desta Governação que, apesar de todos os cortes, os aumentos brutais de impostos e todos os castigos imerecidos contra os Portugueses, não conseguiu controlar nem o défice, nem a dívida pública, podemos, até, considerar que as coisas até que não vão mal se precisarmos, apenas, de um programa cautelar. Pior será se Portugal vier a precisar de um segundo resgate. Situação que não está, de todo, afastada. Basta lembrar as declarações, recentes, do Ministro inimputável, Rui Machete, sobre os juros da dívida (outra grande trapalhada).

Sobre as comparações entre Portugal e a Irlanda

A Irlanda não vai, ao contrário de Portugal, falhar o regresso aos mercados porque não falhou na aplicação do seu processo de ajustamento; a Irlanda não vai, ao contrário de Portugal, falhar o seu acesso aos mercados porque não foi para além da austeridade plasmada no seu memorando de assistência financeira; a Irlanda não vai, ao contrário de Portugal, falhar o seu regresso aos mercados porque negociou com os seus credores condições, nomeadamente ao nível das taxas juros dos seus empréstimos, a valores muito mais baixos que o Governo subserviente de Passos Coelho e seus pares aceitou para Portugal; a Irlanda não vai, ao contrário de Portugal, falhar o seu regresso aos mercados porque as suas exportações são superiores a 100% do seu PIB o que lhe permite manter uma economia interna forte, com bons índices de consumo, mesmo num contexto de baixa de salários e aumento de impostos.

Portugal tem problemas de sobra que exigem do Governo a melhor e a mais urgente atenção. Este Governo está em funções há dois anos e meio, período, este, em que foram muitos os sacrifícios exigidos aos Portugueses mas a luz ao fundo do túnel, com grande pena nossa, só se começa a vislumbrar para... os Irlandeses.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

13 Novembro 2018

A democracia e a hipocrisia

13 Novembro 2018

Dar banho às virgens

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.