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Marioneta

Por que não um Museu de Braga?

Marioneta

Escreve quem sabe

2024-05-05 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Por vezes a nossa mente tende a assemelhar-se a uma marioneta. Ao longo da vida, na interação com pessoas recebe-se reforços positivos (ex. O elogio pelo bom desempenho em determinada situação,) ou reforços negativos (ex. A "chamada de atenção" para que não volte a acontecer). Na vida adulta tende-se a valorizar mais as críticas do que os elogios. Parece haver uma espécie de dificuldade em se validar um elogio sincero, pela desconfiança de saber com clareza, se o que se está a dizer será pelo “social” da educação e cortesia, ou até pela pretensa de algo (ex. ajuda, beneficio etc.). Qual a razão, pela qual se tende a validar mais uma critica do que um elogio? Vem do facto de se ter uma perceção mais negativa do que positiva de pensamento, fruto das experiencias vividas. A soma elevada de experiências negativas circunscritas a sofrimentos, abandono ou negligência afetiva, ou até a falta de suporte emocional potencia a perceção negativa da realidade, o que faz com que o elogio de alguém seja entendido como não “real”. Há por outro lado quem por opção de não criar expectativas prefira "pensar no pior" mas o que é certo é que " essa força” de pensamento tem muitas consequências. Acarreta, malefícios físicos (sofrer por antecipação, faz com que o corpo está em constante alerta, logo há maior desgaste pela “inflamação” da libertação de níveis elevados de cortisol, daí a mais conhecida expressão popular- “Não fiz nada, e sinto-me extremamente cansado/a.”, bem como, que a forma de pensamento mais negativa limita o agir futuro replicando-se porque o “medo” trava as decisões. Está-se constantemente a receber-se opiniões ou comentários de pessoas significativas (isto é, são importantes nas nossas vidas, como por exemplo os pais, o/a companheiro/a, o /a amigo/a de longa data etc.), colegas de trabalho, ou até desconhecidos/as que os “acasos” da vida “obriga” em determinado momento a interação. Muitas pessoas, questionam-se o “porquê” de serem “ímanes” (parece que atraem comentários negativos de outras pessoas) e que talvez a mesma seja “o problema”, de tudo acontecer. Na verdade, quando se sente a responsabilidade do erro, seja no momento ou mais tarde, há o insight, de perceber que há que haver uma mudança. Quer-se com isto dizer que ou a pessoa toma consciência que tem de mudar determinado comportamento, por exemplo, ou então as circunstâncias da vida “encarrega-se” de mostrar, muitas vezes, através de circunstâncias difíceis, que há que tomar-se outro caminho ou rumo, por si própria/o ou na relação com outras pessoas que auxiliam esse processo. Todavia importa referir outro aspeto invisível muitas vezes “aos olhos” na “atração” para critica, de outras pessoas. É na verdade porque se permite, é atribuído “poder” à outra pessoa para que das próximas vezes continue a fazê-lo, sobretudo quando já se percebe de antemão que o comentário será doloroso, mas que mesmo assim se insiste em perguntar. Isto acontece quando, por exemplo acontece determinada situação menos boa e depois, em situações de vulnerabilidade emocional se solicita opinião face a determinada situação “O que achas disto?” “O que pensarias?”, “O que farias no meu lugar?”. Quando questionado, a pessoas de boas intenções, tudo bem, mas no sentido inverso, a pessoas que não tem as melhores das intenções, em vez do apoio emocional que tanto se procura, a “opinião” pode devastar o coração. Existem algumas atitudes que permitem “decifrar” as reais intenções da critica. Em primeiro lugar, uma critica faz em privado e um elogio em publico. Se o/a elogiam só em privado e o/a criticam em publico constantemente, desconfie. Em segundo, boas intenções, expressam-se pelos comportamentos éticos, mais do que as palavras. Pessoas verdadeiramente éticas defendem em publico, não contribuem para ou não permitem na sua presença o “falar mal” de um colega, amigo, conhecido ou familiar, mas sim, “chamam a atenção” em particular. Não mostram uma posição de “toma de partido”, daquele/a que muitas vezes está a fazer a critica e depois manifesta outra “opinião” já em particular aquele/a que recebeu a critica. Em terceiro, se alguém percebe a fragilidade em determinado assunto, não instiga ou estimula ou “toma partido” do lado que não seria suposto apoiar. Caso assim seja, terá de repensar se efetivamente essa pessoa, se preocupa consigo de verdade. Em quarto e por último, a estrutura principal é a base de discernir entre uma critica “sem sentido” e um elogio sincero é o ter autoestima. Quando se tem uma boa autoestima não se é “marioneta”. As “marionetas” contam histórias, muitas vezes, imaginárias, que podem encantar ou desencantar, mas não contam o sentido de uma vida.

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