Correio do Minho

Braga,

Marcelo, o Príncipe do Povo

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Ideias

2017-03-12 às 06h00

Artur Coimbra

Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse há um ano e não pára de aparecer nas notícias em tudo o que é rádio, televisão, jornal. Pelo seu estilo descontraído e muito singular, pela sua assumida proximidade com o povo, pelos beijos que distribui, pelos abraços que prodigaliza, pelas palavras amigas, pelas situações inusitadas, pelos gestos e opções que nem parecem de um Presidente da República, pela falta de recato, pela frequente quebra do protocolo, pelas fotos, imensas, pelas selfies, aos milhões.

Pela sua forma de ser e de estar, que cativa a imensa maioria dos portugueses, mesmo os que há um ano não acreditaram na sua candidatura. Pela abissal diferença que cava em relação à postura de múmia e de afastamento inqualificável por parte do seu antecessor, Cavaco Silva, o Presidente da República que saiu de Belém com os mais baixos níveis de simpatia popular, porque tudo fez para não a merecer.

Por isso, por analogia com a popularidade quase exclusiva da Princesa Diana, há umas décadas, há já quem chame a Marcelo Rebelo de Sousa o “Príncipe do Povo”.
Os últimos 365 dias foram exacerbadamente mediáticos. Em apenas um ano, segundo números da consultora Cision divulgados a meio desta semana, houve 118.247 notícias com referências a Marcelo Rebelo de Sousa. Contas feitas, dá uma média de 13 por hora distribuídas pelos vários suportes noticiosos. Na televisão, na rádio, nos jornais ou na internet, não passou um único dia sem que o Presidente aparecesse nas notícias desde que chegou a Belém em 9 de Março de 2016, há precisamente um ano.

Poucos acreditavam em tamanho consenso em torno de Marcelo, embora a sua presença televisiva nos últimos anos tenha criado entre ele e os portugueses uma intimidade que o levou a praticamente nem necessitar de fazer campanha eleitoral para triunfar à primeira volta nas eleições presidenciais. Bastou-lhe abraçar, beijar, sorrir, em doses industriais, comer pastéis de Belém ou chouriças de Lamego. Havia quem defendesse há um ano que a sua candidatura presidencial tinha sido meticulosamente preparada na RTP e na TVI, nas suas “homilias dominicais”, em que foi debitando comentários políticos, dando notas à prestação dos governantes e passando títulos de livros que seguramente não lia.

A campanha foi um passeio e o seu mandato também está claramente a sê-lo. O Presidente da República congrega multidões à sua volta sempre que sai à rua, nunca se sabendo o que vai sair das suas atitudes em cada dia que passa, perante as pessoas que vão surgindo na sua frente. Nunca se viu um Supremo Magistrado da Nação com tanto à vontade, sem receio nem peneiras, no meio da multidão que lhe dá o ser.
É, na verdade, um Presidente que é quase um monarca, que tem na mão os seus súbditos, cujas emoções manobra a seu bel-prazer.

Estamos a falar de um Presidente invulgarmente activo, dinâmico, com agendas sobrecarregadas, que pouco come e pouco dorme. Por isso, tem tempo de sobra para um magistério presidencial vertiginoso, alucinante, estonteante, como nunca se viu em 100 anos de República. Mas é disso que o povo gosta e os indicadores de opinião dão bem a medida da popularidade do “Príncipe” Marcelo!...

Ao longo deste primeiro ano de mandato, Marcelo tem-se também evidenciado por uma cumplicidade e um apoio à acção do governo socialista de António Costa, de que poucos estariam à espera, tanto mais que está estribado desde o início numa solução constitucional de ruptura com a prática dos últimos 40 anos de democracia. Um governo de um partido de esquerda, apoiado parlamentarmente por outros partidos de esquerda e um Presidente da República da área da direita tinham tudo para não se entenderem.

Mas não. Como sublinhou e bem António Costa foi 'um ano exemplar de cooperação entre os órgãos de soberania', enaltecendo o contributo de Marcelo Rebelo de Sousa para o clima de paz social que se vive em Portugal. Não há dúvida que o Presidente da República tem contribuído fortemente para o clima desanuviado entre os órgãos de soberania, tendo segurado várias vezes o chapéu-de-chuva que foi abrigando o Governo das críticas violentas da oposição de direita. 

E esta é outra singularidade da nossa situação política no último ano. Enquanto Cavaco Silva fazia gala de alinhar politica e partidariamente com o governo do PSD/CDS, Marcelo age num quadro estratégico visando o interesse nacional. Por isso, apoia o governo quando entende e manda recados e críticas quando as coisas não lhe agradam. E assim é que está bem!...

É claro que quem não está a gostar mesmo nada da brincadeira é Passos Coelho e a direcção do PSD, que falam num país crispado e asfixiado. Para Marcelo, pelo contrário, não há qualquer crispação. “As pessoas estão com confiança, com boa disposição, com espírito positivo”, disse há dias. Para os que desvalorizam os resultados económicos, prefere olhar para o copo “meio cheio” e falar dos indicadores positivos. Afastando a perspectiva dos “milagres” de que fala, com evidente despeito, a economista Teodora Cardoso. Para os que queriam novas eleições, diz que o país precisa de estabilidade política e social. 

Recados claríssimos para Passos Coelho, cada vez mais radical, desesperado, sem vergonha, sem argumentos contra a razão dos factos. Há quem diga que Marcelo paga assim aquilo que Passos Coelho lhe fez quando, há dois anos, ao definir o perfil do candidato que o PSD apoiaria a Belém, excluiu quem se portasse como “um cata-vento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político“. Excluiu claramente Marcelo Rebelo de Sousa da corrida a Belém!...
Aí está a paga. A vingança vai-se servindo fria!...

Enfim, um Presidente da República que ajudou a devolver a esperança, a confiança, a tranquilidade, a segurança, aos portugueses, depois de quatro anos de esmagamento, de asfixia, de humilhação, de empobrecimento, de falência de pessoas e de empresas, de aumento inconcebível do desemprego, de uma política de direita que destruiu o país, triturando a classe média. Um execrável governo que se empenhava em ser forte com os fracos mas se demitia perante os fortes, como se comprova nos 10 000 milhões de euros que escaparam sem controlo para os offshores, enquanto cortava pensões, salários e prestações sociais, a quem já vivia miseravelmente.

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