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Manter a escola em regime presencial com sucesso exige ação de todos

Comunicação em Crises e Emergências

Manter a escola em regime presencial com sucesso exige ação de todos

Voz às Escolas

2020-11-12 às 06h00

Jones Maciel Jones Maciel

Depois de uma luta desmedida para promover as melhores condições de aprendizagem em contexto de ensino à distância, tal como aconteceu no terceiro período do ano transato, as escolas viram-se a braços com uma nova guerra, que também a pandemia da COVID-19 trouxe, agora no arranque do ano escolar.
A necessidade por todos sentida, quer em termos pedagógicos, quer em termos sociais e económicos, de assegurar que o novo ano letivo começava de forma presencial, concretizando também o estabelecido na Resolução do Conselho de Ministros 53-D/2020, publicada no DR de 20 de julho, levou as escolas a desenvolverem um trabalho hercúleo para encontrarem novas formas de organização de espaços, reestruturarem horários, estabelecerem circuitos de circulação nos edifícios escolares e nos recreios, redefinirem condições de prestação de serviços, desde as cantinas e bares até às papelarias e reprografias, passando pelas bibliotecas e pelos serviços administrativos, entre muitos outros, tudo isto como primeiros passos para reduzir a tensão presencial dos alunos e assegurar condições para que as atividades letivas pudessem decorrer em conformidade com as linhas orientadoras da DGS.
Depois foi a criação de apertados e cuidados planos de higienização de espaços e equipamentos, em muitos casos envolvendo a colaboração dos próprios docentes e alunos, dado que, apesar do enorme esforço que vem sendo feitos pelos/as assistentes operacionais, não há possibilidade de darem conta de todas as necessidades. A disponibilização de máscaras e de múltiplos pontos de higienização das mãos, foi mais um aspeto que funcionou também como pedra de toque na ação de sensibilização dos alunos para a necessidade de cumprimento das medidas de prevenção individuais.
A guerra está longe de terminar e, se todos temos noção de que o regime presencial é essencial para proporcionarmos uma aprendizagem profícua e de qualidade, é bom que todos, em particular os alunos, percebem também que o facto de andarem sempre com máscara (incluindo no transporte público), higienizarem periodicamente as suas mãos, evitarem trocar materiais com os colgas (entre os quais o telemóvel), manterem o distanciamento social, são cuidados simples mas determinantes para que as escolas não funcionem como locais de disseminação da COVID-19 e possam manter-se em funcionamento com todos em presença.
Mudando agora a linha desta reflexão para o núcleo de ação da escola, a promoção das aprendizagens, também ele foi ajustado, desde logo pela necessidade de promover a recuperação das aprendizagens não realizadas / consolidadas no ano letivo anterior, num plano de intervenção que não se limitou às primeiras semanas de aula, mas que está integrado na abordagem do currículo do novo ano de escolaridade, dando mais consistência a essa recuperação. Por outro lado, as escolas não esquecem que o trabalho interdisciplinar e as atividades de complemento e enriquecimento curricular, que saem da sala de aula e aprofundam o trabalho ali realizado, muitas vezes numa forma articulada entre diferentes disciplinas, são essenciais para o alargamento dos horizontes dos alunos e para ajudar a contribuir para a contextualização das aprendizagens trabalhadas nas aulas. Assim e apesar de não poderem ter a mesma ambição de anos anteriores, face aos constrangimentos a que é preciso estar atento, no âmbito dos Planos de Contingência estabelecidos, continuam a ser ainda imensas, diversificadas e muito ricas as propostas que integram os Planos Anuais de Atividades, em muitos casos em articulação com as autarquias, como acontece em Famalicão.
Aliás, diga-se que em Famalicão o papel de articulação e apoio da Câmara Municipal na definição, preparação e implementação de soluções, desde a organização de transportes, reforço de pessoal não docente, disponibilização e colocação de sinalética e barreiras de proteção, e articulação de projetos de promoção das aprendizagens, evidenciou-se, mais uma vez, como agente facilitador, ao lado das Direções, na construção das respostas necessárias para a implementação do novo ano letivo.
Por último, é preciso ainda destacar o esforço que as escolas estão a fazer para continuar a proporcionar, aos alunos que manifestam dificuldades de aprendizagem e / ou de integração, diferentes estratégias implementadas de forma presencial, ajustadas às suas caraterísticas específicas. Neste âmbito, refira-se mesmo que algumas escolas conseguiram, e em mais um esforço e em pleno mesmo de férias de agosto, dar resposta ao desafio lançado pelo Ministério da Educação, através da Estrutura de Missão do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), e preparar a apresentação de uma candidatura no âmbito de um "Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário", de modo a recrutar alguns técnicos com o intuito de desenvolver projetos que contribuíssem o desenvolvimento de condições de acesso ao currículo, nomeadamente de bem-estar emocional, autoconfiança, capacidade de relacionamento do aluno consigo próprio, com os outros e com a escola.
Como se percebe, o trabalho é imenso e cada um tem um papel importante para levar de vencida esta guerra, desde as estruturas de topo do Ministério da Educação em articulação com a DGS, os órgãos de gestão da escola, os seus parceiros, destacando-se, por certo, as autarquias, mas, depois, e agora em primeiro lugar, os atores do processo educativo, professores, alunos e famílias. Todos somos essenciais, para que tudo corra pelo melhor e para que possamos conduzir presencialmente os nossos alunos no desenvolvimento das suas competências, saberes e valores, para a alcançarem os resultados de qualidade que todos pretendem.

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