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Mania da perseguição

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Mania da perseguição

Escreve quem sabe

2019-05-05 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

É provavelmente umas das expressões mais conhecidas, o “Tens a mania da perseguição.”. Não obstante, este tipo de comportamento é, no mínimo, complexo. Quer-se com isto, dizer que depende da intensidade de determinados reflexos emocionais em sinais comportamentais, tais como: a pessoa sente que é alvo de observação sistemática por parte de alguém conhecido ou desconhecido, “Aquela pessoa está a olhar muito e já está a falar de mim.”; sente que é alvo de gozo ou riso, quando passa por determinado local, “Estão a rir-se de mim.”. Também acredita convictamente, pela sua natureza da personalidade muito desconfiada, que à sua volta o/a querem lesar, “ Tenho reparado que este meu colega está diferente comigo nos últimos tempos…certamente que me vai prejudicar.” ou “Muito provavelmente falaram-lhe, mal de mim e agora não me fala.”. A situação torna-se ainda mais grave quando a pessoa com a mania da perseguição interpreta erradamente, como se fosse, um técnico especialista em análise comportamental determinadas situações que surgem no dia-a-dia, “Não conheço aquela pessoa. Vejo-a de vista. Sei e sinto que não gosta de mim.” Posto isto, importa referir, que este tipo de comportamento é tão desgastante para quem sofre deste tipo de mania ou transtorno (em casos severos torna-se patologia mental), como para, aqueles que convivem com o/a mesmo/a. As pessoa com a mania da perseguição interiorizou que não pode errar porque sente, que é constantemente avaliada por terceiras pessoas, como se estes/as estivessem atentos/as a todos os detalhes e prespectivas da sua vida. Suponha que está a lanchar com um amigo que tem este problema, a mania da perseguição. Se esse amigo sujar a camisola, quase certo que irá escutar da parte dele, “Sujei a camisola, agora já vão pensar que ando sempre sujo, que não me cuido ou que não tomo banho.” Basicamente vai enfatizar a situação, na idealização do pior dos piores cenários, “que não toma banho”.

A pessoa com a mania da perseguição acredita que as pessoas falam “pelas costas” e nunca pela frente. Mas qual o sentido e natureza psicológica da mania da perseguição?! Num primeiro aspeto, a baixa autoestima. E a baixa autoestima vem da infância. Pais que são críticos e rígidos quanto a comportamentos socais (“Tens de te comportar, como se a criança tivesse de ser um pequeno “homenzinho”, onde tudo é reprovável e criticado.”) , e no que concerne a resultados escolares (A escola é a atividade que mais carga horaria diária ocupa na vida da criança, por esta razão, é que “Não sabes nada.”, “Nunca obténs excelentes nas notas”, “Nunca vais ser ninguém na vida”) tendem a desenvolver ansiedade e auto - critica. Faz com que estas crianças numa posterior fase desenvolvimental - adultos- tenham baixa tolerância à frustração, com culpa internas excessivas que depois são projetadas para outras pessoas. Quer se com isto dizer que, uma pessoa com mania da perseguição é tão exigente consigo própria, como com os outros. Por esta razão não se admire se na companhia da mesma , se ocasionalmente se rir alto, se for chamado à atenção “ Não te rias assim porque parece mal” ou “vês já está tudo a olhar para ti”.

Nem sempre a pessoa que tem a mania da perseguição reconhece que tem um problema. A sociedade entende que a mania da perseguição é algo que seja passageiro e não implica tratamento. Não… Este tipo de comportamento implica terapia psicológica que vai explorar a raiz e natureza do problema, num confronto intrapessoal com a própria pessoa “ Será que as minhas interpretações e comportamentos, tem razão de ser, ou é fruto do meu mau estar-emocional?”. A terapia vai sobretudo capacitar e valorizar todos as qualidades que a pessoa tem que a mente e o coração valorizam. Se conhece alguém com este tipo de problema, ajude, da mesma forma que gostaria que o/a ajudassem se estivesse preso/a neste “labirinto” emocional. Se porventura, este problema o/a afeta, cuide de si. Cuidar implica reconhecer e aceitar “Eu sou assim, e não quero.”. Com a ajuda necessária é possível sim, lutar contra os seus medos. Lembre-se ninguém é perfeito, mas podemos sempre amenizar as nossas batalhas internas.

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