Correio do Minho

Braga, terça-feira

Mais uma vez, um novo ano escolar

Combater a DPOC

Ideias

2018-09-21 às 06h00

Margarida Proença

Já qui escrevi diversas vezes, ao longo de muitos anos, que gosto dos inícios, mesmo quando são difíceis e vêm envolvidos em debates e queixas. Que faltam assistentes operacionais, que falta uma continuada renovação dos edifícios (tão criticado que foi o Parque Escolar e o esforço desenvolvido por Maria de Lurdes Rodrigues, então ministra da Educação …), que falta o rejuvenescimento da classe docente, que os salários são insuficientes, enfim por aí. A nossa imaginação e vontade de que tudo seja o melhor possível confronta-se normalmente com a constatação de que os recursos são – sempre – escassos , principalmente em fases do processo político onde se antevê que as reclamações mais audíveis podem ter sucesso.

Bom, mas o que importa agora é , mais uma vez, sublinhar a importância do processo educativo, para toda a sociedade, mas tambem em termos individuais. Numa cultura como a nossa, que ainda atribui um valor menor à educação, nunca é demais falar disto. Até porque a educação tem efeitos intergeracionais: variados estudos têm sublinhado que, em média, as capacidades cognitivas e não cognitivas dos estudantes dependem do nível educacional dos pais, e são transmitidos ao longo de gerações sucessivas. Enfim, as escolhas que os pais fazem ao longo da vida influenciam sempre os filhos nas mais variadas formas. Em linguagem económica, dir-se-ia que o investimento em educação numa geração, contribui para di- minuir os custos com a acumulação de capital humano no futuro. A complementaridade existe com o esforço e a dedicação individual. Neste contexto, o investimento em educação representa um vetor importantíssimo para o crescimento económico e para a mobilidade social, e por esta via é também um instrumento de redistribuição de rendimentos.

As ruas de Braga e Guimarães, como muitas outras cidades em Portugal, enchem-se por agora de inúmeros novos estudantes universitários, envolvidos nas famosas praxes tradicionais. Este ano estavam previstos cerca de 73 mil novos estudantes apenas no ensino superior público, quase 44 mil colocados já na 1ª fase do concurso. Ainda que muito marginalmente, o número de estudantes colocados, na primeira opção, em politécnicos no interior do país aumentou, o que é uma boa notícia. A Universidade do Minho recebeu já 2780 novos estudantes, mais do que no anterior ano letivo, para além de 531 novos estudantes estrangeiros. Outra notícia interessante este ano é que as formações mais tecnológicas registaram uma procura acrescida. Anos atrás, bem antes da corrida a medicina, o tradicional era a concentração nas áreas das Humanidades. O país vai mudando.
A melhoria na qualificação dos trabalhadores em Portugal nos últimos digamos 20 anos transmitiu-se numa melhoria do nível real dos salários; um estudo do Banco de Portugal sugere que o peso dessa explicação anda pelos 78%, o que é muito de facto. O retorno privado de obter uma formação de nível superior foi aumentando ao longo das décadas de 80 e 90 , ainda mais para as mulheres, vindo a manter-se relativamente estável desde então, embora, como seria de antever, tenha registado uma contração durante a crise de 2008-09, de acordo com um outro estudo também do Banco de Portugal. Mas será de esperar que este retorno privado do investimento em educação vá baixando, á medida que cada vez mais e mais pessoas tenham uma qualificação superior.

Outros fatores passarão a ser cada vez mais importantes – a escolha das escolas, área de estudo selecionada, a localização e características do emprego que se escolher, o reforço nas soft skills. Na semana passada, num qualquer colóquio numa televisão, alguém sublinhava a importância de um processo educativo que contribua não apenas para a aquisição de competências técnicas que permitam o desempenho de uma profissão específica, mas também para o reforço da capacidade individual para pensar responder positivamente a novos desafios, sejam quais forem. A par das tais soft skills de que hoje tanto se fala - ética, paciência, comunicação, flexibilidade, empatia, organização, coordenação, entre outras, que do ponto de vista cognitivo e sócio-emocional irão permitir ter sucesso em contexto de desafios e mudanças, mantendo e exigindo comportamentos responsáveis e exigentes.

Tantos e tantos anos depois, um dos dias que mais lembro foi o primeiro na Universidade, o futuro que chegava. Uma alegria e esperança aberta que revejo nas faces meio assustadas de tanto jovens. Para todos os alunos que iniciam por agora o seu percurso, e para todos os pais , professores e demais agentes envolvidos no processo – um bom ano. E obrigado. O país, nós todos , precisamos de vós.

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