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Braga, sexta-feira

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Mais um centro comercial E agora?

O futuro depois do COVID 19

Escreve quem sabe

2016-03-18 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Depois de avanços e recuos, eis que abriu portas um novo centro comercial em Braga. O falido “Dolce Vita” tenta ressurgir sob a pele “Nova Arcada”.
Propriedade da CGD, que literalmente ficou com “a criança nos braços”, esta instituição financeira procura agora recuperar o capital investido neste empreendimento aliando-se para o efeito a dois especialistas da distribuição: a Sonae Sierra, que se encarrega da comercialização e gestão do Shopping, e o IKEA, que aparece como o trunfo, talvez o único, para que o projeto possa aspirar a ser bem sucedido em termos de negócio.

São mais 68.000 m2 de área comercial, distribuídos por 109 lojas, que, segundo as projeções da Administração da CGD, poderão movimentar qualquer coisa como 120 milhões de euros por ano. Se dúvidas houvesse sobre o impacto económico da abertura de mais um grande centro comercial na região, face à brutalidade destes números poucas restarão. Este volume de negócios, ou o que venha a ser atingido, não tenhamos dúvidas, vai ser alcançado, numa enormíssima proporção, à custa da perda de negócio doutros operadores existentes. Os clientes e o dinheiro são recursos escassos e, infelizmente, nem com boa vontade esticam. Temos o número de habitantes que temos e o poder de compra que temos. Portanto, as vendas que vierem a ser registadas por este novo Centro Comercial irão ser realizadas à custa da perda de negócio doutros agentes. Não há como dourar a pílula. É a realidade dos factos.

É bom que criem novos postos de trabalho na região, claro que é, mas não pode, nem deve, ser sempre mais do mesmo. Braga dispõe de uma oferta comercial densa, qualificada e diversificada, concorrendo com cidades e polos comerciais muito próximos que têm registado evoluções assinaláveis nos últimos anos. Adicionar mais umas dezenas de milhares de m2 de área comercial a uma já exausta oferta existente, não nos torna mais competitivos, irá conduzir-nos sim a uma canibalização do mercado. A abertura de algumas lojas no novo centro comercial, por exemplo, foram feitas à custa da deslocalização de estabelecimentos de outras áreas, nomeadamente do centro da cidade, e não devido à criação de um novo ponto de venda.

A cidade e a região necessitam de promover uma aposta na diversificação do seu tecido económico, sob pena de não ser possível a coexistência, de forma equilibrada e sustentável, dos diversos formatos comerciais e conceitos de negócio.
O comércio independente de Braga é inovador, dinâmico, qualificado e distintivo, constituindo um património insubstituível na afirmação de Braga como terceira cidade do país. A abertura de mais um centro comercial vai ser um enorme desafio e vai provocar danos em muitos operadores, mas, estou convicto, que os empresários do comércio de Braga, mais uma vez, vão estar à altura do desafio. Vão adaptar-se a esta nova realidade competitiva, superando-se, reinventando o seu negócio, continuando a inovar e a surpreender os clientes com um traço distintivo que os diferencia dos grandes retalhistas - a proximidade.
Ao seu lado terão, como têm tido sempre, os melhores parceiros de todos: os Bracarenses.

Orgulhosos do seu tecido comercial, saberão, melhor do que ninguém, separar o trigo do joio:
- Preferindo um comércio autêntico e de grande proximidade disponível nas ruas de Braga, a um comércio frio, impessoal e formatado dos centros comerciais;
- Preferindo o ar livre, o sol, os jardins, as praças, os museus, os parques infantis e as esplanadas do comércio de rua, ao ambiente artificial, e sempre igual, dos centros comerciais;
- Preferindo a gastronomia dos excelentes restaurantes de Braga, ao fast food que predomina nas praças da (má) alimentação dos centros comerciais;
- Percebendo que ao comprar no comércio de rua de Braga, estão a contribuir para a riqueza da região em que vivem e à qual têm orgulho de pertencer.

Mas é preciso mais. É fundamental que se tomem medidas políticas municipais que favoreçam a sustentabilidade e competitividade do comércio independente, em domínios como a mobilidade, o licenciamento e ordenamento comercial, a regulação e fiscalização das atividades económicas, os níveis de impostos e taxas.

Há, porém, um domínio em que é absolutamente prioritário intervir: o custo do estacionamento. E a abertura de mais um centro comercial de grande dimensão na região que tenha, pelo menos, o mérito de assumir o papel de detonador da resolução do principal estrangulador da competitividade do comércio de Braga. Assim seja para que possamos dar continuidade ao legado que os Romanos nos deixaram e não se permita o enfraquecimento do comércio que verdadeiramente nos carateriza e distingue; garante a humanização da vida urbana; salvaguarda a segurança e o ambiente urbano; requalifica e preserva o património; e promove a qualidade de vida da nossa comunidade.

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