Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Lojas com história: desafios e oportunidades

O idioma que se fala em Portugal é o espanhol

Escreve quem sabe

2018-03-07 às 06h00

Hilário de Sousa

Anotícia de há alguns dias, relativa à apresentação do projeto Lojas com História, uma iniciativa do Município de Braga, criado com o objetivo de salvaguardar e dinamizar o comércio histórico e tradicional, não pode deixar de se considerar uma excelente medida, seja qual for o prisma de análise, ainda que se veja como particularmente relevante na ótica da oportunidade de reforço da identidade coletiva e do diálogo entre a contemporaneidade e a tradição, numa perspetiva de unidade na e com a cidade, a partir de espaços comerciais de referência, alguns dos quais seculares.
A consulta pública, para efeitos de reconhecimento e proteção de 46 estabelecimentos comerciais e entidades de interesse histórico-cultural ou social, decorre desde o passado dia 26 de fevereiro, pelo período de 20 dias. A lista integra lojas com uma longa história, verdadeiros ícones da cidade nos respetivos setores de atividade, destacando-se como a mais antiga as Frigideiras do Cantinho, fundada ainda no século XVIII (1796). A mobilização dos bracarenses para que, de forma representativa, se pronunciem sobre esta classificação, além de se afigurar um imperativo de cidadania, é uma homenagem a todos os que de forma devotada, de geração em geração, mantiveram o seu negócio, dedicando-se dessa forma a servir a comunidade bracarense.

O projeto Lojas com História decorre do estabelecido na Lei n.º 42/2017, de 14 de junho, que prevê a dinamização de ações decorrentes da aplicação de um regulamento de benefícios, incentivos e apoios de diversa natureza, sob a tutela das autarquias e com o apoio do governo. É neste ponto de vista que se considera este mais um ensejo para reforçar, com um outro alcance e impacto estratégicos, os valores matriciais distintivos de uma cidade bimilenária, olhando para a sua riqueza com uma outra abrangência, mais ampla e integradora, numa ótica de desenvolvimento turístico apoiado no seu património material e imaterial, na sua arquitetura, etnografia, gastronomia, certamente com impacto de milhões de euros na economia da região.
Afigura-se para tal imprescindível a criação de uma entidade impulsionadora do turismo em Braga e na região do Minho, uma estrutura de coordenação que assuma um papel catalisador e agregador de sinergias que possa apoiar o esforço individual dos vários agentes económicos, no caso específico a nível do comércio tradicional, porque a dinâmica mais pujante destes espaços, segundo alguns especialistas, vai depender muito de fatores associados ao turismo. É claro que não só! Ao mesmo tempo, é imperativo que estes projetos se reinventem e modernizem sucessivamente, tal como o fizeram até hoje, integrando inovação na tradição em todas as componentes do negócio, desde o conceito, estratégia, branding.

Numa outra dimensão, especificamente no que se refere a políticas urbanas e medidas de intervenção, tendo em conta o tecido comercial e a importância do tempo na cidade em que vivemos mantendo-se o enfoque na magnífica possibilidade que se configura a partir do reconhecimento antes aludido , deve ser acautelado o facto de o centro da cidade, enquanto espaço privilegiado no qual se situa a generalidade das lojas históricas, ter de atender a uma crescente pluralidade de comportamentos. Isto implica desde logo encontrar respostas para velocidades diferentes dos seus utilizadores, por exemplo visitantes com ritmos mais lentos (e.g. idosos e turistas), em momentos distintos do dia ou da noite.
Assim, se pequenas intervenções em pequenos espaços podem ter grandes efeitos, de igual forma a intervenção em cada espaço deve considerar as necessidades de coesão territorial, o que obriga a pensar a cidade atual no seu todo (micro, meso e macro), mais alargado e complexo do que no passado. E este é mais um (grande) desafio para os responsáveis pela gestão urbana.

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