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Literacia – um direito universal à educação e à aprendizagem ao longo da vida

A recuperação das aprendizagens

Literacia – um direito universal à educação e à aprendizagem ao longo da vida

Voz às Bibliotecas

2021-09-02 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Retomamos o nosso encontro com os leitores do Correio do Minho trazendo de volta à reflexão o tema das Literacias e Alfabetização, num mês em que se comemora esta temática a 8 de setembro.
Recordamos aqui alguns números. A taxa de analfabetos em Portugal (sem saber ler e escrever), segundo a Portada e os Censos de 2011, é de 5,2 % da população (1970 a taxa era de 25,7%) (www.pordata.pt). Nos anos 70, um em cada quatro portugueses não sabia ler (25%). Tornar adultos autónomos e competentes na escrita e leitura tem sido a grande aposta dos governantes nacionais (nos pós 25 de Abril 1974) e dos europeus. Hoje são menos de 5%, mas Portugal continua no cimo da tabela dos países europeus com maior taxa de analfabetismo. Há cerca de meio milhão de analfabetos em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), baseados no Censos de 2011. O segmento de público é na sua maioria idosa e vive sobretudo em zonas do interior. Este número não nos deve deixar descansados, devendo todos nós tomar parte do processo dinâmico de construção de saberes e experiências.
Citando a Infopédia, "literacia" é considerada a 1. capacidade de ler e escrever; alfabetismo; 2. capacidade de usar a leitura e a escrita como forma de adquirir conhecimentos, desenvolver as próprias potencialidades e participar ativamente na sociedade; 3. Figurado, competência numa determinada área."
Interessa-nos aqui fixar os pontos 2. e 3. desta definição, dado que às bibliotecas foi entregue também a responsabilidade de desenvolver práticas literácitas junto da comunidade em várias áreas funcionais.
Intensificaram-se nos últimos anos medidas de apoio governamental ao desenvolvimento de literacias digitais (ex. INCodeDe.2030 – iniciativa do governo dedicada ao reforço de competências digitais), de análise crítica de fontes de informação (literacia da informação), meios de comunicação (literacia dos media), a capacidade de usar, interpretar e aplicar o conhecimento científico (literacia científica). Muitas das competências têm sido trabalhadas nas escolas desde tenra idade, tendo as bibliotecas escolares e de leitura pública focado muitas das suas atividades no desenvolvimento de múltiplas capacidades do cidadão ao longo da vida, através de trabalhos escolares, oficinas, ações formativas de curta duração, palestras, entre outros.
Em 2021, a APEFA - Associação Portuguesa Educação e Formação de Adultos (https://apefa.org.pt/), em articulação com a Presidência da República, o Plano Nacional de Leitura 2027, e demais parceiros, desafiaram as bibliotecas públicas a desenvolverem ações formativas que ajudem a capacitar o cidadão adulto em várias áreas do saber, na iniciativa intitulada SMAL 2021 - Setembro Mês da Alfabetização e das Literacias: financeira, saúde, ciências, artes, informação, media, entre outros.
O mapa digital das entidades cooperantes encontra-se no site da Associação e lá poderá encontrar algumas das propostas da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e de outras congéneres.
As literacias englobam as capacidades de processamento de informação na vida quotidiana, garantindo aos cidadãos uma efetiva participação no mercado do trabalho, na sociedade e no exercício pleno da cidadania. A iliteracia funciona muitas vezes como fator de exclusão social.
Cabe assim também às bibliotecas, escolares e públicas, a responsabilidade de combater as desigualdades sociais com base na adoção de estratégias educativas e pedagógicas ajustadas que possibilitem a formação cidadãos mais críticos, reflexivos e participativos nas questões sociais, económicas e políticas. Por isso nas bibliotecas, cada cidadão poderá procurar ajuda na realização de ações do seu dia-a-dia como: aceder a serviços públicos, submeter o seu IRS, agendar uma consulta médica online, saber interpretar um mapa de transportes, aprender a fazer um curriculum vitae, aprender a criar uma conta de email, de Facebook, de Instagram, fazer bordados, costurar, entre outros.
As bibliotecas são por isso uma permanente porta aberta à inclusão das pessoas no saber e no fazer. Procure-as.

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