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Lições da greve dos camionistas

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Lições da greve dos camionistas

Ideias

2019-04-26 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

A greve dos camionistas de combustíveis deixou o país a beira de um ataque de nervos. Em pouco tempo as bombas de gasolina foram fechando por falta de combustível e o país esteve perto de parar.
Qual o balanço desta greve e quais as lições a tirar?
Em primeiro lugar, Portugal tem estruturas económicas extremamente frágeis e não existe um plano estratégico para lidar com um problema deste tipo. Tudo se improvisa. Ainda se faz política à moda antiga. Para quê tantos assessores? O que fazem de fato? O governo confia piamente no mercado, como se o mercado fosse ético e a oposição ataca o governo, mesmo, como é o caso, que se trata de um conflito laboral entre privados.
Será que a lei da greve continua a ser adequada como forma de resolver conflitos em atividades estratégicas da economia? Muita gente faz esta pergunta, embora se possa sentir incomodada.
O governo e as entidades patronais não levaram a sério a declaração de greve. Estavam habituados a sindicatos responsáveis, coordenados e controlados pelas centrais sindicais. Mas este sindicato fora criado há cinco meses, tinha apenas 600 associados e tinha por objetivo esta greve. Mas eram muitos os avisos do que poderia vir a acontecer como foi o caso dos sindicatos dos estivadores do porto de Setúbal, da greve dos enfermeiros e, de certo modo, com os professores do ensino secundário que ameaçam descontrolar o equilíbrio orçamental.
E o que pensar de algumas atividades, como a polícia, que têm 18 sindicatos, alguns dos quais com matriz semelhante ao dos camionistas…
Além disso, a Associação das Empresas Distribuidoras de Combustíveis é um autêntico cartel, para a qual tem chamado a atenção a Autoridade da Concorrência. Também esta associação pode paralisar o país, tanto mais que pode estar a ser esmifrada pelas empresas do setor energético que têm tido aumentos astronómicos de lucros.
Em conclusão, o poder do Estado foi-se; já não é o centro de decisão e da política. Foi o que fizeram as privatizações selvagens que a direita tanto enalteceu.
O papel do Estado está fundamentalmente em prevenir, ter uma estratégia para lidar com um mundo que já não segue as regras do jogo tradicional.

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