Correio do Minho

Braga,

Liberdades de um Agrupamento... com e sem neutralidades

Quando eramos anjos

Voz às Escolas

2019-04-24 às 06h00

Flora Monteiro

O clima que se vive neste Agrupamento é muito humanista, sendo os seus principais narradores os alunos, docentes e assistentes que nele “habitam” e que, mesmo depois de o ter abandonado, continuam a frequentar e visitar, a rever e a desvendar as recordações. Talvez por sabermos olhar para cada um e lidar com a “Pessoa” e a sua identidade e liberdade.
São frequentes os momentos culturais e de lazer que unem toda esta comunidade educativa, fazendo já parte do ethos e cultura desta organização a realização de alguns acontecimentos marcantes que vão contando a sua história: lançamentos de publicações que referi noutro artigo, o baile de finalistas do 12º ano que constitui um momento de troca de afetividades entre professores e alunos que vão antecipando a saudade da escola. De ano para ano é maior o número de pais que participa no evento, que se sente livre para o fazer.
Para os jovens funciona quase como um pequeno ensaio de vida, um ritual de passagem, onde experimentam diversas moratórias. As visitas de estudo, as entregas dos diplomas, os momentos de criação artística que envolvem a literatura, o teatro, a pintura, com a presença constante na escola de autores e de outras personalidades relevantes da contemporaneidade, sedimentam a nossa identidade e realçam os nossos espaços de liberdade.
Outros momentos mais íntimos, outros mimos e atenções são fundamentais para solidificar este clima e identidade da nossa comunidade. Diversos acontecimentos culturais que vão preenchendo as vivências dos alunos e dos restantes atores da escola, constituindo exemplos vivos e vividos de cidadania e liberdade: as colheitas de sangue que se fazem duas vezes no ano e que contam já com um número considerável de alunos e pais dadores e muitos elementos da comunidade, os clubes de investigação e outros acontecimentos que marcam a vida dos alunos, pais, professores, pessoal não docente e diversos elementos da comunidade local.
As missões de solidariedade no meio local e no meio mais global que já tenho referido. Os eventos desportivos, com enfoque especial para os diversos momentos de atividades e torneios específicos e sobretudo para o clube de desporto escolar que ocupa grande parte dos jovens do concelho são uma marca de união. Podemos nomear o voleibol, o boccia, a natação, como modalidades mais emblemáticas, que ocupam os nossos jovens desde os 9 aos 17 anos.
Tudo realizado em liberdade! Com neutralidade? Nem sempre…. Se somos e fazemos, não podemos ser neutros.
Até o relembrar tradições de cariz mais popular e cultural como um cortejo pascal ou a “queima do judas” aproxima a comunidade…. Liberdade, numa escola laica? Claro que sim! Faz parte da nossa liberdade ensinar tradições e costumes ainda tão enraizados na nossa comunidade.
Vivem-se também, bastantes momentos de reflexão que passam por discussões acaloradas, troca de opiniões com vista à apresentação de soluções para os mais diversos problemas, embora por vezes seja difícil passar do plano intencional à praxis concreta. Como também é extremamente penoso o momento atual de desmotivação, cansaço, saturação e sensação de uma classe que se vai sentindo desrespeitada dia-a-dia. Estas outras competências que as escolas devem ajudar a desenvolver passam pela formação da Pessoa Livre, pela transmissão dos valores da sociedade, mas de valores assumidos como os mais nobres, criando uma comunidade que “fala como uma voz moral”, em liberdade e com liberdade. A escola é uma organização que radica, obrigatoriamente, numa plataforma de respeito pela pessoa, pela sua dignidade, pelas suas diferenças que nos tornam todos tão iguais… e pode-se promover os sucessos escolares em todas as dimensões.
Também Azevedo partilha desta crença, quando nos diz que “A escola comprometida com a criação da consciência moral é aquela que transmite valores que têm contribuído decisivamente para a edificação do bem comum das comunidades em que vivemos, como são a justiça, a solidariedade, a tolerância, a paz, a liberdade, a responsabilidade”.
É um erro defender a neutralidade da escola como um dos grandes postulados da democracia. A escola não é, nem pode ser neutra “não há professores neutros, não há aulas neutras, não há espaços de aula neutros”. Um professor, um diretor de turma têm uma identidade, têm convicções e ninguém trabalha na neutralidade. E também não há diretores escolares neutros. Eu nunca serei neutra (em muitos assuntos)! Tenho a liberdade de poder defender as minhas atitudes e aquilo que acredito ser o melhor para o meu Agrupamento.
Muitas vezes o apregoar de neutralidades hipócritas a que assistimos na nossa sociedade e nas organizações escolares, escondem espíritos pouco reflexivos e pouco empenhados com o bem comum. A posição de neutralidade é sempre a mais fácil, conduzindo a consensos que escamoteiam alguns processos pouco empenhados de organização e criação de cargos e que facilitam a gestão burocrática e logística de qualquer organização, em que uma boa liderança é equivalente à verificação da conformidade com os normativos legais tomando as decisões baseadas unicamente nos “despachos”, para a “fazer funcionar”, negligenciando a necessidade e urgência de tomadas de posição mais ao nível do compromisso ético, do que legal, assumindo-se as consequências. Quando se é neutro também se é, muitas vezes, inimputável e ineficaz!
A educação para os valores mais nobres, permite que aconteça Liberdade todos os dias no AEAmares.

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