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Liberdade, liberdade

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Liberdade, liberdade

Escreve quem sabe

2020-04-28 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

No passado dia 25 de Abril, a liberdade portuguesa comemorou 46 anos de existência. Antes do seu “nascimento” Portugal era um país oprimido, onde todos eram obrigados a pensar da mesma forma e não havia espaço para questionar…

Mas houve um grupo que ansiou por ser diferente, por pensar livremente e que “quis saber quem sou, o que faço aqui?”. Unidos criaram o Movimento das Forças Armadas (MFA) que ousou sonhar com um país, onde “o povo é quem mais ordena…”. Um sonho arriscado foi o do MFA, que usou como senha uma música que, até então, era considerada ilegal, pois tinha sido censurada pelo regime ditatorial que a considerava comunista. Com este marco na história nacional, nomes como Melo Antunes e Otelo Saraiva de Carvalho, principais estrategas do 25 de Abril, Salgueiro Maia, Capitão do exército português e Ramalho Eanes, primeiro Presidente da República eleito democraticamente, entre muitos outros, jamais serão esquecidos, pois mudaram o rumo da história deste pequeno jardim à beira mar plantado.
Há ainda outro nome que merece especial destaque quando se fala na “Revolução dos Cravos”, falamos de Celeste Caeiro, que, por obra do acaso, juntamente com a bondade do seu coração, acabou por ir distribuindo cravos vermelhos pelos soldados com que se foi cruzando pelo caminho da revolução.

Hoje coexistem dois tipos de gerações, a que viveu o 25 de Abril e a que apenas o estuda nos livros de História. Será que esta última, tem verdadeira noção das conquistas da “Revolução dos Cravos”?
Ironicamente, este ano em que todos estamos “confinados” em casa, as redes sociais foram inundadas por fotografias ao som de “Grândola Vila Morena” como se houvesse uma maior valorização da Revolução de Abril. Como se todos exaltassem a liberdade que dizem agora não ter. É certo que nestes dias celebramos uma revolução, enquanto outra ocorre, mas a de hoje é certamente temporária e, apesar de nos tirar alguns movimentos, teremos sempre a liberdade de expressão e pensamento. Hoje a falta de “liberdade” é-nos imposta por um vírus e não por um grupo de ditadores. Apesar de grande parte da população ter de estar resguardada em casa, todos temos a liberdade de escolher os livros que vamos ler, das músicas que vamos ouvir, dos filmes que queremos ver e, acima de tudo, todos podemos escrever livremente expressando os nossos pensamentos e ideais.

É fundamental que hoje todos tenham essa consciência, o facto de travarmos forças uma grande pandemia fez-nos valorizar pequenas coisas que tínhamos dadas como adquiridas, em parte por fazerem parte do nosso quotidiano. Contudo, nunca podemos comparar o que vivemos hoje, com os tempos vividos antes da Revolução de Abril. Hoje vivemos uma falsa sensação de “opressão”, mas devemos aproveitar o momento que atravessamos para usufruir de mais momentos familiares, apreciar o abrandar da nossa vida, que muitas vezes não nos permite ter tempo para os nossos, e valorizar também aqueles que mais amamos, pois facilmente percebemos que o longe se fez perto.

Felizmente, perante a pandemia que estamos a atravessar, existem inúmeras “Celeste Caeiro” que transformam os seus cravos em bens essenciais e que os distribuem por todos nós, os soldados desta revolução. A onda solidária que cresceu ao mesmo tempo que o “caos” se instalou foi, na nossa opinião, magnífica e digna de uma grande congratulação. Por esse motivo, aproveitamos esta crónica para agradecer, publicamente, a todos aqueles que vestem a camisola solidária!
Por todos aqueles que lutam contra esta pandemia pedimos-lhe a si, caro leitor, que nesta revolução seja o nosso Salgueiro Maia, ficando em casa! Sem nos apercebermos, todos os dias comemoramos o 25 de Abril, porque todos os dias usufruímos da nossa liberdade, pois mesmo em casa somos livres!

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