Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Letra morta

Diplomas em tempo de 130.º aniversário

Ideias

2016-11-06 às 06h00

José Manuel Cruz

Oito nobilitados da Economia, entre três centenas e meia por defeito de peritos, denunciam as mentiras de Trump e incentivam a que nele não se vote. A título individual, ou sindicados, são os apelos a voto ou boicote de levar a peito. Todos, claro, nos EUA e em Portugal, pois entre nós também se gasta do fino, ou não tivéssemos conhecido um manifesto anti Passos, subscrito por sóbrios economistas. Aguardo por simpósio de anatomia comparada às contas de Costa e Centeno.
Coincide, a posição da fina-flor da Economia, com a divulgação de sondagem do Washington Post - o inquietante Trump gozaria de um ponto de vantagem. Pasmamos: como pode um homúnculo político bater-se taco-a-taco com experiente mulher de Estado? Como pode um desbocado roçar a vitória no pleito eleitoral americano?

Recordemos que a Clinton, tida como próxima de Wall Street, das grandes corporações, bateu dentro do seu partido um senador dito socialista, sénior louvado por inconformistas de largo espectro, esquerdistas - geracionais uns, outros de filosofia. E bateu o Sanders nas primárias, a Clinton, com passitos demagógicos, supostamente de meritório uso, se empregues por chegados, mas que espantam o mundo, como sumas da aberração, logo que estratagema de ruivo Copperfield.

Por falha educacional não degusto demagogias, não chego a escalonar umas como mais decentes do que outras. Os fiéis do Trump sabem que o homem aldraba e estão-se nas tintas: mentirá, como tantos, como ministro ou findo secretário-de-estado que terçam armas sobre a exoneração de aldraboso bi-licenciado. E seguem-no, pois, ainda assim, pelo discurso anti-sistema, pelas tiradas contra o establishement financeiro, por muito que ele seja estirpe da mesmíssima incubadora.

Militava, com Sanders, uma faixa dos americanos que agonia quando se lhes debita o primado da res financeira sobre a res social. Talvez Sanders fosse genuíno, exactamente quanto Trump seja um mistificador, mas o ultraje do absolutismo financeiro cala nas almas de uns e outros de jeito equivalente, com próxima aversão. E assim votarão Trump, franjas atarantadas de toscos, como acompanharia Sanders, por sua vez, uma juventude esclarecida e refinada.

Engrossa o séquito dos que miram de través a ordem económico-social do nosso mundo. Os mercados livres, briosa bandeira da decência ocidental ao tempo da guerra-fria e sinal da nossa incontestável supremacia, passeiam-se por agora com mantos de tirano insubjugável. Quais electrões erráticos, camadas de deserdados interrogam-se e partem ao encontro de vozes que exprimam esse descontentamento em plataformas eleitorais. Ao presente, a tropa de choque financeira americana cai sobre Trump, e, sem querer, talvez reforce as intenções de voto no testa ruça.

Em suma, dentro de dias conheceremos o desfecho. Trump é profeta de religião que não professo. Por mim, não acredito em palavra que o homem dê, mas não nos digam, por favor, que os mercados têm que ser mais felizes e bem servidos que o raso cidadão, que essa eu não engulo. Não nos digam, por favor, que um administrador bancário tem de embolsar quantias mirabolantes, para que desempenhe com qualidade superior, que os vencimentos, em boa verdade, nada têm a ver com a competência e eficiência do operador. Olha, perguntem aos falidos Patinhas quanto não recebiam eles…

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