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Braga, segunda-feira

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Leonardo, o administrador da maior empresa jornalística do Brasil

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Ideias

2019-10-27 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Nos últimos dois anos têm chegado a Portugal milhares de cidadãos brasileiros, que procuram no nosso país melhores condições de vida e, sobretudo, mais segurança.
Esses cidadãos têm fixado residência em vários locais do país, sendo Braga um dos destinos mais procurados. É bem visível a sua presença nas ruas, nas empresas, nas escolas e também nas atividades culturais que se vão realizando. Uma das razões da vinda destes cidadãos para Braga prende-se com as condições sociais, económicas e de tranquilidade que aqui existem, mas também com as sua raízes familiares minhotas , uma vez que foi do Minho que partiu o maior número de emigrantes portugueses para o Brasil, desde meados do século XIX.
Muitos desses emigrantes portugueses conseguiram obter extraordinárias fortunas, aplicando-as de seguida no desenvolvimento das suas terras, então muito debilitadas nas suas infra-estruturas.
Então, as localidades minhotas viviam em condições muito semelhantes à Idade Média, marcadas pela quase inexistência de condições de higiene, de salubridade e de segurança: o chão das casas era, na sua maioria, em terra batida (mesmo nas cozinhas) e as casas de banho estavam situadas no exterior; a luz era a proveniente das lareiras ou dos candeeiros a petróleo e o aquecimento resultava das fogueiras e das cortes dos animais; nos centros das principais localidades de então, como Braga, Guimarães ou Barcelos, a realidade era muito semelhante às zonas rurais; os transportes eram feitos pela tração animal; a socialização era efetuada nas casas, pois os centros urbanos eram pouco atrativos!
Foi neste contexto económico e social que muitos minhotos procuraram o Brasil, fazendo-o num ato de desespero por melhores condições de vida. Um desses exemplos foi o de Leonardo Caetano de Araújo, de Parada de Gatim - Vila Verde, freguesia onde nasceu a 11 de maio de 1818.
Oriundo de uma família numerosa (o pai teve filhos de pelo menos três mulheres) e de enorme humildade, Leonardo perdeu o seu pai quando tinha pouco mais de dois anos. Desamparado de apoio familiar e lutando pela sua sobrevivência, desde os primeiros anos de idade, Leonardo abandonou cedo Parada de Gatim e viajou para o Rio de Janeiro. Aí conseguiu, fruto do seu árduo trabalho, obter uma fabulosa fortuna, distribuindo-a, quer pelos pobres e pelas associações de solidariedade do Rio de Janeiro, quer pelas instituições da região do Minho, particularmente de Braga e Vila Verde.
Leonardo Caetano de Araújo foi um homem de enorme simplicidade e humildade, bem como um exemplo de dedicação e trabalho no Rio de Janeiro. Aí desenvolveu e liderou projetos de grande alcance social. Foi diretor do Banco Rural e Hipotecário do Brasil, foi sócio e também administrador da maior empresa jornalística da América do Sul, que era proprietária do célebre “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro.
A solidariedade para com os mais desfavorecidos levou-o a custear todo o funcionamento do Hospital da Real Sociedade da Beneficência Portuguesa, situado no Rio de Janeiro, durante as primeiras semanas de 1865.
Quando visitou Vila Verde e Braga, em julho de 1887, viajou do Rio de Janeiro para Lisboa no vapor “Trent”, tendo que ficar, tal como os outros passageiros, uns dias em “quarentena”, antes de desembarcar em Lisboa.
A 19 de julho de 1887 o “Commercio do Minho” referia que entre os passageiros desse vapor encontrava-se “um dos vultos mais salientes, um dos membros mais prestimosos e considerados da colonia portugueza no Brazil: - é o snr. Conselheiro Leonardo Caetano Araújo”.
Sempre que vinha a Vila Verde e a Braga, Leonardo Caetano de Araújo passeava com enorme modéstia e despreocupação, apesar de tudo o que fez por estas terras: “Este cavalheiro tem feito muito bem á sua terra natal, dotando-a com uma escola que elle creou e sustenta, e melhorando a egreja, que se acha completamente transformada com importantíssimas obras que á sua custa empreendeu e levou a fim”. (id)
Estas escolas, custeadas por Leonardo Caetano de Araújo, chegaram a ficar conhecidas pelas “Escolas Leonardo”, tal era o reconhecimento que os vilaverdenses tinham por este filho da terra.
Em Braga, Leonardo Caetano de Araújo custeou obras de remodelação em várias instituições sociais, nomeadamente no Colégio dos Órfãos de S. Caetano, no Colégio da Regeneração e ainda Santuário do Bom Jesus do Monte.
O conselheiro Leonardo Caetano de Araújo constitui um exemplo como homem, pois a sua “vida parece-nos um incremento para os fracos, uma lição para os inexperientes, uma apologia do trabalho, um vivo exemplo de quanto póde a vontade quando a empregamos na luta do bem e do útil”. (id)
É extraordinária esta ligação dos minhotos ao Brasil e dos brasileiros ao Minho, estando Braga no epicentro desta ligação.

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