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Leituras para a liberdade

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Leituras para a liberdade

Voz às Bibliotecas

2021-04-29 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

O mês de Abril é o mês da liberdade. Da liberdade e de todas as liberdades surgidas no pós-Revolução de 25 de Abril de 1974. Por isso, “Liberdade” é o tema da 12.ª edição dos “Contornos da Palavra”, iniciativa que o Município de Viana do Castelo, através da Biblioteca Municipal, promoveu de 17 a 23 de Abril, à semelhança do que acontece desde 2010, agora essencialmente em formato digital devido aos condicionalismos provocados pela pandemia que estamos a viver.
Nesta iniciativa cultural, o Município de Viana do Castelo com a colaboração da Rede de Bibliotecas Escolares, do Centro de Formação Contínua de Professores, dos directores de Agrupamentos e dos professores coordenadores das Bibliotecas Escolares tem procurado proporcionar à comunidade vianense uma oferta educativa a partir de actividades culturais e formativas que possam contribuir para o enriquecimento pessoal e profissional de alunos, professores e comunidade em geral.
“Contornos da Palavra” acontece durante uma semana e teve início, em formato digital, com um Encontro de Bibliotecas Escolares e, com ele, um conjunto de reflexões abertas também à comunidade sobre “Leituras para a Liberdade”, integradas numa acção de formação acreditada pelo Centro de Formação Contínua de Viana do Castelo. O programa previa ainda diversas sessões relacionadas com o tema escolhido, “Leituras para a Liberdade”, com a participação de importantes nomes da literatura e da escrita.
Para a comunidade escolar, do pré-escolar ao ensino secundário, das escolas públicas e privadas do concelho, realizou-se um conjunto de sessões que contemplou a presença de escritores, ilustradores, animadores da leitura e grupos de teatro, que, de forma presencial ou digital, levaram à escola, em contexto de Semana da Leitura, uma outra oferta que pretendeu enriquecer os currículos dos diversos níveis de ensino, estimulando o gosto pela aprendizagem e contribuindo para a formação de mais e melhores leitores ao promoverem o livro e a leitura.
Ainda no âmbito do tema “Liberdade” associado ao mês de Abril, a Biblioteca Municipal apresentou uma pequena mostra de “Livros Portugueses Proibidos no Regime Fascista (1933-1974)”. E isto porque, convém lembrar sobretudo aos mais novos que a Constituição Política da República de 1933 faz nascer um regime político designado de Estado Novo, substituindo assim a de 1911 que, na verdade, não era aplicada desde o golpe militar de 1926. Este regime político, o Estado Novo, foi um período durante o qual as liberdades intelectuais e coletivas foram limitadas à semelhança do que aconteceu noutros regimes totalitários e fascistas, e só acabou deposto pela Revolução de 25 de Abril de 1974. Em Portugal foi o decreto n.º 22:469, de 11 de abril de 1933, que veio instituir a censura prévia aos livros e, consequentemente, condicionar o acesso à leitura e à cultura.
O regime fascista português foi um “regime anti-cultura”. Como sabemos, a proibição, apreensão e destruição dos livros, são práticas características de um regime político de opressão e de perseguição. Nenhuma criação, desde a Poesia, o Ensaio, a Arte, a Ficção, a Filosofia e a Ciência foi poupada à censura que excluiu da leitura cerca de 900 títulos editados em Portugal. A lista de livros portugueses proibidos pelo regime fascista é vasta. Nesta exposição, são apresentados como exemplo alguns dos livros censurados que se podem encontrar na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo. Miguel Torga, Bernardo Santareno, Natália Correia, Manuel da Fonseca, Vergílio Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues, Mário Soares, Fernando Namora, Álvaro Cunhal, Soeiro Pereira Gomes, Manuel Alegre, José Régio, Luís Sttau Monteiro, José Cardoso Pires, Aquilino Ribeiro, Fernando Pessoa, Alves Redol, Maria Teresa Horta, Ary dos Santos, Tomás da Fonseca, são alguns dos muitos escitores portugueses censurados pelo Estado Novo. Por isso, neste mês de Abril, onde a palavra LIBERDADE se impõe, é bom recordar os autores e até lembrar a leitura de livros que não se podiam ler durante a vigência do Estado Novo.

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