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Leitores e livreiros

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Leitores e livreiros

Ideias Políticas

2020-06-09 às 06h00

Rita Barros Rita Barros

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros anunciou a realização da 90ª edição da Feira do Livro de Lisboa: “apesar da situação atípica que se vive, a organização da Feira (...) irá colocar em marcha todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos participantes e visitantes", em coordenação com a Câmara Municipal de Lisboa. Em declarações à agência LUSA, acrescenta: "A Feira é uma oportunidade de atividade que não se pode perder, não só do ponto de vista das vendas, como de apresentação de livros, autores, novos títulos e projetos editoriais".

A Câmara Municipal do Porto anunciou que a Feira do Livro do Porto “estará de regresso (...) entre os dias 28/08 e 13/09, com espaço condicionado às condições sanitárias exigidas no contexto da COVID-19.”
Já a Câmara Municipal de Braga escolhe outra via: declarou que a Feira do Livro deste ano será “integralmente em ambiente digital“. A vereadora da Cultura, Lídia Dias, explica que "seria muito difícil garantir as regras relativas à concentração de expositores e visitantes nas ruas, bem como o necessário distanciamento físico e a higienização regular dos espaços expositores e dos livros consultados".
Desde logo, parece-me que a questão da higiene seria fácil de resolver - estou certa de que os congéneres do executivo bracarense das cidades grandes teriam todo o gosto em partilhar dicas sobre como garantir eventos com segurança e higiene.

Ou, mais fácil ainda, poderiam simplesmente aplicar as medidas de higiene que irão ser pedidas aos comerciantes licenciados para venda de rua durante os festejos do São João. Refere-se a mesma vereadora, a propósito do programa de apoio à criação e fruição artísticas “ACTUM”, no site da CMB: “esta iniciativa é um sinal que o Município de Braga “pretende oferecer aos agentes culturais” relativamente à “prioridade” que a Cultura deve ocupar na acção municipal enquadrando a acção na Estratégia da Braga Cultura 2030”.
Fica claro porque é que “prioridade” foi apresentado entre aspas.

De uma Feira do Livro espera-se poder ter acesso a um grande número de livros, poder tocar e ver livros, descobrir edições novas, reencontrar livros lidos, conversar com editores e alfarrabistas sobre livros que se procuram, promovê-los junto dos mais novos, ter a oportunidade de contactar com autores e artistas, usufruir de espectáculos e exposições, partilhar a Feira com família e amigos.
Todas estes momentos são difíceis ou impossíveis de se reproduzir numa venda online, individual, silenciosa, orientada por algoritmos com o exclusivo objectivo de aumentar o valor da venda.
Por muito que se promova eventos online, estes são substituirão leituras, debates, tertúlias, conversas ou encontros ao vivo.
E, claro, quem não faz compras online será afastado desta “Feira” por completo.

Por outro lado, os livreiros não verão nesta uma solução para escapar à crise. Em visita ao site da plataforma escolhida pela CMB para a venda de livros nesta edição digital, pode ler-se que “normalmente os pagamentos são efectuados até 45 dias após venda“.
Ou seja, para além de todas as limitações que a venda online oferece, existirá um hiato mínimo de 1 mês e meio até os livreiros receberem o resultado das suas vendas, após um já longo período com facturação reduzida ou inexistente.
Imagino que a isto se somem comissões a serem cobradas aos livreiros, reduzindo a pequena margem de lucro dos livros vendidos em Feira. E ainda o facto de os portes de envio (10,00€/kg, de acordo com a plataforma) ir obviamente afastar compradores. Ainda se estará a tempo de repensar esta decisão, a bem dos livreiros, dos leitores, do Livro e da Cultura.

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