Correio do Minho

Braga, sábado

“ya” sou adolescente

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2013-11-03 às 06h00

Joana Silva

A adolescência é um estádio de desenvolvimento complexo. Ocorrem transformações físicas e emocionais. Nesta fase, o grupo de pares (valorização da rede de amigos) torna-se o foco de atenção. Há quem afirme que, desenvolve-se uma certa fusão de valores, hábitos e costumes, isto é, a adopção dos mesmos gostos (vestuário, preferências musicais, hábitos alimentares etc.), e até na forma como comunicam entre si. Nem sempre os pais encaram positivamente estas mudanças , ou porque não estão preparados emocionalmente, ou porque simplesmente preferem “negar” o crescimento ou desenvolvimento dos filhos, e até há pais que tendem a fundir-se nos melhores amigos dos filhos. Clarificando, diz-se que não estão emocionalmente preparados, ou desenvolvem um mecanismo chamado de negação, quando tem dificuldade em reconhecer que o filho já tem poder de autonomia. De destacar que, esta situação ocorre sobretudo em pais que focaram exclusivamente a sua vida quotidiana no acto de “viver para os filhos” (expressão popular). Por outro lado, existem pais que no sentido de compreenderem e interiozar a forma de viver dos filhos acabam por adoptar posturas semelhantes a um adolescente sub relegando o papel parental. Por tudo o quanto referido anteriormente permite concluir que “descodificar” um adolescente não é fácil nomeadamente a linguagem. Esta não é exclusiva do próprio filho mas sim de um grande grupo, sendo que, com as dificuldades de percepção e entendimento das palavras, quase que se pode dizer que os pais necessitam de “um dicionário”. Actualmente presenciamos novas modas linguísticas intrinsecamente enraizadas nas várias áreas do quotidiano, nomeadamente, a nível familiar, profissional e lazer. É de referir que muitas das expressões ou palavras que serão seguidamente apresentadas, desenvolveram-se em redes socias ou na esfera interpessoal ( convívio escolar, saídas etc.) Entre muitas novas expressões ou palavras destacam-se as seguintes: “Lol” ( que significa estar a rir), “bué” ( que traduz muito), “Curti milhões” ( no sentido em que gostei muito), uma beca ( figura um estado de espera, um bocado), “cota” (é usualmente utilizada para designar alguém mais velho, mas não no aspecto de idoso ) “Oh my God” ( traduz um estado de espanto face a algo) , “mano ou primo” ( é atribuído a algum amigo próximo), “Baril” ( no sentido em que é porreiro, fixe), “nerd” ( designa o betinho), “ya” ( uma exclamação usada para o sim), “pah” ( traduz o chamar de alguém que não pelo nome próprio) entre outras tantas palavras. Neste contexto, é relevante afirmar que existe uma evolução no sentido em que certas terminações desaparecem e naturalmente vão surgindo outras. Normalmente estas expressões linguísticas saem do universo da adolescência atravessando outras gerações. Desta forma não é totalmente inconcebível , que por exemplo, na ida a um evento social se porventura se deparar com um grupo de adolescentes que estejam a pronunciar palavras as quais não percebe o significado , não está perante uma “ nova língua” mas sim a observar uma forma característica de linguagem de uma determinada geração. Esta nova forma de linguagem “veio para ficar” e como tal, os pais dever fazer um esforço por entender e procurar o seu significado mesmo que seja junto dos filhos. A evitar correções do tipo “ fala direito”, lembre-se, essa é a língua deles. Recorde-se por ultimo que certamente em outros tempos já utilizou palavras que hoje em dia não estão tão presentes mas que foram características da sua geração tais como “que traço” ( designando o, “que bonito”), “ganda a cena” ( significa, “que espetáculo”), “oh meu” ( o acto de chamar por alguém) , “parlapier” (no sentido falar muito e de pouco sentido).

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