Correio do Minho

Braga, quarta-feira

“Um início de ano atribulado”

Portugueses reciclam cada vez menos? Não, na área da Braval reciclam cada vez mais!

Voz às Escolas

2014-10-13 às 06h00

João Andrade

Na passada semana foram dadas indicações públicas de que, finalmente, a colocação de docentes, incluindo os em falta desde o início do ano letivo, seria regularizada. Efetivamente, neste momento, podemos verificar que na plataforma eletrónica destinada à colocação de docentes todos os horários solicitados pelo agrupamento se encontram preenchidos, embora muitos deles ainda aguardem eventual aceitação pelos candidatos.

Assim, é expectável que na próxima semana, um mês depois do início das aulas, a “normalidade” possa começar a retornar à escola. Mas este atraso de um mês terá, certamente, consequências profundas para os alunos afetados, se medidas excecionais de reposição do tempo e trabalho perdidos não forem implementadas. Se tais medidas, já indiciadas por parte da tutela, não se revelarem suficientes, será, necessariamente, o extremo profissionalismo e sentido de responsabilidade dos docentes do agrupamento a garantir, para além do limite, essa recuperação.

Este arranque de ano atribulado não tem constituído o melhor cartão-de-visita da escola pública, particularmente numa altura em que muitas famílias, quer pelo patamar de qualidade pela mesma alcançado, quer pela difícil conjuntura económica ainda vigente, por ela optam.
Que desta situação se tirem as ilações possíveis para anos futuros, começando pela de que, aos primeiros sinais de anormalidade, é necessária ação imediata. Em gestão refere-se frequentemente que uma decisão menos ótima atempada é muitas vezes menos gravosa que uma aparentemente ótima decisão, mas a destempo.

O exemplo habitualmente referido é que se a um condutor aparece, subitamente, um rochedo no caminho, será difícil saber se se a melhor opção é o desvio pela esquerda ou pela direita, mas uma certeza existe: demorar a decidir e manter-se em frente é garantia de desastre certo. Outra ilação a tomar é a de que a excessiva dependência de plataformas e aplicações informáticas, no apoio à gestão central, obriga a um extremo cuidado na conciliação das mesmas com o enquadramento legal vigente. Senão, corre-se o risco de que as mesmas acabem por se sobrepor à letra da lei ou ao seu espírito, o que manifestamente não pode acontecer.

As perguntas colocadas pelas mesmas e as respostas a prestar não podem, em caso algum, aparecer como ambíguas face à realidade a informar ou à lei que a enquadra. A excessiva dependência de um sistema destas plataformas pode conduzir, ainda, a um cercear da liberdade de todos os atores desse sistema, limitados na sua ação, não à sua vontade, mas às limitações das mesmas. Isto é válido quer para quem tutela, quer para os tutelados.

Como última nota uma preocupação, extra contexto exposto, que esperamos completamente infundada. As recentes notícias, divulgando a existência de casos de ébola bem perto do nosso país, poderão obrigar à tal necessidade da tomada de decisões atempadas e o mais pertinentes possíveis, por parte dos diversos níveis de poder. A nível dos organismos internacionais, dado os primeiros casos se reportarem já a dezembro de 2013, a referida ação atempada - à data possivelmente cirúrgica - parece não ter existido.

Os atuais agrupamentos educativos, como mega-organizações à volta das quais confluem, diariamente, largos milhares de pessoas, entre alunos, professores e família direta, pelo risco de disseminação de contágio, terão de estar, obrigatoriamente, numa primeira linha de intervenção e de ação preventiva. Esta é uma realidade para a qual todos, serenamente, deveremos estar atentos.

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