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“Os Socratíadas”

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Ideias

2015-03-13 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Todos conhecem “Os Lusíadas” como a obra prima de Luís Vaz de Camões, um poema épico-dramático da história de um povo na sua aventura marítima de descobrir novos mundos, em que é mister destacar a passagem do Cabo das Tormentas, a figura do Adamastor, as venturas e desventuras de uma viagem para a Índia e a ilha dos Amores, sem esquecer, com é óbvio, as figuras do Infante D. Henrique, de Vasco da Gama, dos Velhos do Restelo e algumas outras. Uma epopeia de afamados e venturosos tempos a rever e a recordar designadamente quando os tempos agora são outros e envolvem a dramática situação de um povo confrontado com outras “epopeias”, certas “viagens” e algumas realidades que, pelas penas e palavras de outros Camões e quejandos, de igual modo vêm constituindo e assumindo-se como um outro e real “poema” trágico-cómico, este agora sobre a grande “viagem” e “tragédia” de um ex-primeiro ministro no seu “épico” trajecto desde Vilar da Maçada à cadeia de Évora.
E a grande verdade é que, porque lhes vêm minguando a arte, o estro e o engenho para tão “ingente” e árdua tarefa, têm sido bem denodados os esforços desenvolvidos por tais “poetas”, “nautas”, “pajens” e “lacaios” para todo um conveniente desfraldar das “velas” e evitar o naufrágio de uma “caravela” que assoma e “navega” cada vez mais enrodilhada e envolta pelas “brumas” da mentira, suspeitas, intrigas, despeito, especulação, esconsos interesses e insólitos e inexplicáveis modos de vida e ... “arte” das pessoas da política. Aliás a passagem do “cabo das Tormentas” do DCIAP ainda está bem longe de ser conseguida e não se apresenta nada fácil, por mais que proliferem e pairem estranhas “aves” num esvoaçar de turbulência e num “piar” de desesperado desatino, de mãos dadas com múltiplas, venenosas e torpes “rajadas” de vento “bolçando” injúrias e calúnias em desespero de causa. Mas se é frequente dizer-se que a fé move montanhas, como ensina a religião católica, a grande verdade é que a fé de certos e determinados crentes, poetas ou não, porque em si mesma infirmada, titubeante e nada séria, de modo nenhum consegue convencer e demonstrar a realidade de uma inocência, o destempero duma justiça ou uma conveniente “coloração política” do caso, assim “explicando”, “gizando” e “enformando” uma verdade que se possa perfilar como incontornável, real, sustentável e insuspeita. Uma verdade que até se vocifera existir, note-se, mas que todo um enredado de escutas, factos, situações, realidades de vida e concretos comportamentos de todo em todo, e de um modo insofismável, afasta e mesmo repudia, apontando em sentido contrário, aliás no seu seguimento natural e normal e numa lógica concatenação, desenvolvimento e interpretação de um todo.
Na verdade ainda ninguém nos convenceu de que tudo se explique em parâmetros e num mero quadro de amizade e de lisura de processos,sobretudo quando tal amizade, assente e “engrossada” por uns “simples” milhões de euros em esconsas “viagens” de um lado para outro, se procura “colorir” de desinteressada e tão só envolver um insólito e estranho “desprendimento” franciscano. E se a tudo isto se vêm associando especiais e programadas visitas, excursões organizadas e espúrios “actos de fé” de figuras e figurões conhecidos pelos seus ideiais e paixões políticas, forçoso é concluir-se, não obstante todo um palanfrório de dislates, de protestos de inocência, de insólitas e inesperadas “bravatas” e disparates jurídicos, que este “poema” trágico-cómico tem mesmo “pernas para andar”, assomando-se e assumindo-se como uma verdadeira epopeia, a de “Os Socratíadas”, a emparelhar e a “competir” com a de “Os Lusíadas.
Até porquanto continuam presentes e a botar faladura “velhos do Restelo”, não minguando também o número das “figuras” e “figurões“ que o acompanharam e ainda o seguem num quadro de fidelidade canina, de “camaradismo” político e de “pessoal reconhecimento” pelos dons recebidos, sendo um facto que a própria cadeia de Évora já se pode considerar como uma outra e muito especial “Ilha dos Amores”, pese embora toda a sua maior semelhança com as “romarias” a São Bentinho ou à santinha de Balazar, para cumprir promessas. Tudo arregimentado, refira-se, e com o silencioso beneplácito do “Rei de Calecute” e de outros “marajás das Índias” e quejandos, ainda que não se perceba nem se compreenda lá muito bem como é que tal “tragédia” acabou por acontecer, e com “um homem honrado” (disse-o a Maria Barroso), se o próprio Camões (não o Luís mas o outro) já o havia avisado de que andava a ser investigado. E tratava-se de um “aviso” de um amigo de longa data, aliás director da única agência de comunicação portuguesa, a Lusa, para onde havia até sido por si nomeado. Como outros, diga-se, de certo também amigos de longa data como o Director Geral dos Serviços Prisionais, sob a égide dos quais se encontra hoje em Évora, mas isto é mais um dos “cantos” do “poema épico” e da “estória” trágico-cómica que evola do seu “governo” em que intentou ter sempre a jeito e à mão os media, purificando-os ou “forçando” a tal quando o incomodavam ou não eram convenientes ( vide caso da Moura Guedes), não nos surpreendendo de modo nenhum que entretanto já viesse preparando caminho para um regresso em força à política, com novas ideias e altos desígnios. Como? Colocando nos lugares certos pessoas e amigos de confiança e com uma “fé” capaz de “mover a montanha”, e poder depois encetar uma outra governação e outra política.
Aliás é assim que tem vindo a suceder ao longo dos anos e nem é de se estranhar, sendo tão só espantosa e inesperada a reacção do Camões (o outro, claro!) no seu próprio e pessoal “poema épico-dramático” e de “luta” intentando explicar o inexplicável e “meter ao barulho” a PGR, sendo certo que não é possível distanciar e dissociar tal reacção das “notícias” vindas a público sobre intervenções da ERC e figuras como Aarons de Carvalho e do advogado Proença, que chegou a desejar ser PGR ( a certa alturade constou isso nos media). O que, diga-se a propósito, agora até daria um certo jeito à semelhança do ocorrido no tempo do P.Monteiro, pelas suas ligações profissionais ou outras a Sócrates.
Claro que tudo isto é uma vergonha mas já não é de espantar num país a viver uma democracia especial e de mentira pois só é tido como democrático e defensável o que vem ao encontro dos interesses de certos personagens e “lobies”, sem esquecer a banca, é claro!
E se o Soares diz que Cavaco é um salazarista e não faltam figuras e figurões que, indo à “ilha dos Amores”, a Évora, prestam tributo à honestidade, seriedade e inocência do preso n.º 44, quem somos nós para os contradizer?!
Aliás, sendo incontornável que toda a pessoa tem o direito (democrático, para ser mais sonante!) de acreditar no que quiser, de ser poeta na sua terra e de subscrever um “poema” que relate e consagre a dramática “epopeia”, triste ou eventualmente cómica, de um ex-primeiro ministro se encontrar actualmente detido, não é de se estranhar que assim se dê forma e corpo a um “Os Socratíadas” de homenagem, de louvor e de glória às façanhas de um determinado “navegador político” e seus “tripulantes”, “nautas” e “amigos”, e não seremos nós quem se oporá a tal, por mais “cantos” em que desenrole esse “poema”. Aliás já estamos meio enjoados nesta “caravela” em que desde há anos vimos embarcados, uma “caravela” tripulada por uns desmiolados partidocratas em que não há cabrestante, amarra, cabo ou âncora que a domine, dirija e segure no revolto e tempestuoso oceano das altas ondas e mesmo vagas da mentira, compadrio, amiguismo e compromissos, levando-a a arrostar e a vencer os ventos e temporais dos interesses pessoais e partidários, das ânsias do poder, das ganâncias do dinheiro e das alapadas corrupções e depotismo. Evitando-se assim que as reais verdades e as verdadeiras realidades acabem por se “afogar” engolidas e “estranguladas” entre os recifes, alguns submersos, de certos “lobies” e outras “forças”, como as da maçonaria e da “opus dei”.

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