Correio do Minho

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“Governo obriga Universidade do Minho a desligar o aquecimento”

A serenidade dos nossos lugares sagrados

Ideias Políticas

2012-10-30 às 06h00

Carlos Almeida

O“Governo fecha cursos pós-laborais na Universidade do Minho”, ou ainda, “Governo ordena o encerramento de serviços na Universidade do Minho”. Não foram estes os títulos das peças que deram eco às declarações do Reitor da UM proferidas na passada semana.

Caso algum destes tivesse sido escolhido, e muito embora pudesse haver quem dissesse que não era rigoroso, o que teria um fundo de verdade jornalística, não posso deixar de sublinhar que, apesar disso, seria um título bem mais esclarecedor. Note-se que na utilização de qualquer um destes títulos não só se daria conta do facto principal, como, de forma directa e sem rodeios, se apontaria o responsável pelo facto, o que seria, de todo, conveniente.

As declarações do Reitor da Universidade do Minho, no contexto da anunciada redução em 9,2% na transferência do Estado para Instituição de que é responsável, vieram pôr a descoberto as drásticas consequências da política de cortes cegos no serviço público, mas não só. Vieram também evidenciar o desinvestimento dos governos dos últimos anos no Ensino Superior Público e a notória perda de qualidade de ensino a ele associada.

Imagine-se em que situação estará a Universidade do Minho (e outras universidades) quando já não há alternativas de contenção de custos, tanto que, para garantir o seu funcionamento no próximo ano, já só resta cortar em serviços essenciais. Quanto já teve a Universidade do Minho que cortar na sua despesa nos anos anteriores? Quanto é que isso tem afectado a produção científica numa academia reconhecidamente de excelência? O que têm representado esses cortes nos centros de estudos e de investigação da universidade? Quanto tem pesado isso no orçamento das famílias, que vêem as propinas aumentar de ano para ano? Que significado têm os cortes para os trabalhadores, docentes e funcionários?

Na passada semana, depois de ler as declarações do Reitor da UM, ficou para mim mais visível a profundidade do golpe que PSD e CDS, no governo, se preparam para dar no Ensino Superior com a proposta de Orçamento do Estado para 2013. Depois de anos sucessivos de subfinanciamento das universidades, cortes consecutivos na formação e investigação, este orçamento representa a estocada final num sector que se devia querer estratégico para o desenvolvimento económico e social do país.

Pode haver quem pense que as políticas de agressão ao povo perpetradas pelo Governo PSD/CDS se resumem (“apenas”) às medidas mais mediáticas. Aquelas que passam nas televisões e que rendem habitualmente grandes parangonas nos jornais, normalmente com o objectivo de, em função de pequenos ajustes, o próprio Governo vir a recuar nesta ou nquela medida, como foi o caso da TSU ou do recente anúncio de corte de 10% na prestação mais baixa do subsídio de desemprego.

É bem evidente que não pretendo desvalorizar o severo impacto que estas medidas representariam, desde logo por que, de uma forma ou de outra, elas continuam na calha. O que pretendo, isso sim, é denunciar o tacticismo asqueroso deste governo.
Por detrás de todo este jogo mediático, que envolve, entre outras coisas, comentadores escolhidos a dedo, existe uma agenda política com objectivos bem definidos.
E no que respeita ao Ensino Superior Público não tenhamos quaisquer dúvidas de que o que o Governo quer é mercantilizar e elitizar.

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