Correio do Minho

Braga, quinta-feira

“Escola Intensa”

Um futuro europeu sustentável

Voz às Escolas

2016-03-14 às 06h00

João Andrade

Com o aproximar do final do período letivo, a escola liberta-se do cumprimento do currículo formal e, garantida a execução dos programas letivos e realizados todos os procedimentos de avaliação, dispõe de toda uma semana que pode dedicar a fazer emergir plenamente “a outra escola”.
É assim que, na próxima semana, teremos no nosso agrupamento uma vasta panóplia de atividades diferentes, contribuindo, de uma forma mais liberta e lúdica, para o desiderato da formação plena.

A semana culminará com a Aula Aberta da Escola Secundária, nos dias 17e 18, em que esta se abre a comunidade, recebendo alunos das escolas da cidade que a queiram visitar, bem como alunos do nosso agrupamento. O objetivo é proporcionar aos jovens visitantes um primeiro contacto com a realidade de uma escola secundária, através de mostras e aulas dos diversos cursos e percursos, bem como a riqueza extracurricular que a ESAS oferece. Assim, poder-se-á assistir, entre outras, a demonstrações de robótica e a pequenas mostras teatrais e exibições de ginástica acrobática. Na sexta-feira 17, quem visitar a ESAS poderá ainda assistir à primeira edição do nosso concurso de Brain Games, na sala do aluno.

Esta é, ainda, a Semana Nacional de Leitura, este ano com o tema “Elos de Leitura”. As inúmeras atividades, por todo o Agrupamento, incluem a conferência “Elos de leitura do passado ao presente: a língua portuguesa em diacronia”, por Alberto Matos; a apresentação da obra “A ilha da promissão”, de Maria do Céu Nogueira; o debate sobre os silêncios que derrubam as palavras, “Quando negar a leitura é negar a humanidade”; a participação na Marcha da Leitura, com exercícios performativos; o TUB Poesia, apresentando performances em algumas carreiras de autocarros da cidade; e ainda diversos concursos e exposições.

Ao nível desportivo, além do Torneio de Voleibol Inter Escolas, organizado pela Associação de Estudantes da Escola Secundária, ocorrerá ainda um Peddy-Paper por toda a cidade, integrado no XVI Troféu ESAS, organizado pelo grupo de Educação Física do agrupamento.
A encerrar a semana, dois momentos: um fortemente solidário, dia 18 durante o dia, a 8.ª Edição da Mesa da Partilha, este ano sobre o tema juntando criativamente as cores com a partilha, “Share Your Color”, na Escola E.B. 2/3 de Nogueira, e na noite anterior, dia 17, no Theatro Circo, a peça “A Tempestade”, de William Shakespeare, com encenação de José Miguel Braga, pelo coletivo de atores do 2.º ano do nosso Curso Profissional de Artes do Espetáculo - Interpretação.

O teatro foi ainda motivo de festa nos últimos dias da semana transata, com muitas crianças do 4.º ano do primeiro ciclo das escolas do nosso agrupamento a deslocarem-se à Escola Sede para assistirem a uma peça em língua inglesa, adequada à sua faixa etária e ao seu nível de conhecimento, pela The English Theatre Company, integrada nas atividades do grupo disciplinar de inglês.

Uma nota de rodapé: de forma muito positiva, a CIM Cávado assumiu, pela primeira vez, um papel potencialmente central na definição da rede de cursos profissionais a abrir nas escolas públicas e privadas da região. Assim, iniciou, com recurso a uma empresa, uma ronda de auscultação das escolas, empresas, associações empresariais, Instituto de Emprego e Municípios da Região. Em sequência, no início deste mês, foram apresentados, à ANQEP, à Direção Geral de Estabelecimentos Escolares, aos Municípios e às escolas, os resultados desse estudo, bem como um conjunto de prazos e etapas para a definição final de uma proposta local rede por parte de todos os intervenientes.

Estranhamente, foram recebidos nas escolas no final da semana passada, indicações com prazos diferentes, bem como uma aparente (pré?) definição central de quais os cursos a abrir na região, bem como os seus respetivos limites máximos e mínimos. Esperemos que tal não colida e não venha a constituir um desrespeito pelo trabalho realizado localmente, por quem conhece a região e por quem primeiro é afetado pelas decisões tomadas respeitantes à formação profissional. A este respeito, uma última tónica: tem sido consensual entre os parceiros da rede a necessidade de também respeitar a vontade das famílias e dos jovens na definição do seu percurso educativo.

Sem uma orientação profissional muito precoce, não é fácil motivar um jovem a frequentar um percurso no qual ele ou a sua família não se reveem, por muito que superiormente tal seja desejado. Tal poderá induzir o insucesso escolar e o potencial abandono dos estudos sem conclusão de um percurso. Num tempo em que cada vez mais o mercado de trabalho valoriza as competências transversais, ou soft skils, entendemos muito mais importante que os jovens cumpram um percurso com qualidade, preparados com competências pessoais duráveis, do que o forçar de uma dotação técnica específica, provavelmente transitória em tempos de forte mutação económica e tecnológica.

É fundamental para o nosso futuro coletivo que os jovens se sintam motivados na escola e se revejam no seu papel. A Escola intensa, que prepara verdadeiramente para a vida, necessita e só faz sentido com eles.

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