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Lacuna, o espaço em branco

“Deixai Vir a Mim as Criancinhas”

Lacuna, o espaço em branco

Escreve quem sabe

2021-01-17 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Há quem se “deixe arrastar”, pelos problemas, como se estivesse preso numa corrente forte de um rio, em que as forças faltam e a esperança desvanece. Importa dizer que, por detrás das preocupações com as quais nos desgastámos e que nos “roubam” as energias e as noites de sono, estão “outras questões” que vão muito mais além que os problemas em si. Repare que quando está bem emocionalmente e contente, há uma tendência para relativizar os problemas. Por outro lado, quando está mais “desiludido/a” ou “angustiado/a”, fica mais sensível a reparar nos problemas. De uma situação “insignificante”, faz-se “uma sentença”. Uma situação é clara. Sempre haverá problemas para resolver, mesmo que não os escolha ou os evite. Há uns, que por força das nossas ações e atitudes e até comportamentos, são uma consequência, há outros, que vem até nós, mesmo não desejados, em resultado das pessoas com as quais interagimos no nosso dia-a-dia e que também elas próprias com os seus problemas, medos e receios acabam por influenciar com a sua energia negativa. As pessoas dão respostas comportamentais desadequadas quando algo está mal na sua vida . Uma pessoa feliz e bem resolvida não perturba. Já as pessoas, que estão “mal resolvidas” das duas uma, ou não exteriorizam e “sofrem para si” ou, ao estarem emocionalmente mal, acabam por “deprimir à sua volta” , todas as pessoas com as quais se relacionam ( ao estar mal, todos os outros também tem de estar mal , caso contrario não está satisfeito/a). Quando se está desacreditado/a de tudo e de todos, pelas coisas más que de forma sistemática surgem (o intervalo de acontecimentos entre elas é mínimo, “umas atrás das outras”), a pessoa “desiste, porque não consegue mais.”
Acontece que, não se desiste pela fase presente mas pelo que já vem de trás. Todos temos uma história guardada a “sete chaves”. As memórias mais frágeis e limitantes representam lacunas, um espaço em branco, “algo que está mal”. Uma lacuna é algo grave. Algo que a pessoa sente como intransponível. Algo que é muito importante para a pessoa e para a sua realização pessoal, mas não consegue, chegar ou obter. Uma lacuna deixa a pessoa triste. Conforme os anos avançam, a dor de não conseguir, aumenta e a pessoa fica “presa” e por mais que outras coisas boas surjam, não está completa porque não conseguiu resolver a lacuna. Lacunas são normalmente de ordem emocional e vem da infância ou adolescência. É na formação da personalidade. Se a pessoa viveu uma infância em que a “família não era a melhor”, terá à partida problemas de relacionamentos seja numa relação amorosa propriamente dita. Há por exemplo, pessoas que tem a sua meta principal de vida, conhecer a “sua cara-metade” mas ao mesmo tempo não conseguem ligação emocional, apesar de quererem ao mesmo tempo “ter um compromisso”, a outra pessoa. Como forma de “não se culparem a si próprios/as” e não reconhecendo que estão errados/as, atribuem “defeitos” de personalidade. Há pessoas que não aceitam que contribuem para um ambiente organizacional de trabalho negativo pois tendem a ter dificuldades de aceitar criticas , e a comunicação é pouco assertiva, fruto provavelmente de alguém na infância ter sido inferiorizado/a e como tal tornou-se desconfiado/a das pessoas . São pessoas que apesar de trabalharem bem, não conseguem criar laços com outros colegas, supondo que o seu desejo, é que sejam compreendidos/as e aceites por parte destes. Os sentimentos de inferioridade também são lacunas, “ o não sentir-se bonito”, ou “não ser capaz”. Quantas pessoas, são extremamente bonitas (embora também não hajam pessoas feias, porque cada pessoa tem o seu encanto) e se vem como “feias”( porque talvez alguém na infância excedia-se em comentários depreciativos) e por essa razão, são insatisfeitas com a sua imagem, mesmo que lhes apareça coisas boas, nunca estão felizes. O que estará por detrás daquela pessoa que é pouco autónoma no trabalho?! Será que ela faz por intenção? Certamente durante a infância, incutiram-lhe a ideia que teria de “mostrar” tudo o que fizesse, porque “sozinha não sabia fazer nada”. Logo como consequência não consegue tomar decisões sozinha. Deste modo e em jeito de conclusão pelo atrás referido, a pessoa que procura um relacionamento e não encontra, a pessoa que o seu maior desejo é ter amigos, a pessoa que deseja ser apreciada pela sua beleza, a pessoa que não consegue tomar decisões, ao não ultrapassarem as suas lacunas não estão realizadas ou felizes. Todos os problemas que surgem ao longo da vida vão adensar mais o estado emocional negativo ao ponto de a pessoa desistir de lutar. Neste sentido é importante, refletir sobre qual é o grande problema que trava a felicidade. Todas as explicações estão nas memórias da infância e para se ser verdadeiramente feliz e realizado/a há que superar.

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