Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

Lá Vamos Cantando e Rindo

A Biblioteca Escolar – Um contributo fundamental para ler o mundo

Ideias

2010-05-07 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Enquanto a crise económica alastra implacável, as oposições têm um objectivo: sabotar a acção do governo, achincalhar e investigar o Primeiro-Ministro. Se o executivo se mostra incapaz de lidar com a crise existem mecanismos constitucionais para o substituir. Esta política de guerrilha e escaramuças constantes só prejudica o país.

Mas a responsabilidade não é apenas das oposições. Enquanto o desemprego aumenta e a precariedade das relações de trabalho é uma constante, sobretudo entre os mais jovens, os grupos sociais mais favorecidos, agrupam-se em redor dos sindicatos e impõem as mais injustas reivindicações. Maquinistas, professores, camionistas, enfermeiros é um fartar vilanagem. Por sua vez os gestores de grandes empresas públicas ou participadas locupletam-se com salários milionários, enquanto os preços da electricidade, dos telefones e do gasóleo são os mais altos da Europa.

Ao mesmo tempo, Portugal tem o mais elevado o número de quilómetros de autoestradas por habitante, mas também o maior número de telemóveis, o maior e melhor número de estádios de futebol, os mais elevados gastos com educação por habitante, sem que isso tenha correspondência com a qualidade. Mas, em simultâneo a estrutura industrial não tem a flexibilidade bastante para responder com rapidez à pressão dos mercados, pese embora os investimentos que este governo procurou orientar para novos sectores, como as energias renováveis e novas tecnologias.

Há quem interprete esta doença colectiva como uma carga genética que sempre acompanhou o país. A investigação recente em história económica trouxe novos dados que parecem apontar nesta direcção. Portugal sempre, ao longo da sua história, viveu acima das suas posses. A primeira decisão de D. João III em pleno afluxo das especiarias consistiu num pedido de empréstimo aos banqueiros da Flandres. Dada a falta de garantias do cumprimento da dívida, os juros atingiram 25% em 1537. Segundo Alexandre Herculano, em 1532 a dívida pública do reino era de dois milhões de cruzados, “soma avultado numa época em que o orçamento ordinário da receita e despesa não chegava anualmente a um milhão”.

E quando pairou sobre o Brasil a ameaça de ocupação francesa, o erário público não tinha dinheiro nem crédito internacional para proceder à colonização. Recorreu então à iniciativa privada, através do sistema de capitanias. Mas o modelo falhou passados não mais de vinte anos. O rei viu-se então forçado a proceder à colonização directa, criando o governo-geral. Os investidores preferiam viver de tenças e pensões a arriscar em projectos próprios.

E esta foi também uma marca genética do nosso país. Os grupos económicos se não vivem do Estado, vivem à sombra do Estado.
É difícil sobreviver assim e cozinhar o governo em lume brando não resolve definitivamente os nossos problemas.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

30 Novembro 2020

Um Natal diferente

29 Novembro 2020

O que devemos aos políticos

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho