Correio do Minho

Braga, sábado

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Kostov e os outros

Cobrança de comissões bancárias – Lei impõe limites

Ideias

2017-02-24 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Aparentemente tudo vai rodando sobre esferas sob a benção “chocarreira” de Marcelo e as estereotipadas bonomia, esperteza e sorrisos do Costa, satisfeito e de todo realizado por ter conseguido o que queria ser na vida: Primeiro Ministro. Tudo girando e se processando com o “andor” da geringonça sob um dossel dourado de uma visão optimista e de facilitismo que acoberta e alapa no tabuleiro do poder as mentiras, as mentirinhas e os jogos de conveniência da realidade que se projecta, e com o povoléu, note-se, a socorrer-se do que se diz e se escreve em vivências de utopia, mentira e inverdades. Daí que nos tenha encantado o delicioso texto inserto na secção ‘Crónica’ da revista ‘Domingo’ de 5.2.17 do CM com o subtítulo de ‘Cartas de Amigo’, onde expressivamente se exarava e se desenvolvia uma análise crítica e piadética ao que tem vindo a ocorrer. Aliás numa carta que se aponta como “escrita” e “assinada“ por Vladimir, o Putin, e endereçada à Catarina do BE, que se descreve como “boa no xadrez, a pôr o Kostov em xeque”, e onde, em destaque, se alude à “coligação de matrioskas que não encaixam umas nas outras”, reportando-se à geringonça. Tratando-se Catarina como Yekaterina e por tovarishch Catarina, a grande verdade é que se nos impõe sublinhar que as análise, apreciação, “carinho” e “esperança” que emergem do seu teor, ainda que satíricas, piadéticas e em tom epistolar, impressionam e nos coagem a pensar, até porque acolhem e referem verdades e realidades que não passam despercebidas, lembrando que nem todos os portugueses são pataratas e desatentos face ao que se vem passando em Portugal, em certa medida graças à Catarina do Bloco.
Considerar que o Kostov ”é mais cartas, a julgar pela bisca que nos saiu”, que “o dedushka Jerónimo tem aquele ar de jogador de dominó de Santa Iria de Azóia”, e que “o Kostov hoje está numa de pas de deux (ou de trois) mas o que ele quer é mesmo bailar a solo”, afigura-se-nos como uma visão ajustada, correcta e apropriada dos tempos actuais, pelo que se nos impõe acompanhar o raciocínio dedutivo exarado de que a Catarina é responsável por se “governar Portugal como uma montanha-russa”, com emoções fortes, “descidas vertiginosas, loopings e inversões a 360 graus”. Uma verdade incontornável e notória face às interven- ções no parlamento e acções políticas no dia a dia, já que na realidade tem sido o Bloco a conduzir e a condicionar a governação do país, levando por arrasto e a reboque, e por joguinhos de conveniência, o PS e o PC. E se por enquanto o PS vem aguentando este andamento da caranguejola, aqui e ali em solavancos, com um e outro salto, travagens bruscas, marcha-atrás, inversões inopinadas e algumas “guinadas” imprevistas, é de todo imperioso não esquecer que a política vive da hipocrisia, é traiçoeira, falsa e gelatinosa, e que o poder fascina, a glória atrai e o dinheiro seduz, pelo que não faltam no “aparelho” alguns outros “Kostovs” prontos para saltar e “fazer a côrte” às Catarinas e Mortáguas, a encaixar-se em grupelhos de “intelectuais de esquerda”, de guerrilha, e a inserir-se na esquerda do “caviar”, que, sob a capa de utopias ideológicas, acoberta e alapa vaidades, intrigas, despeitos e zangas. Aliás, as eleições e as “intempéries” de qualquer governação acarretam sempre “mudanças” e “saltos” que ultrapassam e desacreditam as melhores e mais bem “trabalhadas” sondagens, até quando os resultados obtidos e “badalados” se perfilem como agradáveis e esperançosos, ainda que surprendentes e de precária sustentabilidade.
Tanto mais que isso de mais ou menos “Kostovs” num partido ou país faz parte da lei natural das coisas e da política, sobretudo quando se vive de (e para) o folclore, estatísticas, cunhas, arranjinhos, compadrios, conveniências, projecção social, dinheiros, honras e poder, importando recordar que a nossa história recente já abrigou milhares de “salazaristas”, muitos milhares de “democratas”, milhões de “revolucionários” e uns milhares de “reaccionários”, aliás de acordo com ocasionais e fortuitas circunstâncias, momentos de oportunidade e ocasiões de aproveitamento. E se no PS ainda há “soaris- tas”, “sampaistas”, “guterristas”, “socratinos”, “seguristas”, “costistas”, etc., no PC os Secretários Gerais se sucedem numa herança de linhagens (linha mais ou menos dura , leia-se) e por sua vez, como sempre, nos PSD e CDS se imiscuem os “barões” e pairam e vingam as vaidades, as intrigas e os despeitos numa total “reinação”, “gozo” e descontrolo, afigura-se-nos natural e compreensível que o Bloco se apresente com a aura de partido “glorioso” e de “peito cheio” face às “novidade”, “estabilidade” e surpresa dos resultados eleitorais, e se considerem “atracti- vos” os bamboleios e arrebiques de “intelectuais de esquerda”, que vão do caviar à sardinha no pão, quase todos “escorraçados” ou “em fuga” daquele socialismo comum e mundial que vem bailando entre a social-democracia e o comunismo num baloiço de mais ou menos esquerda.
Consequentemente afigura-se-nos justa e merecida a “carta” endereçada a Yekaterine, contemplando uma apreciação e análise entusiasta e esperançosa de “Putin” quanto ao seu papel nas gerigonça e evolução e sustentação do actual esquema governativo, sendo no entanto de registar o conselho-aviso que dirige à tovarishch Catarina, alertando-a para o comportamento do Kostov se atingir a maioria em próximas eleições, o que até nem será impossível face às últimas sondagens e a resultados estatísticos surprendentes. Então o Kostov, impante, dará um “chuto” nos desnecessários Bloco e PC, substituirá o Galamba e outros por “socialistas” de confiança e “amigos de peito” que alinhem nas mentirolas, negociatas de leis, nas “tricas” e jogos de mensagens de que se fala, ocupando cargos e lugares de confiança e vivendo o optimismo balofo, de vanglória e de “reinação” do primeiro ministro. Que as estatísticas e alguns resultados parecem apoiar, Bruxelas aceitar e acreditar e Marcelo glorificar e abençoar, entoando, em falsete, um entusiasta “salmo”. Esquecendo-se, no entanto, que “em 2016 o endividamento ficou no patamar dos 130% da riqueza gerada”(A.E. Pereira, CM. 14.2.17) e que uma “gigantesca dívida” acarreta vultuosos juros.
Aliás, fazendo-se futurologia, surgirão mais Centenos, mais mentirolas, mais hipocrisias e aldrabices, a ERC continuará a “viver” só com três elementos, e o presidente a configurar-se como um “galo” vistoso, altaneiro, gingão e “chiador” na torre da “igreja” da paróquia, sempre imiscuindo-se e respondendo às mudanças e movimentos de ocasião e tempo, sem despir o fato de um “festivaleiro”comentador. E incomodando com um comunicado “a assinalar que o ministro (Centeno) se mantinha em funções «atendendo ao estrito interesse nacional, em termos de estabilidade financeira»”, levando um dirigente do PS a dizer que “ é preciso não ter a tentação de compensar o excessivo ativismo com a técnica de «uma no cravo, outra na ferradura»” (CM, 15.2.17) e o Galamba a barafustar, a fazer de mau e até a insinuar conivência na “novela” da CGD e SMS, e “acordos” e conversas em surdina entre ele e o Costa, que, segundo se ouviu há dias na rua, «são farinha do mesmo saco». Não nos posicionando sobre a matéria e afirmação ouvida, já que nada entendemos de farinhas e moagens, tão só nos vem à memória que na aldeia se usava o “farelo” nas lavaduras para “cevar” os animais, sendo que, curiosamente, a “ceva” ou “cevadura ” nos transporta logo para o mundo da política.

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