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Braga, sábado

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Juntos conseguimos vencer. Tudo.

A bacia cor de laranja

Juntos conseguimos vencer. Tudo.

Ideias

2021-06-21 às 06h00

Carlos Pires Carlos Pires

Noah, o menino desaparecido na manhã de quarta-feira da semana passada, em Proença-a-Velha, foi encontrado, 35 horas depois, a cerca de quatro quilómetros da casa da família. O povo português mostrou uma vez mais a raça de que é feito, a solidariedade e a vontade de ajudar falaram mais alto, inúmeras pessoas acorreram ao local para ajudarem nas buscas, em conjunto com as autoridades. Afinal ninguém poderia ficar indiferente àquele que constitui um dos eventos mais traumáticos da vida de uma comunidade: o desaparecimento de uma criança. Noah acabaria por ser encontrado por populares.
Eis um episódio que comoveu o país e moveu paixões, mas com um final feliz, e que afinal, com as devidas adaptações, serve de paralelismo para concluirmos que devemos acreditar na força da união. Juntos somos mais fortes. E que devemos acreditar e ter esperança, no país e na força das suas gentes.
Temos vivido tempos terríveis. A humanidade vê-se a braços com um desafio: o de controlar e por termo a uma pandemia. Uma guerra que se instalou, em que o inimigo é um maldito vírus, que surgiu nas nossas vidas de um dia para o outro, sem pré-aviso, e revelou-nos o quanto indefesos afinal somos.
Certo é que o Homem e a ciência não desistiram e em tempo recorde obteve-se a vacina, pondo-se em marcha uma maciça operação mundial de vacinação, como nunca antes fora promovido. A vacina reduz os efeitos mais nefastos que o vírus causa no corpo humano. Disso não há dúvidas, o facto de terem diminuído drasticamente as mortes de idosos em lares é prova cabal dessa premissa.
O mundo uniu-se no propósito da sobrevivência, certo do alerta que o combate ao vírus (ironicamente) emitira: enquanto toda a população do mundo não for vacinada o problema residirá. Sim, o “vírus é democrático”, pelo que facilmente circula de território em território, não selecionando ricos ou pobres, hemisférios ou latitudes. Numa sociedade global, em que o Homem transita de país para país, a capacidade da pandemia se difundir é ilimitada.
A solução não está só na vacina, mas na ação de todos. Nunca antes vivemos tempos em que não há lugar para a mentalidade do “salve-se quem puder”, ou “cada um por si”. A solidariedade impõe-se, temos de olhar mais para os outros, de cuidar, a generosidade tem que sobrepor-se ao medo. Somente uma sociedade unida sairá vendedora desta luta.
Juntos conseguimos vencer. Conseguimos vencer tudo. E há outros desafios que paulatinamente surgem a jusante: as alterações climatéricas. Não é preciso ser cientista para perceber que o clima está de facto diferente. Nas últimas duas semanas, a título de exemplo, vivemos dias de calor tórrido, intercalados com tempestades de vento e granizo, subidas e descidas de temperatura que não ligam aos parâmetros médios da estação do ano em que nos encontramos.
Na semana passada, na 42.ª conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO), o fundador da Microsoft, Bill Gates, o mesmo que há alguns anos atrás antecipara que o mundo poderia enfrentar um vírus para o qual não estava preparado, advertiu que "quanto mais demorarmos a reduzir as emissões a zero piores serão as consequências.
A mudança climática custou sete anos de crescimento da produtividade agrícola" e que "nas próximas décadas o aquecimento global deve aumentar as secas e inundações, reduzir a produtividade e aumentar os preços". Nesse sentido, lembrou que o impacto da covid-19 pode ter deixado até "132 milhões de pessoas na pobreza" numa crise que as mudanças climáticas contribuem para "complicar" ainda mais, devido à dependência do setor primário dos países menos desenvolvidos.
Há que proteger o planeta. Os vírus não caem do céu nem nascem da terra. Os vírus são transmitidos por outras espécies animais e porque o Homem teima em não saber relacionar-se com a natureza e recusa fazer alterações do seu estilo de vida. Por isso, para evitar novas crises, temos de viver mantendo o equilíbrio do planeta.
Desejo aos meus estimados leitores um bom período de férias. Usufruam de tempos de merecido descanso. Mas com responsabilidade e atenção; que nunca descuremos os cuidados. Por si, por mim, por todos nós.

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