Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Jornalismo sensacionalista

Investir em obrigações: o que devo saber?

Ideias

2011-10-19 às 06h00

Pedro Machado

Os media têm, actualmente, um poder extraordinário, sendo intitulados, aliás, como o 4º Poder. Têm o poder não só de informar mas de influenciar as massas, são os principais responsáveis pelas transformações sociais da actualidade. Os jornalistas são os responsáveis, sabem como as suas “armas” poderão até construir ou destruir ideologias. Cientes desse conceito, a imprensa em geral actua cada vez mais com a ideia de “o que é bom é aquilo que o povo gosta”, é este o chamado jornalismo sensacionalista.

Sensacionalismo define, geralmente, um tipo de postura editorial, adoptado de modo regular ou esporádico por certos meios de comunicação social, caracterizado pelo apelo à emoção, pela provocação de sensações, com recurso a títulos e imagens chocantes. Caracteriza-se também, muitas vezes pela capacidade de induzir o público a prender-se a determinados factos, deturpando a realidade, pela forma como os apresenta. Digamos que coloca uma lupa sobre determinado facto ou acontecimento, ampliando-o.

Quando se fala em sensacionalismo, falamos de manipular a informação de modo incompleto ou parcial e apresentar essa informação num formato exagerado ou enganador. Sensacionalismo envolve também a certeza de verdade absoluta em determinados factos, quando o que se tem são opiniões, hipóteses, casos isolados.

Não podemos negar que o jornalismo vive de audiências, audiências essas que geram lucro e, este tipo de jornalismo é usado precisamente para atingir esses fins. Mas é nesta guerra em busca de audiência, que as regras da ética e moral são esquecidas. Aí vale tudo: sensacionalismo, notícias mal investigadas, meias verdades, boatos… que geram falsidades.

Sensacionalismo é, enfim, fazer apelo a reacções mais baseadas na emoção do que na razão, trazendo sentimentos primários à tona, simplificando polémicas em vez de fornecer elementos que permitam pensar, compreender, formar opinião.

O ideal seria que o ser humano agisse com a razão e não com a emoção, sabendo discernir e analisar esse tipo de informação, para não cair na tentação de acreditar em tudo o que vê/ouve/lê. No entanto, sabemos que não é isso que acontece com a generalidade das pessoas, pois é mais fácil agir com a emoção. Mesmo que não queiramos seguir este tipo de jornalismo, não podemos ignorar títulos, imagens que nos entram pelos olhos dentro e deixam sempre qualquer coisa, nem que seja um “ouvi dizer que…” ou um “parece que…”

E, neste contexto, não interessa só aquilo que a notícia diz, mas também o modo como se diz. Sem dúvida que o papel do jornalista, para além de informar é investigar, denunciar. Este é seu principal papel na sociedade, mas precisa ser exercido com responsabilidade, visando as consequências que erros ou deturpações de informação podem causar.

Os jornalistas deveriam ter em conta a ética e deontologia da sua profissão, no entanto são pressionados pela sede de audiência. É pena... Na era da sociedade da informação, em que somos bombardeados por notícias, precisamos de informação credível, baseado em factos concretos e não em especulações.
Actos cobardes!

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