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Joaquim Pipa e a sua farmácia

Plano, Director e Municipal …

Ideias

2013-04-29 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

A crise económica que o país atravessa tem provocado o encerramento de muitos estabelecimentos comerciais, alguns deles emblemáticos na sua localidade ou na sua região. Contudo, existem alguns que continuam a manter-se abertos ao público, apesar dos difíceis tempos que atravessamos.
Uma vez que no dia 1 de Maio passam 123 anos da sua morte, vou recordar aqui um dos farmacêuticos mais emblemáticos de Braga, e cujo nome ainda hoje é perpetuado na farmácia que lhe dá o nome: Farmácia Pipa.

Joaquim José da Silva Pipa nasceu em Braga, em 1821, precisamente no ano em que o rei D. João VI regressou a Portugal, depois de 13 anos no Brasil.
Oriundo de uma família abastada, Joaquim Pipa preparou-se na sua juventude para exercer funções na área farmacêutica, acabando por o fazer bem no centro da cidade de Braga (Rua do Souto), com a ‘Farmácia Pipa’.

À medida que o número de clientes aumentavam, Joaquim Pipa conseguiu manter um relacionamento de grande proximidade com todos os que frequentavam o seu estabelecimento,
No século XIX, tal como durante quase todo o século XX, as farmácias eram dos estabelecimentos mais respeitados que existiam no país. Dentro deles, criavam-se laços de amizade, de respeito, de atenção e até de receio, que marcavam a vida de muitas pessoas.

Era nas farmácias que muitas pessoas encontravam o local de carinho, de apoio e de tratamento para mui-tos dos problemas que tinham. Os farmacêuticos, normalmente, respondiam com preocupação e bom atendimento e Joaquim Pipa exerceu a sua profissão com tal devoção e ternura, que o reconhecimento do seu comportamento e da sua postura tornaram-se exemplares em Braga. Era o “verdadeiro typo do homem de bem; genio alegre, caracter respeitabilíssimo, extrema honradez e coração magnanimo”. (1)

Estes valores advinham do facto de Joaquim Pipa, para além das suas qualidades profissionais, possuir um conjunto de valores que causavam admiração e respeito. Este farmacêutico acudia e até socorria os pobres com grande dedicação e estima, facilitando muito nos pagamentos dos medicamentos e tratamentos que concedia às pessoas mais necessitadas.
Joaquim Pipa era um excelente profissional, “Honradissimo, sincero e dedicado” sendo, para muitos, o “farmacêutico mais popular de Braga.” (2)

O trabalho de grande entrega à sociedade e às pessoas foi amplamente marcado ao longo de toda a sua vida profissional, mas principalmente cinco anos antes da sua morte quando, em Julho de 1885, a cidade de Braga foi fustigada por violenta miséria, resultante também das más condições de higiene em que as pessoas viviam. Basta recordar que em muitas casas de Braga, preparadas para acolher cinco ou seis pessoas, podiam viver até 27 indivíduos e, em grande parte destas habitações, os seus inquilinos, em conjunto, viviam com dois, três ou até mesmo quatro porcos!

As qualidades que Joaquim Pipa demonstrou ao longo da sua vida ficaram bem vincadas no momento da sua morte, que foi “sentida, sobre tudo por aquelles que recebiam os seus grandes benefícios”. (1)

Ao longo da segunda metade do século XIX, a Farmácia Pipa foi obtendo cada vez mais notoriedade, ao ponto de se tornar numa das referências da cidade de Braga, a par doutros, como as Frigideiras do Cantinho ou os Cafés ‘Vianna’ e ‘Astória’. A prova disso é que alguns escritores, como Camilo Castelo Branco, aludiam com frequência a estes estabelecimentos comerciais de Braga, entre os quais se encontrava a Farmácia Pipa.

A sua morte, por congestão cerebral, ocorreu no dia 1 de Maio de 1890, sendo sepultado no cemitério de Monte d Arcos, em Braga.
Quando morreu, Joaquim Pipa tinha 69 anos.

1) Jornal ‘A Correspondência do Norte’, de 3 de Maio de 1890.
2) Jornal ‘Commercio do Minho’, de 3 de Maio de 1890.

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