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Joaquim Machado Caires: O Bracarense que mandou construir a atual residência oficial do 1.º ministro

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Ideias

2015-06-21 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

O Palácio e o Palacete de S. Bento, em Lisboa, são, muito provavelmente, os edifícios nacionais onde são tomadas as decisões mais importantes relativas ao funcionamento da nossa sociedade e do nosso país.
Situado na rua Imprensa à Estrela, o Palácio de S. Bento e o Palacete de S. Bento (situado atrás do primeiro) albergam dois dos três poderes consagrados na nossa Constituição: o Poder Legislativo, no Palácio de S. Bento, onde funciona a Assembleia da República, e o Poder Executivo, no Palacete de S. Bento, uma vez que é a residência oficial do Primeiro-Ministro, ou Chefe do Governo.

Todos, porventura, sabem onde se situam estes edifícios, mas serão menos aqueles que têm conhecimento de que o primeiro proprietário do Palacete de S. Bento foi o bracarense Joaquim Machado Caires.
A história deste bracarense é fabulosa. Além de ter sido ele quem mandou construir o edifício referido foi, também, o responsável por várias obras em Braga, ao ponto do seu nome figurar numa das principais vias desta cidade, a Rua do Caires, aquela que, durante largas décadas, funcionou como a principal entrada em Braga de todos quantos vinham do Porto e de Famalicão.

Joaquim Machado Caires nasceu no dia 4 de junho de 1827, em Maximinos, (no então Monte de Penas). Tal como muitos portugueses da altura, e especialmente minhotos, partiu muito novo para o Brasil, onde se afirmou profissional e socialmente nesse jovem país que oferecia imensas oportunidades a quem lá chegava. Por essa razão, associada à dinâmica e eficácia, Joaquim Machado Caires conseguiu uma considerável fortuna.

O palacete que foi mandado construir por este bracarense, para funcionar como sua residência em Lisboa, em 1877, albergava ainda uma importante área de 2 hectares, onde se incluía o Convento de S. Bento, edifício mandado construir em 1598. Com a chegada ao poder de Oliveira Salazar, este edifício foi expropriado em 1937 e transformado em Residência Oficial do Presidente do Conselho de Ministros. Depois das necessárias obras, Oliveira Salazar passou a residir neste palacete a partir de maio do ano seguinte.

Indubitavelmente, quando mandou construir na capital o seu palacete, Machado Caires não imaginaria que esse edifício viesse a tornar-se num dos principais do país, onde as decisões aí tomadas raramente são consensuais, sendo elogiadas por alguns, criticadas por muitos e até provocando grandes manifestações sociais no país.

Machado Caires viveu durante muitos anos em Lisboa, mas nunca esqueceu, contudo, a sua terra Natal, onde mantinha uma enorme propriedade. Segundo o Dr. Braga da Cruz, num texto publicado no jornal “Correio do Minho” (de 5 de abril de 1973), a sua propriedade em Braga ia “desde o passal de Maximinos até às proximidades da estação do Caminho de Ferro”.

Não foi, portanto, só em Lisboa, que Joaquim Machado Caires deixou marcas. Também na sua terra Natal desempenhou um papel de grande relevo. Ainda segundo o Dr. Braga da Cruz, Joaquim Machado Caires doou à Câmara de Braga uma parte do seu terreno e que serviu para construir uma grande parte da atual “Rua do Caires” e fez ainda a doação ao Estado, em 1881, da Escola Primária de Maximinos, que tinha “os seus anexos e complementos, em que se incluíam, além do edifício principal, muito bom para a época, todo o mobiliário escolar, um gimnásio, uma habitação para o professor, terreno para recreios e 24$000 reis anuais para reparos e biblioteca”.

Em 1886 pagou as obras de remodelação desta escola, que incluíram uma nova sala de aulas e uma residência mais moderna para o professor.
Dois anos após a sua morte, novas obras de remodelação foram efetuadas na escola, sendo a sua inauguração marcada por uma enorme festividade. Disso deu conta o jornal “Commercio do Minho” (de 6 de outubro de 1888), ao referir que “o fundador d’ella, o falecido comendador Joaquim Machado Cayres, cujo nome será sempre recordado com saudade por aquella povoação, que se honra de lhe haver dado o berço e pela propriedade da obra creada por elle”.

Joaquim Machado Caires faleceu no dia 1 de novembro de 1886 e foi enterrado no Cemitério de Monte de Arcos, em Braga, nas sepulturas destinadas aos Irmãos da Santa Casa da Misericórdia desta cidade. Neste contexto, creio que não seria desproporcionado que em Braga fosse organizada uma homenagem a este bracarense, de maneira a recordar a obra que deixou e dá-la a conhecer às gerações atuais.

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