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Jean Piaget e o Escutismo

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Jean Piaget e o Escutismo

Escreve quem sabe

2020-02-28 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Sir Jean William Fritz Piaget, mais conhecido por Piaget nasceu, a 9 de agosto de 1896 em Neuchâtel e faleceu a 16 de setembro de 1980 em Genebra. Foi um epistemólogo suíço, procurou determinar cientificamente o processo de construção do conhecimento. Assim, no seu contributo para a psicologia, criou a teoria cognitiva para explicar o desenvolvimento cognitivo humano e através desta, tiveram a certeza que a construção do ser humano é um processo que vai acontecendo ao longo da vida das crianças. Foi considerado um dos mais importantes pensadores do século XX.

Piaget, no V Congresso Internacional de Educação Moral, realizado em Paris, em 1930, apresentou uma comunicação intitulada «Os Procedimentos da Educação Moral» Traduzida para língua portuguesa, por Maria Suzana de Stefano Menin, editada em livro “Cinco estudos de educação moral / Jean Piaget ... (et al)”, organizador Lino de Macedo. - São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996. - (Coleção psicologia e educação), na terceira parte da comunicação “Sobre alguns procedimentos classificados conforme os domínios da educação moral” logo no primeiro exemplo “A formação do caráter e o cultivo da bondade”, o autor faz a seguinte apreciação do escutismo, neste enquadramento:

“Outro movimento bastante conhecido, de modo que não precisamos falar muito dele, deve seu imenso sucesso aos mesmos princípios da atividade e da mutualidade: é o escotismo. Limitemo-nos a destacar que essa admirável experiência de educação moral é instrutiva, isto do ponto de vista que temos adotado neste artigo. Sobre o conteúdo de sua "lei", o escotismo não apresenta nada de muito novo. O apelo à honra para formar o caráter, à ajuda aos outros e o equilíbrio entre a saúde física e a saúde moral são os preceitos usados; quando Baden-Powell busca relatar, em seus escritos, os artigos de sua pedagogia moral não suplanta em quase nada os melhores autores sobre lições de moral. Mas, na prática, que psicologia"1: A esse respeito, parece-nos que o central do escotismo é alcançar um equilíbrio mais flexível entre as duas morais da criança às quais temos procurado distinguir no decorrer deste artigo. O respeito dos pequenos pelos mais velhos e destes pelos chefes explica, essencialmente, porque os conselhos do educador não caem em vão, mas adquirem um valor duplamente obrigatório: Baden-Powell compreendeu muito bem não só que o exemplo é tudo na educação, mas também que as relações das pessoas entre si constituem a verdadeira fonte dos imperativos morais. Além disso, ele compreendeu, também, e este não é o seu mérito menor, que a moral do dever constitui-se apenas como uma etapa do desenvolvimento da consciência e que o respeito unilateral exige, por seus fins, ser moderado pelo respeito mútuo, até o momento em que será definitivamente substituído por este. Essa é a razão pela qual o ideal do chefe dos escoteiros é ser um treinador e não um comandante: "O instrutor não deve ser nem um professor de escola, nem um oficial de tropa, nem um pastor, nem um monitor, ele deve ser 'um homem-criança', ele deve ter, em si, a alma de uma criança; ele deve colocar-se no mesmo plano daqueles de quem vai ocupar-se"2. Ademais, entre o chefe adulto e o escoteiro-criança, toda uma hierarquia de intermediários provoca uma diluição da oposição entre o respeito unilateral e o mútuo e, em consequência, a assimilação progressiva da moral do dever à da cooperação e do bem. Por outro lado, constituindo a sociedade dos escoteiros uma grande fraternidade e, graças ao sistema de patrulhas, uma coleção orgânica de grupos fraternais, é evidente que há as melhores condições para o desenvolvimento do respeito mútuo e da cooperação. Por fim, estando a manifestação da moral da colaboração autônoma ligada, na criança, à prática das regras dos jogos coletivos, nota-se que uma das instituições mais notáveis do escotismo é a de ter ligado a educação do caráter e do altruísmo a todo um sistema de jogos organizados.»

Ao ter optado pela transcrição de Jean Piaget, no respeito pleno pela tradução da Maria Suzana Menin, pretendeu-se manter a pureza do texto original, sem a nossa interferência, para que os leitores possam aceder ao pensamento de Piaget, sem outros intermediários que não a tradutora inicial.

1Baden-Powell , Le Guide du chef éclaireur; trad. Carrard, Co ll. Actual. Pédag.1921, p. 11.
2Ver o livro de P. Bovet, Le Génie de Baden-Powell, edil. Fórum.

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