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Já chega, não?

Proteção de Dados pós confinamento

Já chega, não?

Escreve quem sabe

2021-03-07 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

“Olha a quarta!”, regurgita a senhora directora-geral de saúde. “Olha as estirpes mutantes, olha a imunidade que não se sabe por quanto perdura”, continua a estrela de superêxito enfastiante de estação, daqueles que se disputam por caricatura e que palco têm em tosca romaria ou em festa de estudantada.
Recupero o paralelismo: Coelho alucinava além da troika, Costa alucina além do vírus. E Rio não é melhor, que tão próximos são que lembram par de adolescentes de um só vício, de um só cigarro – passa a ti, passa a mim!
Bom, mas o Rio é o que a gente sabe, de seita infrequentável, já o Costa e os da rosa são outra loiça – arejados, progressistas, cultos…

Reticências, que infinito é o rol de qualidades, que os quadros do PS são obras-primas, émulos de telas Da Vinci e Picasso, e se farinha bom moleiro não faz, é porque o bago nacional é oco, é seco, é bichado.
Aqui-del-rei que que Portugal entorpece e tresvaria, que a obesidade recrudesce, que o tempo de ecrã arruína os olhos, que a economia naufraga, que penoso será o futuro, por conta de chagas na socialização, de fracturas da confiança básica, por fobias que acamparão para sempre, por lacunas que persistirão nas aprendizagens, pelo colapso do desporto. Chiça! Só à força de palavrão uma criatura desinfecta a alma.

Tinha ponderado não voltar ao vírus, mas a dona Graça tirou-me do sério. Coisa que passaria, se prosa do Luís Tadeu (DN 3/3) nos não agoniasse. Insurjo-me desde o começo contra o excesso de representação da pandemia nos órgãos de comunicação, contra a tónica na casuística catastrofista, contra a policialização repressiva, contra a multa, contra o chá de civismo na via pública, contra o confinamento compulsivo, porque o português seja bruto e irresponsável, porque seja um pirralho mimado, carente de bom açoite – ao arrepio do etiqueta, mas os fins justificam o retrocesso –, porque não sobreviva sem a tasca, o café, sem o fim-de-semana, o passeio na marginal, o saltinho à praia. E o surf, meu deus!! E como as boas maneiras não lhe entram, a solução é fechar tudo, de areais a sintéticos de ar livre, veículos que de igual para igual emparceiram na disseminação da peste com as cafetarias, os restaurantes, os dancings, os cabarets, os lupanares, sem esquecer o comércio tradicional de lojas às moscas e as feiras de ar livre.

A asneira é tanta que uma só justificação me ocorre: sendo o português de chapa irresponsável, cabeça-dura, caprichoso, etc.; portugueses sendo o Sousa, o Costa, a Temido, a Freitas, o Sales, e os que pelo mesmo diapasão afinam; então, segundo Aristóteles, a chave do silogismo é de elementar clareza.
Afirma, o Luís Tadeu, que há quem pague para que o vírus transborde nas notícias. Quem? É dos livros que o rumor e o pânico favorecem o dinheiro, o governo, a luta pelo poder. É do senso comum que, querendo, pode um governo secar o canteiro em que a bestialidade progride. Assim quero pensar, pelo menos.
Quem serve o vírus? Metralham-nos com o horror, aflora-se que, cem anos para trás, o covid-19 teria provocado igual número de vítimas. Discordo, da gripe espanhola morreu muito mais criança e jovem do que de covid, sem que então como agora houvesse remédio específico.
Tanto ele mata em Portugal! Mas já viram que o rácio entre os recuperados e os afectados nos é muito favorável? Ele há números para tudo: é o vírus que ceifa, ou é a paupérrima situação em que encontra o grosso das vítimas mortais?
Com a burrice costuma vir a desculpa atamancada, e o Costa é plano inquinado, é plano inclinado em que deslizamos sem travão.

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