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Ir além e a parte nenhuma

A Biblioteca Escolar – Um contributo fundamental para ler o mundo

Ir além e a parte nenhuma

Escreve quem sabe

2020-06-26 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Assinalo a última crónica da época. Continuação haja em Setembro, muito eu quereria não voltar ao vírus, embora o mais certo seja que por cá continue, como essas carochas domésticas que de pronto reaparecem, assim o habitat se refaça.
Discurso político que talvez mude, ou crise que se instaure, da qual Costa saia por cima, com uma remodelação, e mea culpa postiço descontado de maus conselheiros. Remodelação, porque inviável seja a convocação de eleições parlamentares. Remodelação, ou executivos toca-a-todos de iniciativa presidencial.

A desgraceira do desconfinamento. Os jovens que as bolsas de bolas de sabão da infecção controladinha rebentam com risos e beijocas, com copázios à fonte. Sabotadores! Números que afadigado faz sair. Quanto cresceu o indicador de infecção entre os mais novos? E é devido a quê? A comportamentos desbragados?
Reproduzo de noticiário da SIC, que para peça do «Público» remetia. De 4 de Maio a 21 de Junho, na faixa dos 10-29 anos, haveria a registar um acréscimo de covid-positivo de 95,3%, de 89% dos 20-29. Destaco: 145,6% até aos 9 anos. Sublinho que a retórica oficial e o eco acéfalo acentuam o descuido, o risco deliberado, a farra eruptiva, que de alto a baixo o indivíduo se demoniza, ponto no qual, sobre dura testa, que cair há com vigor de salteador: saia multa quentinha, para o tanque do largo da boa-vai-ela.

No mesmo noticiário, ouvir podíamos que, em Fátima, muito se adoecia de ao Senhor cantar, iniquidade da dimensão de paradas de reencontro à luz de lampião urbano. Hélas! E do sarilho de Caneças: 60 idosos infectados e 27 funcionários. Pareceu-me ouvir uma voz distorcida, um rosto apagado, denunciar pressões e dilações para que os testes não se tivessem feito. E o de Reguengos?
Vá! Porque não param? O vírus está e estará, uns contrai-lo-ão por descuido, que não actua da mesma forma em crianças de 9 anitos, admitindo que nenhuma abra minis das onze da noite em diante. Outros contrai-lo-ão por deixa-correr patronal, até que o caos empape de maduro. E os números, senhores, subirão dia a dia, a tanto bastando que avancemos de zaragatoa em riste. Cresceu na casa dos 90% e mais!? Por falta de civismo, ou porque mais se venha testando, a reboque de casos localizados?

Que se diga que o vírus existe e que é letal, mas falemos de percentagens sérias. Insiste, o governo, em manipular, em dar a parte pelo todo, e, na ressaca de discurso eunuco, acoimar quer os que vicejam na rua e em festa privada, o que igual não é. Não falta quem chame os bois pelos nomes, quem a condições de vida sombrias inscreva parcela da força do bicho. O problema é a treta do atinadinho.
Lembra-me o «ir além da troika» do Passos Coelho. Pois não é que o Costa e acólitas não queria – e quer! – «ir além do vírus»? Que o Passos Coelho concite mais urros que ovações, mas bom estava de ver que se convencia – eventualmente mal! – que uma prédica inflamada suavizaria os mercados de capitais: pessoas, no fundo, que por doce dia mostrassem coração. Estratégia que de todo não pega com uma peste por destinatário.

Lembra o Costa, também, as charlas virtuosas de igrejas menores, que vivem da escatologia e da redenção a dízimos, de expiações, de purezas de corpo e alma, de côdeas raspadas a pedra-pomes.
Que sobeja de um discurso estéril e enviesado? A ideia de uma vaca voadora? O ferrão de um vírus que não voa? Que fica do político de discurso, quando a verve se acaba? Um «teve azar, coitado»?
Nova de hoje: dos três óbitos de LVT, um tinha 35 anos. Noticiário levado ao vómito.

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