Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Interpretação de sorrisos

Um ciclo que se abre

Escreve quem sabe

2016-05-08 às 06h00

Joana Silva

O sorriso tem um poder inimaginável. Ninguém nos ensina a sorrir, nós já nascemos com essa competência. Naturalmente sorri-se mais na infância e conforme se cresce, dizem os investigadores, que essa capacidade de rir diminui. Uma das razões apontadas para a perda da capacidade de sorrir prende-se com os problemas que nos deparamos ao longo do nosso ciclo vivencial e o desacreditar no papel relacional das pessoas com quem interagimos no dia-a-dia.

Há quem diga que o sorriso é a expressão de um coração feliz. Será?!Eis a questão. Certo, certo é, quando se está verdadeiramente feliz o sorriso resplandece no rosto. O rosto é a forma mais imediata de se observar um estado de espirito. No entanto, e por outro lado, há quem tenha a capacidade de ocultar/omitir o seu verdadeiro estado emocional através do sorriso. Basicamente, nem sempre um sorriso significa alegria sincera ou verdadeira. A sociedade está ao “contrário”, encobre-se a tristeza, frustrações e deceções e exibe-se sorrisos. Num olhar mais atento e não sendo necessário ser-se especialista em comportamento, consegue-se detetar a diferença entre sorrisos: os que são naturalmente genuínos e os que são digamos mais de “fachada”.

Os sorrisos são distintos. Certamente que já riu ao ponto de lhe doer a barriga ou os músculos da cara ou até mesmo atrás das orelhas. É uma forma de rir verdadeira. Um sorriso genuíno é aquele que espontaneamente os olhos e lábios sorriem paralelamente (por vezes, os olhos até brilham). Por outro lado, um sorriso falso é meramente expressivo nos lábios. Atualmente parece que quem tem característica de sorrir genuinamente tornou-se num alvo de comentários depreciativos e desajustados. Desengane-se quem pense que o ter bens materiais é que gera cobiça ou ciúmes.

Não. O bem mais precioso é o sorriso. Se assim não fosse, qual a razão das pessoas se importarem com quem ri ou sorri demais?! Porque simplesmente o sorriso incomoda. Quem está infeliz não aceita ver outras pessoas felizes. Do ponto de vista de “quem nada tem” mas que sorri sempre perante as dificuldades, a vida é normalmente generosa para aqueles que não aceitam sorrisos. Talvez …mas então o porquê de não se encontram satisfeitos ou realizados com o que a “vida lhes deu”?!

E é por esta razão que o sorriso é uma das melhores estratégias face a pessoas mal-intencionadas. Não se trata de um sorriso de “fachada” ou falso mas sim um sorriso protector. Partilha-se um acontecimento vitorioso e a pessoa a quem se conta movida por ciúmes de não ter igualmente conseguido, sorri apenas com os lábios e os olhos semicerrados, apresenta na verdade um sorriso falso. Um sorriso protetor diz respeito, à omissão em situações em que se conhece de antemão o caracter mal-intencionado de quem questiona “Está tudo bem?”, que ao escutar “oh não está tudo mal” ficaria contente e satisfeita. Todavia, reprimir emoções também tem os seus efeitos negativos.

Quem usa e abusa frequentemente do sorriso como meio de proteção, em termos físicos as emoções negativas contribuem para problemas de hipertensão arterial, problemas cardíacos tensão muscular na zona do pescoço e até cefaleias. Posto isto, é necessário existir equilíbrio, externalizar as emoções mais reprimidas mas com quem é digno de ser partilhado. A vida é mesmo assim, construída por inúmeros pequenos detalhes genuínos ou de proteção.

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