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Internacionalizar o comércio

O futuro depois do COVID 19

Escreve quem sabe

2013-11-15 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Após três anos de aplicação das políticas de austeridade impostas pelo Memorando de Entendimento, os portugueses estão mais pobres. Cerca de 17,4% da população está desempregada; a despesa em consumo sofreu uma queda de 7,9% entre 2011 e 2013, devido a uma forte quebra do rendimento das famílias imposta pelos cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, da diminuição das prestações sociais e das pensões de reforma e do aumento colossal dos impostos; a atividade económica teve uma quebra de 6,3% no mesmo período; e o país assistiu ao encerramento de um grande número de empresas.

O comércio de proximidade vive, pois, tempos difíceis, bem conhecidos de todos. Demorará anos até que sejam atingidos os níveis anteriores de atividade económica, do poder de compra dos portugueses, ou da população empregada. Mostra-se necessário, por isso, estabelecer um novo paradigma para aumentar as vendas no comércio.

Como o número de clientes tem vindo a escassear nas lojas de rua, torna-se imperativo ir ao encontro dos desejos e necessidades do “novo consumidor”. Hoje, “levar a montanha a Maomé” é uma tarefa que as tecnologias digitais possibilitam, particularmente a internet, que se transformou num canal privilegiado para a promoção, a venda e a fidelização.
O comércio eletrónico é hoje uma realidade que não deve ser ignorada. No terceiro trimestre deste ano, 4 milhões e meio de portugueses acederam a páginas de websites comerciais, correspondendo esse número a 749 milhões de páginas visitadas.

As categorias de produtos que incluem vestuário, joias, relógios, óculos, cosméticos e perfumes correspondem a 41% dos produtos transacionados através da internet.
Para as empresas de Braga, o comércio eletrónico constitui uma oportunidade não apenas para realizar vendas em território nacional, mas em todo o mundo, pois existem 2 mil milhões de pessoas a utilizar a internet todos os dias. Todavia, se nos limitarmos ao território nacional, estima-se que em 2015 a economia digital contribua para 10% do PIB, um valor que continuará a crescer nos anos seguintes.

Por isso, à semelhança da indústria ou do turismo, o comércio a retalho também se pode internacionalizar e ganhar um novo fôlego. Como? Através da abertura de um novo e potentíssimo canal de vendas - o da internet - e assegurando uma dimensão crítica que lhe permita almejar o sucesso.
No tecido empresarial português, somente 17% das empresas com menos de 10 trabalhadores possui website e menos de 10% faz vendas on-line. Isto significa que há uma margem de crescimento elevada e importa ocupar uma posição rápida na economia digital, evitando maiores constrangimentos concorrenciais no futuro.

Por estas razões, a Associação Comercial de Braga tomou a decisão de concorrer ao programa Comércio Investe, com o objetivo central de criar uma plataforma de comércio eletrónico constituída pela oferta comercial de trinta empresas aderentes e que se constitua com canal privilegiado de vendas.
A natureza do programa exige que esse conjunto de empresas se situe no centro urbano, numa zona delimitada com caraterísticas de elevada densidade comercial, centralidade, multifuncionalidade e desenvolvimento económico e social.

No âmbito deste programa serão criados também serviços coletivos essenciais ao bom funcionamento da parceria, como sejam os guias e diretórios de promoção coletiva; serviços de marketing nas redes sociais; sistemas de fidelização comuns; serviços de apoio no local ao cliente; sistemas de monitorização; ou entregas ao domicílio.

Em razão disso, subsiste a expectativa de que a plataforma de comércio eletrónico, seja, por si própria, um meio de divulgação dos atributos do comércio do centro urbano, onde se incluem a oferta diferenciada de lojas de referência, o património histórico e cultural, o turismo e outras caraterísticas distintivas que fazem de Braga e do seu comércio um local a visitar fisicamente pelos futuros compradores on-line, contribuindo para dinamizar as vendas nos estabelecimentos comerciais.

O projeto é ambicioso, pois deverá sobreviver ao período do seu desenvolvimento (18 meses), permanecendo no tempo através de uma estrutura criada para o efeito, financiada pelos resultados económicos que irá gerar.

Porém este enorme desafio só é possível com a participação empenhada das empresas. Até dia 18 de Novembro, a ACB está a recolher manifestações de interesse para ultimar a candidatura conjunta do comércio de Braga ao Comércio Investe, por isso, desafio os empresários do retalho a juntarem-se a nós e fazerem parte de um projeto que revolucionará a forma de fazer comércio e de promover Braga.

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