Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Inquietações da adolescência e o suicídio

Amarelos há muitos...

Escreve quem sabe

2012-06-03 às 06h00

Joana Silva

O suicídio é um comportamento por parte de alguém que quer por termo à vida. Este, pode surgir na adolescência, apesar de ocorrer maioritariamente nos adultos. A “idade do armário” pode ser sinonimo, para alguns adolescentes, de um ciclo tumultuoso, em que acontecem transformações físicas, emocionais e sociais e a par destas, surgem problemas e inquietações. Muitas vezes, os adolescentes não entendem que “atribulações da vida” permitem crescer. O proverbio, “o que não me matou, tornou-me mais forte!” na maioria das vezes, só é entendido o seu significado com o passar dos anos, pois estes permitem compreender melhor os factos e situações ocorridos anteriormente na adolescência. Um adolescente deprimido manifesta uma baixa auto-estima, e por norma, tem alterações no apetite e no sono. Existe uma tendência atribuir a si próprio, experiências más, falhas pessoais. Tem uma visão negativa do futuro e sente que decepções da vida o conduzirão para um “beco sem saída”. A depressão é quiçá um dos maiores factores envolvidos no risco de suicídio, no entanto, não é uma causa específica mas sim todo um conjunto de outras seguidamente apresentadas. Os motivos podem ser variadíssimos desde a crise de identidade, a baixa auto-estima, o divórcio dos pais, violência doméstica, doença grave ou morte, carência afectiva e de apoio em ambiente familiar, perda de um familiar ou amigo querido, problemas em contexto escolar frequentemente em casos de bullying, situações de decepção, rejeição ou humilhação, término de um relacionamento, insucesso em actividades valorizadas pelo adolescente, falta de esperança, abuso físico e sexual, abuso de drogas ou até mesmo gravidez indesejada. Por conseguinte, deve-se prestar atenção a alguns sinais, desde, verbais, de comportamento interpessoal, escolar e de planeamento. Os sinais verbais são manifestamente visíveis na verbalização de frases tais como, “Não quero viver mais, pois a minha vida não tem mais sentido” , “Em breve deixarei de sofrer” ou até mesmo “Ninguém se importa se vivo ou morro”. No que concerne aos sinais de comportamento interpessoal, estes reportam-se a alterações súbitas nas relações, onde por sua vez o adolescente, se isola evitando o contacto social. No que respeita ao ambiente académico, o adolescente, por norma, baixa o rendimento, usualmente falta às aulas e revela pouca concentração. Podem ocorrer alterações de humor, comportamentos rebeldes repentinos e pouco interesse em actividades anteriormente prazerosas. Por ultimo, no que se refere ao planeamento do suicídio, este verifica-se por exemplo em comportamentos de despedida, sejam em cartas, e-mails, ou até mesmo nas redes sociais, onde “falam” através da escrita sobre os seus pensamentos negativos. O adolescente com tendências suicidas necessita de acompanhamento urgente de profissionais especializados. O mais importante é nunca/não ignorar “um pedido de socorro”, na exteriorização de sinais anteriormente referidos, com sermões, atitudes moralizadoras e preconceituosas mas sobretudo, mostrar compreensão e afecto, a fim de “salvar a vida” do adolescente.

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