Correio do Minho

Braga,

Inimputáveis (parte 2)

Escrever e falar bem Português

Ideias Políticas

2015-03-24 às 06h00

Hugo Soares

1 Vem o título que dou ao texto da reação do Partido Socialista à entrevista que dei, na passada semana, ao Correio do Minho e à Antena Minho. Nesse contexto, e analisando a postura de alguns dirigentes socialistas de Braga que defendem agora a “remunicipalização” da Agere e o resgate das Parcerias Público-Privadas, classifiquei a sua posição política de bipolar.

Acrescentei, com assertividade e propriedade, que estes dirigentes do PS Bracarense, que agora defendem precisamente o contrário do que fizeram, assinaram e defenderam, mereciam uma declaração de inimputabilidade política. Bem sei que a expressão “inimputabilidade” não é um conceito “curriqueiro”, mas aplicado naquele contexto significava que estes dirigentes do PS não deviam ser considerados aptos para o exercício do poder por faltar de coerência, retidão e humildade. Pois bem, passado uma semana, ganhou acuidade (e de que maneira!) a minha afirmação.

Vejamos.
A dita entrevista marcou. Foi tema de debate de, pelo menos, dois fóruns radiofónicos e deu origem a um comunicado do PS Bracarense. Excelente sinal, diria, quer para o Correio do Minho quer para a Antena Minho! Ora, no comunicado de reação, o PS veio acusar-me de ter uma linguagem imprópria (“taberneiro” foi a expressão), mas não teve uma palavrinha sobre qualquer uma das questões substantivas que levantei. Nem uma.

Volto ao início: “inimputabilidade” é um conceito rapidamente encontrado em qualquer dicionário. Não precisavam os protagonistas do PS de demonstrar tamanha falta de ciência. E a reação tão virulenta e a carecer de chá atesta da sua (deles) incapacidade para elevar a discussão em torno dos verdadeiros desafios que Braga tem. Mas não estranhe o leitor se daqui a dias assistirmos ao PS Bracarense defender que se vendam os campos sintéticos, onde eles esbanjaram o nosso dinheiro, a um qualquer investidor chinês, que não se paguem as indemnizações que os tribunais decidirem pelas expropriações, sem critério, no Picoto, ou ainda que defendam a demolição da piscina olímpica onde gastaram oito milhões de euros porque, afinal, eles até não têm nada que ver com nada. Assim vai o PS de Braga: lutando pelo prémio do “maior topete do mundo”.


2 Mas não é só por cá que a esquerda se dá a ares de amnésia. Aliás, o PS está relativamente ao passado como estão os protagonistas que têm passado pela Comissão de Inquérito do BES em relação ao descalabro do grupo financeiro: não se lembram, a responsabilidade é de terceiros, não têm culpa; enfim, cobertos de ridículo e desmascarados pelos factos.

Esta semana, António Costa, que cada vez que toma posição vai mostrando maiores fragilidades e não consegue sair das vacuidades, mostrou a sua indignação porque a Ministra de Estado e das Finanças afirmou que o País tinha os cofres cheios. Com franqueza, quando ouvi António Costa pensei que estaria a brincar. Então António Costa preferia a situação de 2011, em que o PS deixou o País sem capacidade financeira para pagar salários ou pensões três meses depois?

Então António Costa preferia o País que tem que chamar a Troika porque não tem sequer capacidade para se financiar? A verdade é que, como dizia, cada vez que António Costa tem de dizer o que pensa fica mais claro aquilo que no seu âmago o move verdadeiramente: voltar ao passado, ao Portugal de antes, do gastar sem critério, dos privilégios instalados, do Portugal de alguns sem cuidar dos que virão. Eu, por mim, prefiro o Portugal que cresce, que têm contas públicas em ordem, do Portugal onde o desemprego desce e que tem os cofres cheios. São gostos.

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