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Escrever e falar bem Português: Um item complicado

Ideias Políticas

2011-11-18 às 06h00

Hugo Soares

Os tempos de agora que voam e já não correm fizeram ultrapassar a tradicional divisão tripartida de poderes preconizada por Locke e Montesquieu. A afirmação de um quarto poder, nada silencioso e nada discreto, é uma certeza a que assistimos quando ligamos aquela caixa mágica nas nossas salas de estar, quando viramos a página daquele jornal ou quando conduzimos aquela rádio. A comunicação social, ela mesmo, é o quarto poder. Barulhento. Tendencioso. Perigoso.

Nada me move contra a Comunicação Social, o que seria até um paradoxo face à participação regular nesta e em outras colunas, mas o quarto poder assusta-me e preocupa-me. O instante em que se destrói uma imagem é inversamente proporcional ao tempo que dura a sua construção. A capacidade de conformar opiniões é semelhante à de orientar convicções. O quarto poder é grande e influenciador.

Quando pensamos na forma como a Comunicação Social pode influir num resultado eleitoral, no decurso de uma investigação judicial ou até na culpabilização mediática de alguém percebemos facilmente a dimensão deste que designo de quarto poder. “Só o poder freia o poder”, escreveu Montesquieu com a actualidade e o rigor que daí se alcança. Pois bem, o que freia o quarto poder é a capacidade de cada um de nós discernir, em cada momento, o que é informação e o que é comentário do que é desinformação e tentativa de influência.

Ora, o maior controlo é o que é feito por todos e por cada um de nós, daí o escrutínio da Comunicação Social e daquilo que por ela é veiculado estar sempre assegurado. Felizmente, diria eu. Até porque a Comunicação Social veste, nos tempos de hoje, a roupagem de garante da fiscalização das mais diversas esferas de actuação da nossa sociedade. Isso mesmo. A importância do jornalismo de investigação nunca foi tão fundamental como agora para que a transparência e a legalidade não sejam critérios apenas sufragados pela ética e pela lei, mas também expostos aos olhos de todos os cidadãos.

O papel dos Media nos nossos tempos tem sido debatido e aprofundado. A verdade é que cada vez mais a racionalização individual da informação que recebemos é certamente o único caminho seguro para nossa própria segurança.

Sucede que, a proliferação de mails falsos que correm pelas nossas caixas de correio assumem também agora proporções inimagináveis. São as regalias que não existem para os titulares dos cargos públicos, são ordenados falsos, são mordomias e despachos falsificados. Enfim, uma panóplia de invenções que alteram o estado emocional de todos quantos sofrem com os sacrifícios impostos a cada um de nós.

Há dias - entre os muitos e constantes disparates e falsidades que recebo - recebi um texto que apelava a indignação social porque os Deputados iriam receber os subsídios que os funcionários públicos vão deixar de receber nos próximos dois anos. Um e-mail, com negritos e sublinhados, debitava as maiores enormidades sem qualquer rigor ou verdade.

Pois bem: é falso! Não, os Deputados à Assembleia da República não receberão qualquer subsídio, como é, aliás, de inteira justiça. O curioso é que quando esta questão começou a circular, a Assembleia da República rapidamente desmentiu em comunicado que saiu em todos (ou quase todos) órgãos de comunicação social. Mas nem assim, o e-mail parou de circular. Chamo este tema à colação, para demonstrar a predisposição para o sensacionalismo que hoje perpassa toda a sociedade.

São, evidentemente, os perigos de uma sociedade de conhecimento e informação que cabe a cada um descortinar em cada momento. Mas mesmo com todos os seus perigos e engulhos esta é a nossa sociedade. A que eu quero também. A que eu defendo.

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