Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Imunidade ao medo

O que nos distingue

Escreve quem sabe

2014-03-23 às 06h00

Joana Silva

Ninguém é imune ao medo, independentemente da sua faixa etária. Sejam crianças ou adultos, ambos revelam medos face a determinada situação /objeto. No entanto, o que difere no adulto e na criança é a maturidade cognitiva. Um adulto consegue analisar e discernir sobre a experiencia do medo, isto é, tem um outro “modo de olhar as situações” que uma criança ainda não tem. Por forma a explicar o anteriormente referido, um adulto sabe que não existem monstros, enquanto que uma criança pode crer que sim, que de facto existem.

Grande parte dos medos desenvolvem-se na infância talvez porque os pais os empreguem inocentemente como castigo ou forma de persuadir a algo. Os medos são na sua grande maioria passageiros, no entanto, em alguns casos que persistem por mais tempo do que seria esperado e podem resultar problemas psicológicos, concretamente, as fobias, por exemplo. Os medos variam de acordo com as idades e podem ser diversos desde, o receio de perder ou se afastar dos pais, medo a pessoas estranhas, medo de animais, medo de bruxas, medo da trovoada, medo de dormir sozinho, medo do escuro etc.

Muitos pais, por mais que se questionem não conseguem perceber a origem dos medos dos filhos. Uma grande parte desses medos derivam de “comentários inocentes” dos pais. Quando uma criança, pressuponhamos numa ida a uma loja com os pais se afasta mais do que o devido transpõe-se imediatamente “Se vais aí para fora vem aí o ladrão”. Também quando tem algum comportamento menos adequado, os pais tendem a dizer “ Continua a portar-te mal, que eu vou chamar a polícia”.

O “bicho papão” também é uma expressão que os pais utilizam muito a cada atitude não conforme dos filhos, quando não querem deitar-se cedo, por exemplo. Claro que as crianças ao desconhecerem a fisionomia do “Bicho papão” (nunca ninguém o viu nem tampouco foi comentado ou ilustrado nos contos infantis) tendem a idealizá-lo mas da forma mais catastrófica de “meter mesmo medo até ao susto” como diz o ditado popular.

Dai as noites mal dormidas e o sono não sendo reparador irá repercutir-se no bem-estar da criança. Não esquecer que existem medos que se continuamente estimulados podem resultar em fobias, como por exemplo, “Vais levar uma pica, porque desarrumaste os brinquedos”. A criança internaliza “ levar a pica” como algo mau (o normal seria dizer-lhe que as vacinas servem para curar) e a quando à toma de uma vacina, pelos simples facto de observar a bata branca e a seringa temoriza com choro e gritos.

Neste sentido os pais, tem um papel importante na normalização dos filhos face aos medos. Por conseguinte é necessário encarar “o problema de frente” e questionar, o porquê do medo e o que sente a criança. Outra estratégia é utilizar-se a versão lúdica, ou seja, convidar a criança a colocar-se no lugar de um herói imaginário, por exemplo, o Noody e questionar o que o herói fazia perante o medo. Esta é uma boa estratégia que permite, revelar o medo assim como explorar opções face ao mesmo.

O medo faz parte de qualquer etapa de desenvolvimento, porque permite a realização de novas aprendizagens. Importa realçar mais uma vez, que pela maturidade cognitiva da criança os pais devem ter especial atenção nas palavras e atitudes a fim de se precaverem situações de intensidade emocional negativa para a criança.

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