Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Ilusões

A serenidade dos nossos lugares sagrados

Conta o Leitor

2018-07-21 às 06h00

Escritor

Autor: José Händel de Oliveira

Precedeu-me uns metros na entrada da dependência bancária onde me dirigira para fazer um levantamento na caixa Multibanco. Não pude deixar de reparar na sua elegância e andar firme, no seu bonito vestido de malha, comprido e que deixava adivinhar os contornos da sua roupa interior.
Ela demorou algum tempo a proceder à operação que pretendia e eu, a certa distância, não parava de a admirar. Quando, passados alguns momentos, se retirou, verifiquei que deixara o talão do movimento efectuado, na ranhura da máquina. Por isso, chamei-lhe a atenção para o facto, o que ela agradeceu com um sorriso, ao mesmo tempo que me dizia:
“Como posso pagar-lhe esta amabilidade?”.
Embora surpreso, respondi-lhe que, em paga, poderíamos tomar um café.
Com um novo sorriso, concordou, pelo que já não cheguei a utilizar o Multibanco e, lado a lado, caminhamos pela Avenida. Perguntou-me para onde íamos e esclarecia que havia ali perto um bom café – o “Submarino”, mesmo à entrada do Centro Comercial que já se avista-va.
Aí chegados, escolhemos uma mesa de canto e quando o empregado se aproximou, pedi-lhe dois cafés, quebrando o meu hábito de só tomar um café por dia, o que já tinha acontecido depois de almoço.
Para dizer alguma coisa, perguntei-lhe se queria água, mas respondeu-me que não. Eu, já cheio de ilusões, perguntei-lhe como se chamava e onde morava. Disse-me ser a Rita e que morava na parte da cidade conhecida pela “Bósnia”. Na tentativa de manter o diálogo, disse-lhe que me chamava Zé Rui e que morava no Centro Histórico.
Bebemos o café em silêncio, embora reparasse que ela o bebia de uma forma encantadora, sorvendo a aromática bebida, em pequenos goles.
Foi então que senti o calor do seu antebraço encostado ao meu e isso encheu-me de ideias amorosas pelo que lhe perguntei se podíamos trocar os números dos nossos telemóveis.
Ela voltou a sorrir e disse:
“Não, eu dou-lhe o número do meu telemóvel e quando quiser encontrar-me, liga-me e eu lhe direi da minha disponibilidade”.
Escreveu então um número num guardanapo de papel que estava em cima da mesa e entregou-mo. Queria pagar o café, mas eu não deixei. Agradeceu e disse que se tinha de ir embora.
Levantou-se e caminhou rapidamente na direcção da porta, enquanto eu a mirava verdadeiramente encantado.
Foi então que ela voltou para trás e ciciou-me ao ouvido:
“Já me esquecia de lhe dizer que cada encontro custa 30 euros”.
Nem dei pela saída dela, tal o meu espanto. Afinal tratava-se de uma prostituta!

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