Correio do Minho

Braga, segunda-feira

II Congresso de Investidores da Diáspora

Tancos: falta saber quase tudo

Ensino

2017-12-20 às 06h00

Rui Teixeira

Sentiu-se a saudade à solta entre o desejo de investir e um país preparado para receber o investimento.
Aconteceu, no final da semana anterior, em Viana do Castelo, o II Congresso de Investidores da Diáspora. Parabéns a todos. Desde logo aos cerca de 500 Investidores Portugueses, os quais, oriundos de todo o mundo - de Malaca aos EUA - rumaram a Viana do Castelo e foram o princípio e o fim do evento. Parabéns, também, à equipa e ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, que nos recordou o autarca que foi - assertivo e com visão.

Parabéns à Câmara de Viana do Castelo e ao seu presidente, José Maria Costa, que provou, pelo profissionalismo com que cuidou o evento, que Viana é um meio excecional e maduro para acolher estas iniciativas. Ao Governo que marcou presença com os Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Economia e um rol de Secretários de Estado. Parabéns a tantos outros: autarcas, empresários de cá, agremiações da indústria e do comércio, associações cívicas, de ciência, da cultura e cidadãos.

Foi (talvez) o arrojo do meu pai que, a partir de tão pouco, deu a cara à vida - emigrando - que me permite que eu hoje esteja aqui a falar convosco. Mas foi, seguramente, a coragem da minha mãe, que não partiu (como era muito frequente à época) - a coragem de cá ficar - para se tornar na base e no equilíbrio de tudo, que gerou o milagre transformador da minha família: a nossa formação.

A alegoria é transportável das famílias para o país. Há dois lados, sempre, na história da emigração, muito especialmente quando esta é coberta pelo sucesso: há o arrojo e o sucesso dos que partiram e o arrojo e o sucesso dos que cá ficaram. É na correta perceção e avaliação destes dois lados e, sobretudo, no cultivo e na revitalização da virtuosidade desta relação - que encontramos, já, tantas respostas no passado e que poderemos construir, no futuro (isto é, agora!) um caminho sem escombros.

Todos percebemos isto neste evento. Sentiu-se a saudade à solta entre o desejo da Diáspora de investir e um país preparado para o receber e cuidar do seu investimento. Começamos a ter em nós “…todos os sonhos do mundo”, parafraseando esse pedaço da nossa identidade, que é Fernando Pessoa. E continuando na voz de Pessoa “Tudo em nós está no nosso conceito do mundo; modificar o nosso conceito do mundo é modificar o mundo em nós”. Ainda há muito para mudar na imagem de Portugal na Diáspora.

Este não é, já, mais, o Portugal de onde partiram. Os que cá ficaram merecem - também - o orgulho da Diáspora e isto foi percebido. Os que cá ficaram trouxeram Portugal para o caminho da modernidade, pela profunda mudança, e vão-no construindo em volta de um enorme querer. Pessoa dizia, ainda, que “Todo o homem de ação é essencialmente animado e otimista”. Nós precisamos de juntar o ânimo e otimismo das gentes da Diáspora e a vossa capacidade de empreender àquilo que por cá vamos fazendo. Precisamos do vosso olhar (merecidamente) positivo.

Estamos prontos para vos receber, de modo cada vez mais sustentado e concorrencial, e já não porque somos mão-de-obra barata. Nós caminhamos, a velocidade acelerada, para os mais elevados patamares de qualificações das pessoas, da produção de conhecimento e desenvolvimento tecnológico, sem perdermos a nossa profunda cultura identitária - somos todos Portugueses - como ficou tão claro nestes dias de convívio, mesmo que sejam já muitos os anos de distância e muitos os milhões de investimentos com sucesso.

É injusto o peso que se pressente, por vezes, que ainda tem, a imagem do Portugal de onde partiram. É verdade que há pouco mais de 40 anos mais de metade da nossa população não tinha concluído ou não tinha sequer frequentado a 4.ª classe. Também é verdade que se contavam pelos dedos de uma mão o número de milhares de alunos na universidade no 25 de Abril. Mas esses são, hoje, indicadores que servem exclusivamente para medir o caminho percorrido. Os Portugueses - os de cá e os de lá - todos - devem orgulhar-se do muito de bom que fizemos nas últimas décadas. Hoje caminhamos para o meio milhão de alunos no ensino superior e cerca de 40% dos nossos jovens estão na universidade.

O nosso sistema de ensino superior e de ciência é uma das dimensões mais distintivas da marca Portugal, para orgulho de todos nós e como foi reconhecido por muitos dos presentes. Os profissionais, de nível superior, formados em Portugal e os nossos cientistas, competem e trabalham em todo o mundo e em todas as áreas do saber com elevada proficiência e prestígio. Foi disto mesmo que deu testemunho a Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a estimada professora Fernanda Rollo, testemunho que humildemente secundei, como responsável de uma Instituição de Ensino Superior - o Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

Portugal é, hoje, um dos melhores destinos do mundo para a capacidade de investir da nossa Diáspora, e, seguramente, um dos melhores destinos do mundo para a formação dos vossos filhos e netos. Este retorno, de resto, faz todo o sentido, respeita a história, a identidade, os interesses comuns e orgulha-nos a todos: os que partiram e os que cá estão.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.