Correio do Minho

Braga, terça-feira

Igreja Paroquial de Palmeira...

Tancos: falta saber quase tudo

Correio

2010-10-04 às 06h00

Leitor

No passado dia 18 de Julho fiquei a saber através da imprensa regional que o pároco de Santa Maria de Palmeira, Pe. Manuel Graça, fora substituído nas suas funções pelo seu homólogo de Santo Adrião de Macieira, S. Martinho de Tours de Courel e S. Paio de Gueral, o Padre João Paulo Alves. Este processo, decorreu no âmbito da política de rotação pastoral do arcebispo D. Jorge Ortiga que, em determinadas localidades, provocou alguma celeuma social.

Em Palmeira, ao contrário destas, o processo parece ter decorrido de forma bastante pacífica. Curiosamente fiquei surpreendido pelo pároco não ter deixada impressa qualquer demonstração de despedida no jornal paroquial, limitando-se a reproduzir na coluna editorial (a mesma onde se apresentou em 2007) um lacónico e enigmático conto.

A esta mudança, aliam-se as presentes obras na Igreja paroquial que têm como principal objectivo uma alteração estética do exterior de revestimento azulejar branco, que se pretende extrair e que se revela uma opção acertada face às motivações que levaram à sua desapropriada colocação no último quartel do século passado.

O templo que podemos hoje contemplar no Lugar de S. Sebastião, à excepção da Capela-mor, foi inaugurado no dia 8 de Junho de 1930, celebrando-se assim, no corrente ano, oito décadas de existência. A sua inauguração ficou marcada por diversos actos de culto religioso que duraram todo o Domingo. A bênção eucarística foi prestada pelo então professor de Teologia do Seminário de S. Barnabé, Pe. António Gonçalves Pires.

O traço final do edifício deveu-se ao conhecido arquitecto Ernesto Korrodi e às obras do mestre Barros que transformaram a igreja num templo amplo, de altiva e formosa traça que privilegia a verticalidade harmonizando-se com o cabeço onde se encontra implantado. A frontaria com um revestimento azulejar em tom azul divide-se em três tramos, rematando o central num coroamento sobre-elevado, em forma de torre sineira.

Ao centro, no cimo da porta desenha-se um arco redondo que envolve a pequena imagem pétrea da padroeira Nossa Senhora da Purificação. Com o mesmo recorte, se apresentam os três janelões com fundo gradeado localizados na parte superior do templo, mostrando-se a dimensão do central mais avantajado. Sobre este janelão está num plano superior o relógio que se-para a torre do restante corpo do edifício.

A sua construção não se revelou um processo linear, estando, desde a sua idealização em 1895, envolto em controvérsias discussões politicas e estéticas. No local onde se encontra a actual igreja paroquial encontrava-se a setecentista Capela de S. Sebas-tião administrada pela respectiva confraria. Contra a vontade popular, o pároco Carlos Almeida apoiado por um grupo de importantes e ricas personalidades locais, convencem a referida confraria no sentido de construir um maior e mais amplo templo, utilizando as estruturas da referida capela.

A intenção era a de construir uma nova Igreja paroquial, já que a multissecular existente no Lugar do Assento, próxima do actual cruzeiro, era pequena, situava-se na periferia da freguesia e necessitava de profundas reparações. Estabeleceu-se o compro- misso de S. Sebastião se tornar orago da nova igreja, algo que nunca veio a acontecer.

Foram imprescindíveis para a realização das obras os importantes donativos ofertados por ricos capitalistas como Maria de Araújo Coelho ou Domingos Palmeira. Em 1914, a obra de pedraria estaria já concluída. Nos finais dos anos vinte, o templo apresentava grande parte das suas estruturas completas. No entanto, a sua Capela-mor era constituída ainda pela antiga capela setecentista com a sua torre de sinos e outras dependências localizadas na retaguarda. Foi a transformação arquitectural que foi encomendada a Korrodi pela comissão paroquial liderada pelo Padre José Maria Vieira da Costa e Francisco da Silva Pinto.

Em 1929, o arquitecto de origem suíça promove a demolição integral da antiga capela, dando inicio à reconstrução de nova abside coberta por uma abóbada de berço. Numa tentativa infeliz de manter o valor artístico da capela de estilo barroco, procede à transladação da sua fachada, incorporando-a no alçado Norte do Templo.

Verificando-se assim uma desconcertante fusão de estilos arquitectónicos tão ao gosto do arquitecto que nada abona em favor do valor patrimonial do templo. Esta transladação arquitectural teria talvez todo o valor se fosse aproveitada para a fachada, se calhar noutro espaço, de um monumento dedicado a S. Sebastião.
As obras actualmente decorrentes traduzem uma mudança de gosto estético que o pároco cessante Manuel Graça revelou com alguma coragem e que ficarão como testemunho da sua passagem por Palmeira.

João Gomes

Deixa o teu comentário

Últimas Correio

08 Outubro 2017

A Cidade Inteligente

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.