Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Homem é isto?

O que nos distingue

Conta o Leitor

2012-08-02 às 06h00

Escritor

Por André Filipe Sousa Araújo

Vive, mas mata para viver. Está contente, mas mata para ficar contente. Constrói, mas destrói. Homem é isto? Pensou que navegou, mas afinal fez o barco naufragar para louvor da sua glória. Homem é isto? Escreveu as linhas, mas derrubou-as como bem o seu íntimo entendeu. Deixou o coração ser cruel, para benefício da sua vida, mal construída. Homem é isto? Deixou o pobre passar fome e matou o indigente. Deixou os seus sem casa, e deu a ele mais que um lugar, deu o mundo que é nosso, mas que ele tornou dele. Homem é isto? Cresceu mais que os seus rodeios, pensando ser maior, e espezinhou os mais pequenos, como se fossem meros bichos que o ser divino criou. Homem é isto? Enterrou as almas que não passam de seres mais idosos em clausuras que por cima se encontra o mero e fino lençol e fez desses seres idosos um mero animal, onde passam fome e medo. Homem é isto? Construiu mais que a sua glória verdadeira permitiu, mas para isso matou muito mais que este jogo, que a vida permite, e fez uso fruto de quem não amava. Homem é isto? Fez fissuras num mundo que não é só dele, e alterou o verdadeiro sentido deste planeta, a quem chamam de Planeta Azul. Homem é isto? Desafiou as leis que outros, que não estes seres pensantes, criaram, e fez dele o verdadeiro mau uso para o qual não estavam destinadas. Homem é isto? Derrubou seres vivos que o planeta amava e fez deles escravos perpétuos, que a alma vil deixa fluir, e guardou os restos, para a troca de uma outra vida. Homem é isto? Escravizou pequenos seres de lugares internos de maneira a não se ferir a ele próprio, porque lhe trazia desconforto. Homem é isto? Fez de tudo o que o mundo alberga, um circo de feras que todos anunciam num verdadeiro íntimo de mal, porque não sente nunca com o coração. Homem é isto? Homem é isto e tudo mais...O  Homem deixou outros irem para lugares onde o único destino era a verdadeira e derradeira perda de amor, o Adeus. Foram campos e lugares infinitos onde só existia um destino, era o Adeus de outros como nós que se perderam na vanguarda de novos modos de pensar, mas agora termino, tremendo os meus moles dedos. Afinal Ser Homem é ser assim? Como poderei responder se da tenra idade eu passo, e nunca saberei se passarei dela, mas de uma coisa eu poderei ter a certeza, é que mesmo sendo eu Homem, sempre saberei que existirá um Adeus, diferente daqueles campos e lugares infinitos, mas será um Adeus com amor e compaixão... Porque o Homem pode ser isto, mas se lhe oferecerem amor, poderá ser um dia Aquilo... Assim fala a triste palavra do Adeus...

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