Correio do Minho

Braga, sexta-feira

- +

HOJE É DIA DE LUÍS DE CAMÕES

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Ideias

2018-06-10 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Hoje comemoramos o “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” que representa, sem dúvida, o orgulho de ser português.
É um feriado associado, plenamente, à República em Portugal e assinala, também, o dia da morte do maior vulto da nossa literatura e da nossa cultura. Refiro-me ao poeta Luís de Camões, que morreu a 10 de junho de 1580.
A primeira grande referência a esta efeméride ocorreu em 1880, em plena Monarquia, quando os republicanos assinalaram o tricentenário da morte de Luís de Camões.
Quando foi instaurada a República em Portugal, o Governo Provisório liderado por Teófilo Braga efetuou um conjunto de alterações aos feriados lusitanos, eliminando aqueles que estavam ligados ao catolicismo e criando cinco nacionais laicos: 1 de janeiro (denominado Dia da Fraternidade Universal) 31 de janeiro (em homenagem à revolta republicana de 1891), 5 de outubro (implantação da República), 1 de dezembro (restauração da independência nacional) e 25 de dezembro (Dia da Família).
Por outro lado, oito dias após a instauração da República em Portugal, o Governo Provisório da República Portuguesa determinou que: “As municipalidades poderão, dentro da área dos respectivos concelhos, considerar feriado um dia por anno, escolhendo-o de entre os que representam as festas tradicionais e características do município” (decreto de 12 de outubro de 1910).
Deste modo, a capital portuguesa adoptou, desde a implantação da República, o 10 de junho como o feriado municipal de Lisboa. Todavia, em 1929, já durante o período da Ditadura, o Governo decretou, “para valer como lei”, que o dia 10 de junho fosse feriado nacional e “Comemorativo da Festa de Portugal”.
Mais tarde, durante o longo período do Estado Novo (1933-1974), Oliveira Salazar aproveitou o 10 de junho para destacar os valores do país e a raça dos portugueses.
Com a inauguração do Estádio Nacional, a 10 de junho de 1944, o Presidente do Conselho de Ministros aproveitou a ocasião para destacar os feitos dos portugueses, especialmente as virtudes da raça, ficando esse dia associado ao “Dia de Camões, de Portugal e da Raça”.
O discurso proferido, aquando da inauguração do Estádio Nacional, foi considerado excelente. Salazar referiu, então, que essa brilhante obra do Estado Novo era destinada “às gerações novas, ao fortalecimento da raça pela saúde física e pela alegria de viver”, afirmando ainda que o Estádio Nacional representava o símbolo da esperança no Portugal moderno!
Ainda nessa ocasião, referiu que lhe fazia confusão, sendo ele um filho do campo, que desfrutou da natureza, criado no meio das águas de rega e à sombra das árvores, que os lisboetas passassem o seu tempo de repouso a deambular de forma triste pelas sombrias e estreitas ruas da capital e não tivessem um parque desportivo, repleto de árvores e de vegetação, para que pudessem desfrutar e apanhar ar puro e estivessem em permanente contacto com a natureza! Acrescentou que sentia tristeza por saber que aos domingos os cafés de Lisboa estavam cheios de jovens, que discutiam os assuntos e problemas de baixa política, enquanto o rio Tejo encontrava-se sem gente e sem alma!
Até à Revolução dos Cravos, o 10 de junho foi celebrado também como o dia da raça portuguesa, querendo com isso o regime autoritário elevar o moral dos portugueses, envolvidos na desgastante Guerra Colonial.
Três anos após o 25 de abril de 1974, através do decreto-Lei n.º 80/77, de 4 de março, determinou-se que o Dia de Camões, comemorado a 10 de junho, seria também dedicado às comunidades portuguesas no estrangeiro, aqueles que se apartaram da “ocidental praia lusitana”.
Finalmente, em 1978, através do decreto-Lei n.º 39-B/78, de 2 de março, ficou determinado que o Dia de Portugal seria celebrado a 10 de junho, sendo dedicado a “Portugal, a Camões e às comunidades portuguesas no estrangeiro”, designação que se mantém até hoje.
Luís de Camões, o "Príncipe dos Poetas do seu tempo" morreu a 10 de junho, abandonado, na maior das misérias, tendo sido sepultado numa simples cova aberta no exterior da Igreja de Sant'Ana, em Lisboa. Mas Camões representa hoje o mais brilhante símbolo de Portugal e a sua obra, nomeadamente “Os Lusíadas”, permitiram engrandecer no mundo “o peito ilustre lusitano”.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho