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Histórias de embalar

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Ideias

2011-04-29 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

1 . Nos nossos dias são cada vez mais frequentes as histórias de embalar numa tentativa de adormecer e enganar os portugueses, tenham ou não eles o famoso cartão de cidadão já com o número de eleitor indexado pois que, quanto ao número de contribuinte, o mesmo só ainda não é exigido nas operações rotineiras, humanas e naturais do uso do papel higiénico na sanita.

Mas por falar nisso, é melhor nunca fiar porque, tendo-se caído em bancarrota, até nem será de modo nenhum estranho que o simples e humano acto de defecar ( o termo popular é outro ) venha a ter de pagar imposto pois mas um ivazinho vinha mesmo a calhar. Até porque, admita-se, o número de defecantes são cada vez mais, ainda que a fome já venha tendo efeitos perversos em termos de intensidade, volumetria e peso da matéria tributável.

Aliás, falando-se de tal iva ou coisa do género, confessamos que nos daria imenso gozo pagar pela defecação, e de alto, se a “matéria orgânica” fosse endereçada e usada para “enfeitar” e “esfregar” nos políticos que, diga-se, desde há uns tempos vêm defecando para todo um povo com o maior à vontade, e apenas por tola vaidade, teimosia, ânsia de poder, arrogância, réditos, regalias, esconsos interesses, loucuras de fanáticos e outras sensaborias.

Com o gravame de se darem ao luxo de usar “brinquedos” caros para mero desfrute e tola exibição, tais como automóveis topo de gama, mordomias em viagens, telemóveis, cartões de crédito, ajudas de custo e mais alcavalas indexadas ao poder, para já não se falar em submarinos, aviões, helicópteros e nos projectos megalómanos de TGVs, novos aeroportos e pontes.

As histórias do costume, reconheça-se, pois é óbvio que o país já resvalou para o abismo, tendo perdido dignidade e identidade, e que “a «choldra ignóbil» de Eça regressou corrompendo tudo, confundindo verdade e mentira e espoliando o presente e futuro colectivos” (M.A.Pina, Jn, 1.4.11), vivendo-se “à míngua de referências (morais, ideológicas ou outras e de qualquer projecto que não o da ganhunça” (id.).

Aliás, reconheça-se, a “corja do costume” que para mais se vem digladiando em palavreado, trocando acusações, vociferando ofensas e vomitando vitupérios como se a culpa fosse solteira, enquanto o povo, paciente e lorpa, vem aguentando tais ogres políticos, acolhendo seus desmandos, mentiras e disparates e sustentando um sistema político e de governação que só serve a utopia do poder e as fantasias de uma democracia deslavada, egoísta, interesseira e toda virada para o umbigo.

O sistema já deu o que tinha a dar, e, com a Constituição actual, o Presidente da República não dispõe de poder de acção e intervenção para pôr fim a tais ogres políticos e salvar Portugal da situação de miséria, descrédito e desagregação em que caiu.

A própria justiça, um dos baluartes de um Estado de Direito, está em descalabro, mesmo minimizando-se as usuais patacoadas e inabilidades do PGR, as insólitas e inoportunas palavras do presidente do STJ e os chocarreiros desmandos e destemperos verbais do bastonário da O. A. no seu ódio de estimação aos magistrados.

Magistrados que estão cada vez mais em crise e com a sua formação em risco, terminado que foi o período áureo dum CEJ que se perfilava como um polo fulcral e aglutinador de preparação e formação cívica, cultural, científica e técnica dos juízes e MP. Poder-se-á questionar métodos de recrutamento, critérios de avaliação e os perversos sinais de tola superioridade indexados a gratuitas fabulações de vaidade e arrogância que vieram a desaguar em agudas e estúpidas “juízites” e em parvos empolamentos funcionais, mas o balanço final é positivo. Até porque muita da perversidade detectada num e noutro caso concreto se ficou apenas a dever a deficiências em carácter, mentalidade, sentir e vivência deste ou daquele magistrado.

Mas o que se vem passando no CEJ é preocupante e prenúncio de incontrolável e incontornável desagregação. A saída sucessiva de dois directores-adjuntos deixa entrever problemas sérios, e a incerteza quanto à existência, natureza e concretização dos novos cursos de formação de magistrados causa natural apreensão. O ministro, aliás, já não convence ninguém, sendo óbvias a «situação de desorganização e desestruturação no sistema de justiça e a «indecisão» de que fala J.Palma, do SMMP.

2 . E para finalizar, só mais uma “novela” socialista a engrossar o anedotário político nacional.
O administrador dos CTT, o ex-sócio do camarada Campos, que o nomeara, pediu a suspensão do seu mandato por ter sido surpreendido pelas dúvidas suscitadas quanto à sua formação académica, porque “de acordo com uma notícia do jornal i, Marcos Baptista é suspeito de ter falsificado o seu currículo académico” (JN, 1.4.11).

Tendo pedido ao ISEG a devida avaliação curricular para não se duvidar da sua “honorabilidade e boa fé”, surprendeu-nos (!?) ao dizer que “«sempre esteve convencido de que o percurso académico com oito anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, corresponde a um curso superior, à luz das equivalências automáticas do processo Bolonha»” (id.).

Não é de pasmar ?!...A repetir-se o guião, ter-se-á licenciado ao domingo, feito exame por correspondência e tido um só professor a múltiplas cadeiras!.

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