Correio do Minho

Braga, sábado

Histórias da Vida: abnegação e entrega samaritana!

Investir em obrigações: o que devo saber?

Correio

2010-11-23 às 06h00

Leitor

Frequento de quando em vez um espaço de restauração na cidade de Braga, que sendo gerido de forma familiar, mesmo entre os empregados, proporciona ambiente acolhedor e de amizade. Surgiu empatia recíproca com uma das funcionárias, a Maria, e invadi o seu mundo social permitindo a revelação da maravilhosa história que ora partilho com os caros leitores, e que é um hino ao amor ao próximo...

Sendo a única filha e a mais nova de cinco filhos, ficou órfã de pai aos sete meses, vitimado aos 41 anos por acidente vascular cerebral quando manobrava o tractor na faina agrícola. Naturais e residentes na freguesia de Vilela (S. Tiago), no concelho de Amares, são pessoas empenhadas e zelosas da vida pastoral e paroquial. A mãe, com os cinco filhos, continuou enfrentando a vida de frente numa luta sem hesitação.

Dez anos mais tarde, e então com 51 anos, ocorreu drasticamente que ao descer os degraus da residência paroquial, após mais uma reunião pastoral em que participara activamente, foi vítima de trágica e inóspita queda que lhe pro-vocou lesões cerebrais irreversíveis e paralisantes e a levaram ao leito e à cadeira de rodas completamente imobilizada e necessitada de toda a ajuda e assistência.

Nessa altura - e aqui é que está a razão desta minha confidência aos caros leitores - um filho namorava uma jovem de apenas 17 anos, a Maria Amélia, que já estivera emigrada, e regressara para realizar namoro profícuo e mais tarde constituir família. Todavia essa samaritana impregnada do mais saudável e nobre espírito de sacrifício e bem familiar, abdicou de toda a sua juventude e vivência da mocidade e decidiu apressar o casamento para se poder dedicar de corpo e alma a cuidar da futura sogra, o que quem sabe alguma filha seria capaz de fazer com tal empenho.

Durante todos estes 20 anos com incansável amor filial e de entrega humanitária, essa samaritana enriqueceu o seu nobre coração com o exercício humano mais exigente: Cuidar de doentes com notórias incapacidades mentais e mobilidade física. Teve dois filhos, construiu casa em terrenos que toda a família, eternamente agradecida, resolveu ceder por partilhas antecipadas, continuando a zelar cuidadosamente da sogra e que, para ela, é também mãe.

Com o enfraquecimento das capacidades físicas e biológicas do corpo a D. Maria já sobreviveu a 2 AVC’s e à data que escrevo este artigo, encontra-se internada no Hospital de S. Marcos, em Braga, acometida por em terceiro AVC, bastante grave, e a nora diariamente lá vai acudir e cuidar de quem a olha como filha e sempre dela está esperando.
É uma HISTÓRIA DA VIDA muito bonita e que deveras me sensibilizou, mesmo não conhecendo os principais intervenientes, sendo uma riqueza partilhada podermos conhecer estes factos e o que de ensinamentos nobres nos concedem.
Parabéns Maria Amélia!

Benjamim de Sousa Ferreira

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